«Internet entrou no cabaz de compras»

Para o líder do maior operador independente de acessos e serviços Internet em Portugal, a Internet, vulgo 'Net', entrou definitivamente no estilo de vida moderno do português de classe média, ao lado da casa própria, do carro, do telemóvel, do PC e da TV Cabo

A Internet, uma ilustre desconhecida do cidadão português há quatro anos atrás, está à beira de mais de um milhão de utilizadores regulares, começa a entrar na conversa diária de café e no escritório e conquistou espaço na publicidade e nos «media».

Logotipo IP Este 'efeito um milhão' provocou a entrada da Net no cabaz de compras do estilo de vida moderno do cidadão português de classe média, diz-nos Paulo Bicudo, o líder da IP, o maior operador privado de serviços Internet em Portugal.

«A par da casa própria, do carro, do telemóvel, do cartão de crédito, da TV cabo e do computador, a Net começou a ser encarada como mais um dos bens essênciais de uma vida com qualidade», refere-nos. «É a concretização do sonho da aldeia global de McLuhan e estou satisfeito pela IP estar a contribuir para ele aqui em Portugal», prossegue Paulo Bicudo, que, ao olhar para o futuro, não encontra melhor prognóstico do que o de Nicholas Negroponte, quando o ouviu em Lisboa no ano passado: «Amanhã, o que vai existir nas nossas casas é um cabo com o protocolo da Internet por onde tudo passará, desde o vídeo, à televisão, ao telefone, à Web e ao fax».

Para as empresas, a Net começa a ser aquele meio barato, com que ninguém sonhava. «O boom começou no último trimestre de 1998 entre as 500 maiores portuguesas. Para as PME, que só agora estão a despertar, ainda será mais importante - é a oportunidade de entrarem na corrida competitiva do século XXI», prossegue.

Ele acha, no entanto, que há um impacto ainda maior, menos 'tecnológico', mas mais profundo em termos culturais no meio empresarial: «A Net está a mudar a forma de trabalharmos e de gerirmos. Estamos a começar a apanhar o vento de Silicon Valley, uma atitude de maior informalidade e de mobilização da criatividade».

Este optimismo de Paulo Bicudo confunde-se com o próprio trajecto da IP. Esta jovem empresa de quatro anos de idade nasceu na cabeça de um grupo de tecnólogos do INESC. Na altura, eles propuseram a ideia de negócio à Telecom, que lhes respondeu que 'a internet era coisa de universitários', conta-nos Alves Marques, um dos responsáveis daquela instituição. Então, o INESC procurou criar uma equipa sólida para um negócio de risco, em que só acreditavam alguns 'vanguardistas', mas com uma prespectiva de alto crescimento.

Contactou Paulo Bicudo e outros «jovens engenheiros com experiência empresarial». Bicudo estava na Procter & Gamble e outros dois co-fundadores na Unilever e na Andersen Consulting. «Assim ficou formada uma equipa que juntava o melhor de dois mundos - escola feita na parte da tecnologia e na gestão», refere o nosso interlocutor. A IP nascia com cinco fundadores e vinte mil contos no bolso, com o apoio da AITEC, uma capital de risco.

Aquilo que era, aparentemente, uma raridade académica, está à beira de se transformar em «algo tão comum como a electricidade, a água ou o telefone». Essa mutação social catapultou a IP para o milhão de contos de facturação e permite-lhe disputar taco-a-taco a posição com a Telepac sobretudo no mercado empresarial.

Para fechar o círculo de crescimento, este «bébé» espera poder vir a integrar-se numa rede mais ampla, numa parceria com um operador com infraestrutura que queira construir uma oferta integrada de serviços modernos.

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