Viagem Sobre Um 'Pool' de Inovadores
e Empreendedores

Sete Faces da Quarta Vaga e a empresa mais dinâmica
visitadas por Jorge Nascimento Rodrigues


Marc Andreessen, 26 anos, Netscape
O rapaz de New Lisbon que democratizou a Web

A World Wide Web não seria o fenómeno popular que começa a ser hoje sem este rapaz nascido em New Lisbon, uma cidadezinha rural de duas mil pessoas, em Wisconsin, na vizinhança dos Grandes Lagos do Noroeste dos Estados Unidos.

Marc Andreessen Provavelmente a Web continuaria a ser uma ferramenta elitista, pensada e criada por um cientista inglês no CERN, na Suíça, e não o novo meio de comunicação que é hoje. O 'browser' desenhado por Marc Andreessen foi para a Web o que o Apple II foi para o computador pessoal nos anos 70.

Há seis anos apenas, Marc trabalhava por 6,8 dólares à hora no Centro Nacional de Aplicações Supercomputacionais na Universidade de Illinois, bem longe do Silicon Valley, quando com um funcionário amigo, Eric Bina, desenhou entre Abril e Novembro de 1993 uma original interface gráfica que permitia a qualquer um 'navegar' na Web. Baptizaram-na de 'Mosaic' e saltaria, «para nosso espanto», confessa hoje a dupla, para a primeira página do caderno de Economia do The New York Times no final daquele ano, com o prognóstico profético de que «poderia gerar uma nova indústria a partir do zero».

Marc era um típico miúdo dos computadores. Aos 9 anos aprendera Basic e aos 12, no seguimento de uma operação, começara a programar. Licenciou-se em Ciências da Computação como não podia deixar de ser, naquele final de 93. Com o prognóstico do jornal a zurzir-lhe na cabeça veio, então, para o Silicon Valley, já transformado na Meca de todos os pesquisadores do novo ouro virtual.

Um encontro de café mudaria, então, a vida do moço de calções e sandálias vindo do Midwest. James Clark, um veterano do 'hi-tech', fundador da Silicon Graphics, mandara-lhe um correio electrónico a convidá-lo para um pequeno almoço. No Café Verona, em Palo Alto, Clark desafia o jovem para a industrialização do 'browser', tirando-o da bata académica. O negócio era fazer algo melhor do que o Mosaic.

Marc reconstituiu o grupo e em Julho de 1994 a recém-criada Mosaic Communications já aparecia como uma das 25 empresas a seguir na lista de 'revelações' da revista Fortune. O 'browser' Netscape e o capital de risco da Kleiner Perkins Caufield & Byers fariam o resto e a própria empresa mudaria depois o nome para a marca que está hoje presente ao canto do écran de milhões de PC.

A desatenção da Microsoft durante dois anos valeu à Netscape chegar aos 80 por cento deste novo mercado e a Marc acabar em capa da revista Time apenas com 24 aninhos. Uma oferta pública de venda no NASDAQ, no ano de 1995, fez passar de 7 dólares por acção para 85,5 e ao jovem Marc mudar do Mustang vermelho para um Mercedes S600 Sedan. O rapaz ganhara do dia para a noite um património de 171 milhões de dólares. O mito do Rei Midas no Vale do Silicio repetia-se. George Gilder, o visionário radical, já escrevia na revista Forbes que tinha chegado o «próximo Gates».

Mas Bill Gates, o próprio - o «BG» ('big guy') de Seattle, como no Vale é conhecido -, acordara finalmente para a Net. «Deus decidiu converter-se à nova religião», comenta com ironia Marc. Ele e a Netscape tinham ganho a partida 'ideológica', mas começavam uma dura guerra de mercado. O 'browser' da Microsoft de 5 por cento de quota acabou por chegar a metade do mercado. Gates 'engolira' o sapo da nova interface, integrando-a na sua velha plataforma.

