Fibra óptica no México com sotaque português

João Tello, filho de emigrante português, cria no país dos Aztecas e dos Maias um grupo privado líder na área das redes de telecomunicações metropolitanas avançadas

Jorge Nascimento Rodrigues na Cidade do México, Março 2003

Sítios do grupo MetroNet
MetroNet | Xertix

As redes de fibras ópticas no México têm um apelido português. O maior instalador e operador privado de redes de telecomunicações em fibra óptica em áreas metropolitanas é "filho" de um empreendedor luso-mexicano, hoje com 42 anos, com um historial de criação de empresas tecnológicas desde há vinte anos. «Depois do incumbente - o operador público mexicano -, somos o número 2. Começámos, nesta área, em 1997, a partir de uma concessão que nos outorgou o direito de instalar, operar e explorar uma rede pública de telecomunicações em fibras ópticas», afirma-nos João Carlos Tello, o fundador e director-geral da MetroNet, fundada em 1996, e sediada na "colónia" (divisão urbana) de Hipódromo na capital federal do México.

O empresário luso-mexicano quase que nasceu com o "bichinho" das telecomunicações nas veias - desde a saída da Universidade em 1982 que entrou neste segmento então emergente, tendo sido o primeiro «a criar uma empresa de integração de telecomunicações no México, o que me granjeou prestígio no sector», sublinha o nosso interlocutor. Sete anos mais tarde meteu-se nas fibras ópticas a partir de uma consultoria que realizou para o Governo mexicano acerca das normas de utilização deste novo tipo de "condutor" de comunicações.

O segmento certo

Quando as Américas começaram a abrir o sector das telecomunicações nos anos 90, João Tello estava "metido" no momento certo no segmento de negócio certo - o México foi o terceiro país americano a proceder à abertura à iniciativa privada da infra-estrutura de transporte das telecomunicações. A MetroNet pôde conquistar a sua posição face ao incumbente e conseguiu, depois, sobreviver à tormenta do pós-rebentar da "Bolha" da Nova Economia.

João é filho de emigrante português e de mãe mexicana, que hoje vivem no Algarve, terra onde «sempre passei os Verões com a minha avó paterna para adquirir o saborzinho português, o que foi muito catita», enfatiza num português coloquial, para depois sublinhar que «a mesma tradição está a ser incutida na terceira geração dos Tello».

Fez nos anos "quentes" da Nova Economia uma "tentativa" de entrar em Portugal, «mas faltou capital», confessa. «Espero por melhor conjuntura para voltar a pensar em nova tentativa na minha segunda pátria; por agora estou 100% concentrado no México», afirma o empresário luso-mexicano.

Novo conceito

E no meio da tormenta que varre as telecomunicações, João Tello fez nova aposta - posicionou-se num conceito novo de serviço de telecomunicações e criou mais uma "start-up" que leva o curioso nome de Xertix. «É um jogo de palavras latino, em que se mistura o certo, confiável, e o 'x' das matemáticas», explica-se.

Com base na infra-estrutura montada e gerida pela MetroNet, João Tello pretende explorar uma das novas tendências na oferta a empresas - a prestação de um serviço fiável de infra-estrutura e de operação de aplicações dentro do próprio cliente. «Os principais entusiastas deste novo movimento encontram-se no sistema financeiro», afirma o fundador da jovem Xertix.

Depois da vaga do "outsourcing" (adjudicação a terceiros) de algumas das necessidades das empresas nas áreas de tecnologias de informação e telecomunicações, a Nova Economia trouxe os "fornecedores de aplicações de serviços" (designados no calão técnico anglo-saxónico por "ASP") que não goraram muito êxito. A desconfiança do cliente matou muita da bondade desta ideia de serviço externo em áreas críticas.

Estas empresas de serviços moveram-se, então, para outra aposta que já foi designada, no inglês técnico, por "utility computing", ou seja a venda do uso de serviços e aplicações de tecnologias de informação como se tratasse do consumo de energia ou de água. Contudo, João Tello, quer dar total confiança e garantia nas operações, e fez um retorno ao seio do cliente - os gurus de telecomunicações chamam-lhe um novo tipo de "insourcing", por oposição à tendência dos anos 90 do século passado.

A Xertix monta todo o sistema de infra-estrutura e serviços dentro do cliente e gere-o autonomamente nesse espaço. É um modelo operacional de serviço por terceiros localizado no próprio cliente que funciona já em muitas indústrias, desde as unidades de embalagem de água para consumo até às linhas de montagem de veículos automóveis, em que fornecedores de parcelas da cadeia de valor instalam as suas unidades de fabrico ou de serviço no próprio "lay out" fabril do cliente.

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