Segue-se um período de alguma confusão estratégica dentro da Netscape e até de frustação de Marc, relegado para pouco mais do que 'evangelista' de serviço. As acções batem no fundo em princípios de 1998, com 14,87 dólares. O valor de Marc em 'silicio' baixa para 1/6!

A reorientação estratégica da Netscape traz novo alento bolsista; as acções já dansam agora entre os 30 e os 40 dólares. Marc voltou a pôr as mãos na 'ferrugem', dirigindo uma equipa de mil crâneos. Agora já afaga, com mais prazer, os buldogues que tem em casa e à noite voltou a 'surfar' com a sua noiva, Elizabeth Horn, em dois computadores lado a lado.

Marc assina uma coluna a Tech Vision no 'site' da Netscape



Paul Romer, 42 anos, Universidade de Stanford
O futuro Nobel da 'Nova Economia'

Hoje os homens da finança falam do 'capital intelectual' e os líderes das multinacionais mais poderosas constroem frases de estilo em torno da 'economia do conhecimento'. Alguns políticos também já entraram na moda. Há unanimidade sobre o papel da 'alta tecnologia' no crescimento económico. Essa mudança de discurso deve-se a um académico, de grande simplicidade e facilidade de trato. Chama-se Paul Romer (http://wesley.stanford.edu/facultybios/fromerp.html).

Paul Romer, o futuro nobel sempre 'casual' É considerado o 'pai' da chamada nova teoria do crescimento. A revista Time já o elegeu como um dos 25 americanos mais influentes, a par de Colin Powel, de George Soros, de Madeleine Albright, de Chris Carter, o criador dos 'Ficheiros Secretos', ou do 'cartoon' Dilbert de Scott Adams.

Peter Drucker, o decano da gestão, que, desde cedo, começou a falar da sociedade pós-capitalista baseada no saber como factor produtivo por excelência, não se cansa de dizer que Romer pode muito bem ser um futuro Nobel da Economia, bem merecido.

Os homens do capital de risco de Silicon Valley já há dezenas de anos que dizem que as ideias valem ouro e podem dar origem a uma nova economia. Com a vantagem de o praticarem. Este ambiente, de certo, que influenciou o pensamento do economista que lecciona e investiga na Graduate School of Business da Universidade de Stanford, em pleno coração do Vale.

«A economia emergente neste final de século é baseada sobretudo em ideias mais do que em capital ou mercadorias», diz-nos Romer, ao receber-nos num pequeno gabinete pejado de papeis e de livros, e entre telefonemas e correios electrónicos com alta prioridade.

Mas pretende deitar água fria nos exageros digitais e nos mitos sobre esta nova economia que têm tido como epicentro a revista Wired, editada em San Francisco, cuja ingenuidade militante é aproveitada por pretensos economistas com espaço nos grandes jornais do país. «Sobretudo, é preciso não cair na ilusão de que não haverá mais recessões, graças à alta tecnologia», frisa.

Tudo o que está ligado à Internet e à Web transforma-se hoje em ouro, mas Paul Romer adverte: «Há muita bolha!». E assim se despede, ao final da tarde, pois susurrou ao telefone à mulher ir fazer-lhe um jantar especial.

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James Gosling, 43 anos, Sun Microsytems
O anti-herói do novo paradigma

À primeira vista não passa de um típico 'rato' de laboratório. É o protótipo do cientista do Vale. Usa jeans e não põe gravata. É forte, vive de pizzas, de hamburgers e de coca-cola, diz quem com ele priva. Tem um tom de voz monocórdico, pouco dado a operações mediáticas. Mas quando começa a falar do seu mundo para os 'seus' perde a timidez e entusiasma-se, sobretudo nos encontros em torno da 'Java', a linguagem de programação que ele deu à luz.

James Gosling avistando o 'Carvalho' da janela É o anti-herói do Silicon Valley, apesar do seu rebento, a Java, já mobilizar 700 mil programadores. James Gosling não quer ser estrela e pediu até para deixar de dar entrevistas.

Nasceu num quinta, no Canadá, e aos 15 anos já escrevia à unha software para o departamento de Física da Universidade de Calgary, onde tiraria mais tarde uma licenciatura em. computadores. A sua peregrinação pelos Estados Unidos, levou-o ao laboratório de computação da Universidade de Carnegie-Mellon, ao doutoramento e a um primeiro emprego 'seguro' na IBM. Em 1984 aceitava o risco de entrar na Sun - desafiado por um cientista de renome, Bill Joy, e por uma grande frustação dentro do gigante.

A história da sua aventura na Sun Microsytems é feita de altos e baixos ao longo dos anos. Em 1991 liderou um denominado 'grupo dos quatro' (para além dele estavam outros três crâneos da Sun, Patrick Naughton, Ed Frank e Mike Sheridan) e um secretíssimo projecto com o nome de código 'Verde', que a dado passo se fechou numa empresa criada propositadamente para o efeito, a First Person.

A ambição era criar uma linguagem universal. O truque de génio de Gosling foi colocar dentro dessa nova linguagem uma espécie de máquina virtual, que funcionava como um 'intérprete' do computador, residindo também fora dele, na rede. «Era como se fosse um diplomata rodeado de tradutores, enviando assim as mesmas instruções independentemente do computador, do sistema operativo, e dos 'chips' lá dentro, ou mesmo do ternimal, que pode ser um telemóvel ou um electrodoméstico», explica ele em termos simples.

Era um novo paradigma que vinha colocar em cheque em particular o império do sistema operativo dominante, da Microsoft. John Doerr, um dos homens do capital de risco do Vale, logo o alcunhou de «o maior programador do mundo».

O primeiro nome que Gosling deu à sua criação foi 'Carvalho', pois da janela do seu gabinete avistara uma árvore dessas quando estava a pensar no nome. A utilidade da nova 'coisa' andou em bolandas dentro da Sun, passou por visar a TV cabo, até que a explosão da Web foi como a lotaria. Em Dezembro de 1994, uma versão alfa do 'Carvalho' era colocada num 'site' secreto na Web para testes por um grupo de eleitos. Um deles logo comentou: «Isto é a próxima Grande Coisa». A marca 'Java' surgiria de umas discussões promovidas por uma mexida jovem da equipa, de nome Kim Polese, a quem nos referimos mais adiante.

Mas a Microsoft reagiu do mesmo modo que em relação ao 'browser' de Marc Andreessen. Engoliu o sapo e inseriu o novo paradigma na velha plataforma uma vez mais. Ao que Gosling comenta com paciência de chinês (sem o ser): «Já ando nisto também há muito tempo para saber que nada está decidido por muito longo tempo».

John Vasconcellos, 66 anos, senador em Sacramento
Raízes lusas na política da Califórnia

Está há trinta e um anos na política californiana «com um estilo próprio, que nada tem a ver com o cinismo da politiquice», dizem os amigos. Consideram-no um «homem de causas» e a «consciência da Legislatura». Da Assembleia estadual passou a senador democrata no Senado da Califórnia em Sacramento em representação do distrito de Santa Clara, que se apresenta a si próprio como 'o coração do Silicon Valley'.

Senador John Vasconcellos Filho de mãe alemã e de pai descendente de madeirenses do Arco da Calheta que vieram em 1885 para o Hawai como trabalhadores da cana do açúcar, John é muito estimado pela comunidade portuguesa da Califórnia, e em particular de San Jose. Veio a Portugal pela primeira vez em 1991.

É um político sem formalismos, que veste 'descuidadamente' sem o snobismo de muitos pares. «Frequentemente sem gravata, e de mangas arregaçadas, prefere uma boa troca de ideias a ser colocado numa mesa de honra como figura decorativa», refere-nos Tony Goulart, da comunidade portuguesa do Silicon Valley, que com ele priva.

John desvendou-nos algumas das suas últimas causas numa longa conversa. O seu slogan, diz-nos ele, é «uma Califórnia na diversidade, baseada na auto-estima e 'ligada'». A Internet é, por isso, uma das suas prioridades estratégicas: «Desejamos usar a Net como um meio de manter os californianos, e particularmente o Silicon Valley, na liderança. O Senado estadual deve ser o melhor aliado do desenvolvimento da Net». Para isso criou um forum bipartidário, o California Legislature Caucus, que entrará em pleno agora em Setembro.

Contacte o Senador Vasconcellos (senator.vasconcellos@sen.ca.gov) se está interessado no California Legislature Caucus

Clement Mok, 40 anos, Studio Archetype
O guru do design na Web

«Se não é fácil de usar, por melhor tecnologia que tenha, não presta para nada. E se só serve para fazer vista, então só gera custos, e não é bom negócio». Este é o lema defendido por Clement Mok para um posicionamento na Web por parte de qualquer um dos seus clientes na Studio Archetype, que está sedeada na zona mais 'digital' de San Francisco, o Multimedia Gulch, o outro braço do Silicon Valley.

Clement Mok num mundo de efeitos Esta posição, diz-nos ele, vem-lhe «da herança da Apple». Ele foi, há dez anos atrás, director criativo daquele símbolo do Vale, onde era responsável pela comunicação institucional, pelos sistemas de embalagem, pelos eventos de marketing e pelos projectos de lançamento de produtos.

«A herança, desenvolve Mok, foi a filosofia da Apple de colocar o individuo - o utilizador - no centro do poder da relação com a tecnologia». Por isso, ele imprime desde 1988 ao colectivo dos seus criativos a postura por uma grande simplicidade da interface gráfica, por uma forte 'amigabilidade' no uso, e por uma preocupação central com funcionalidades úteis.

O próprio nome da empresa - «Arquétipo» - tem um sentido estratégico: «Pretende ajudar os clientes a serem arquétipos nas suas áreas de negócio respectivas. Nós não abordamos a Web pelo lado técnico. Não se trata de desenhar 'coisas', mas experiências».

Segundo a revista Internet Computing, a empresa de Clement Mok está entre as 20 melhores da sua área e «recebeu as votações mais elevadas segundo muitos critérios da nossa avaliação». A sua projecção mundial veio-lhe, em grande medida, da reformulação do «site» da IBM e da página oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno em Nagano. A Studio Archetype acaba de ser integrada no grupo Sapient Corp, baseado em Cambridge, Boston.

Qual o segredo? Responde-nos Mok: «Não nos vemos como uma empresa de design. Mas como uma empresa típica da cultura do Vale. Temos a mesma atitude - tudo está sujeito à mudança; tudo é possível. Foi por isso que passámos do papel para o CD e para a televisão interactiva e depois para a Web. Acompanhámos a mesma evolução que ocorria no Silicon Valley».

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Ariel Poler, 31 anos, I/PRO
Um venezuelano cria o BI da Web

A ideia surgiu-lhe numa conversa com amigos sobre as fraquezas da Web. Um deles dissera que «faltava o equivalente a um 'scanner' de supermercado». «Quando cheguei a casa pus-me a matutar no assunto e ao fim de alguns dias tinha o meu plano de negócios todo gizado para criar a futura I/PRO», explica-nos Ariel Poler, um venezuelano de Caracas que acabou no Silicon Valley a criar um novo nicho de negócio na Internet.

Ariel Poler (à esquerda) e outros fundadores da Topica O que faltava na Web era poder ter uma espécie de 'bilhete de identidade' da página, podendo auditar o quem visita e porquê, fazendo a demografia sem destruir a privacidade de quem utiliza. «Como a Web iria tornar-se rapidamente num meio de publicidade como a TV, era necessário ter sistemas de medição fiáveis das audiências e do real impacto da publicidade», diz-nos Ariel, que com 20 mil dólares avançados pela mãe criou a I/PRO-Internet Profile Corporation na Primavera de 1994. É claro que, mais tarde, as capitais de risco colocariam na nova empresa, em três 'rounds', mais de 1,8 milhões de dólares.

O bichinho de 'furão' começara cedo. Aos 13 anos em Caracas era um 'disco jockey' afamado. Aos Estados Unidos veio tirar engenharia de computadores no MIT e um MBA em Stanford. A ligação ao Silicon Valley começara aqui. A Web foi apanhá-lo no MBA e enquanto os colegas pensavam em se meter numa das 500 maiores empresas da lista da Fortune, Ariel virou a agulha para criar o seu próprio negócio.

Contratou gente para lhe escrever à unha o código para este software de rastreio. Dois dos subcontratados eram uns estudantes de Stanford, de nome Jerry Yang e David Filo, que por 25 dólares à hora trabalharam para Ariel. Ironia da história, o primeiro cliente da I/PRO seria a empresa criada por essa dupla, que viria a ficar famosa como Yahoo!. «O cheque deles serviu para irmos todos jantar fora», ri-se Ariel Poler.

Em finais de 1996, a I/PRO já trabalhava para 18 dos 25 'sites' com mais receitas de publicidade. Mas, Ariel saiu em 1997 descontente com a gestão. Criou a Topica, cujos objectivos são ainda «confidênciais», mas que está a admitir gente (se quiser tentar a sorte clique em Job Openings no 'site').

Ariel Poler está também no 'board' da Link Exchange Web Site Network, uma rede que promove a permuta de hiperligações.

Kim Polese, 36 anos, Marímba
A amazona da Internet

A celebridade desta nativa de Berkeley, filha de pai italiano e mãe dinamarquesa, está associada à Java. Na Sun Microsystems ela foi a face pública do marketing da nova linguagem, e quando membros da equipa de doze que haviam trabalhado com James Gosling decidiram pôr-se a caminho e criar empresa própria, foram buscá-la como pedra chave.

Kim Polese, a mais bela do Vale Foi num café de nome Marimba, perto de sua casa, que Kim Polese se decidiu a aceitar o novo desafio. Viria a ser catapultada para CEO da empresa, o que ainda é raro numa indústria muito habituada a lideranças masculinas.

Kim desde miúda que ficou com o bichinho dos computadores. Licenciou-se em biofísica e andou depois pela inteligência artificial, nos tempos áureos desta. Entraria para a Sun em 1989 e penetraria no projecto secreto liderado por Gosling, onde ficaria marcada para sempre com o ferro da nova linguagem de programação.

Depois da saída da Sun, durante algum tempo, o seu cartão de visita dizia apenas 'Empreendedora de Java' e em Janeiro de 1996 aparecia finalmente a Marímba, o primeiro filho empresarial da nova linguagem. A jovem empresa, ainda o produto não estava na rua, já tinha o capital de risco a bater-lhe à porta, sendo uma das primeiras escolhas do então nascido 'Fundo Java' criado pela Kleiner Perkins.

O produto demorou algum tempo a amadurecer. Influenciados pela ideia de negócio da Point Cast, que viria a celebrizar a tecnologia 'push' - que permite empurrar para dentro do seu computador a informação que deseja, proveniente de vários 'canais', sem que tenha de andar a maçar-se a fazer pesquisas na Web -, os jovens da Marímba viam na Java um meio de fazer mais (não só empurrar informação como aplicações) e melhor.

Assim nasceu a 'Castanet' e um dos primeiros clientes foi a revista HotWired, a iniciativa 'online' da conhecida Wired. A mais curiosa aplicação foi porventura a feita pelo Excite, um motor de pesquisa também nascido no Silicon Valley, que criou um 'Guia de Canais' com a voz de Barbara Feldon, a 'agente 99' da velha série de TV Olho Vivo.

Vistosa, mulher no meio de um mar de homens, Kim Polese foi também considerada pela revista Time, no ano passado, um dos 25 americanos mais influentes, modelo de empresária da Web. Ela pertence a uma associação de mulheres executivas do Silicon Valley que dá pelo nome sugestivo de 'Babies in Boyland'.



Cisco Systems, 14 anos
O protótipo da Quarta Vaga

Este oitavo personagem não é pessoa, mas uma empresa sedeada em San Jose, a capital do Silicon Valley. Pode ser encarada como a face da empresa da Quarta Vaga do Vale. A revista Forbes considerou-a, este ano, «a empresa de alta tecnologia mais dinâmica da América». Se a Microsoft espera ter um crescimento nos lucros de 25 por cento ao ano nos próximos três a cinco anos, a Cisco Systems, segundo os analistas, poderá andar nos 30 a 35 por cento.

QUADRO DE HONRA DO VALE
(Capitalização de mercado, 1998)
Empresas Biliões 
dólares 
 Intel  129,4 
 Cisco 98,1 
 Hewlett-Packard 53,5 
 Oracle 20,7 
 Fonte: Bloomberg, Agosto de 1998 

Só este ano, o seu valor em bolsa passou de 60 dólares por acção para um máximo de 105 recentemente. Pertence ao fechado 'clube dos quatro' maiores em capitalização bolsista no Silicon Valley - primeiro vem a Intel com mais de 129 biliões de dólares de valor de mercado, seguida da Cisco com 98, da HP com 53,5 e da Oracle com cerca de 21 (para dados de finais de Agosto 98, segundo a Bloomberg). Está, também, entre os 10 maiores empregadores do Vale, com sete mil empregados.

Está no 'top' do NASDAQ em termos de crescimento da sua valorização nos últimos cinco anos, com 1437 por cento, seguida da Oracle com 1200 por cento e da Intel com 969 por cento (em termos de comparação, a Microsoft andou pelos 346 por cento).

A escolha da Cisco como caso exemplar vem do facto de ela dominar uma 'tecnologia de alavancagem', como lhe chama Peter Cohan, um estudioso da nova economia. «Ela tem um papel central na indústria da rede que hoje emerge. Os 'routers' que fabrica servem de sinaleiros e de carteiros ao mesmo tempo, encaminhando os dados na rede», refere-nos. O que é corroborado por Geoffrey Moore, o analista financeiro do Vale, que a considera no seu livro The Gorilla Game (Compra do Livro), um 'gorila', cujo «poder se baseia no controlo de uma dada cadeia de valor - se a Intel o conseguiu com o 'chip' e a Microsoft com o sistema operativo, a Cisco poderá ser a próxima candidata a esse lugar central no próximo século».

Sandra e Leonard nos tempos da Universidade Provavelmente nunca o teriam imaginado o casal de namorados, Leonard Bosak e Sandra Lerner, funcionários da Universidade de Stanford em departamentos diferentes. Por isso, Bosak teve de criar um aparelho - o tal 'router' - que permitia mandar correio electrónico de um computador para outro em redes diferentes, mantendo assim a 'comunicação' com a namorada. O casal viria a criar em 1984 a Cisco Systems baseada nessa inovação. O que começou por ser uma 'ligação' amorosa acabou por dominar 80 por cento do mercado.

O casal já se divorciou e Sandra gosta de pousar nua em cima de cavalos, como a fotografou a revista Forbes. Sandra e Bosak deixaram o filho que criaram em 1990, na sequência de uma tomada de controlo por parte das capitais de risco depois de uma OPV. Os destinos da Cisco passaram então para as mãos de CEO profissionais. Desde 1995, a empresa tem à frente John Chambers, um veterano que já andou pela Wang e pela IBM.


Se é curioso e quer saber QUEM É QUEM no Silicon Valley clique aqui.

A História de alguns destes heróis do Vale em OS ARQUITECTOS DA WEB de Robert Reid

O segredo do Vale | Cronologia

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