«GRID» - The Next Hot Thing?

ATENÇÃO CHEGOU A "GRELHA"!

SERÁ A PRÓXIMA TECNOLOGIA EMERGENTE?

Na sopa de letras da Nova Economia, depois da "rede" (net) e da "teia" (web), entrou um novo residente pela mão da computação distribuída. A ideia original vem dos anos 60, mas só agora começa a tomar corpo. Estados Unidos e Europa estão na corrida, com a IBM pelo meio.

Jorge Nascimento Rodrigues entrevista Ian Foster do Argonne National Laboratory (Chicago)

Sites recomendados
 The Globus Project | Ian Foster | Grid Computing Infocenter 
Global Grid Forum | DataGrid (Europa)
Press release da IBM sobre projecto no Reino Unido

Livro recomendado
 «The Grid», de Ian Foster, lançado em Novembro 1998 (compra do livro) 

Projectos da comunidade científica
Grid Physics Network | Particle Physics Data Grid
 Network for Earthquake Engineering Simulation Grid 

 Artigos de J.C.R. Licklider 

Artigos de Ian Foster
Internet Computing and the Emerging Grid,
publicado na revista Nature (7 Dez. 2000)

The Anatomy of the Grid: Enabling Scalable Virtual Organizations,
publicado no International Journal of High Performance Comouting Applications, 15 (3), 2001

Informações sobre projectos IBM na Europa

Ian Foster Subitamente um termo novo entrou na literatura do "informatiquês" em 2001. "Grelha" (grid, no original em inglês) é a imagem dada para um novo tipo de ciberinfraestrutura que se começou a montar nos meios científicos, mas que rapidamente promete se estender aos meios empresariais.

Em termos simples, a "grelha" fornece uma infra-estrutura e as ferramentas que permitem a partilha segura de recursos em larga escala para níveis muito sofisticados de computação e de trabalho colaborativo, sem limitações geográficas ou de gente envolvida.

Trata-se de uma infra-estrutura dedicada e coordenada, que permitirá avultadas capacidades de computação e de análise de dados não só para a investigação científica nas mais diversas áreas (da genética à sismologia), como para a gestão de crises, a avaliação de cenários, a simulação e design de produtos altamente complexos e de novos materiais, o desenho de sistemas inteligentes de fabrico,etc..

A "grelha" vai mais longe que as expectativas trazidas pelo "boom" mediático do "P2P" (computação entre pares) no início deste ano, e a que já nos referimos. Os arautos da nova palavra mágica garantem que, finalmente, as organizações virtuais vão ser possíveis e que empresas virtuais "escaláveis" vão poder existir dentro em breve, contrariando os conservadores que viam no dilúvio da Nova Economia o regresso aos bons velhos tempos das empresas verticais.

Evolução lógica da Internet

«Não se trata de uma alternativa à Internet. É uma sua extensão, é uma evolução lógica dela, mais virada para a partilha de recursos e a coordenação do uso intensivo desses recursos», explica-nos Ian Foster, um cientista sénior e director da divisão de Matemática e Ciências da Computação do Argonne National Laboratory, perto de Chicago, envolvido em diversos projectos de "grelhas" e um dos mais mediáticos actualmente nesta área emergente.

Capa do livro The Grid: Blueprint for a New Computing Infrastructure Ian é inclusive autor do livro mais desenvolvido sobre o tema, com mais de 700 páginas de lietura "dura", publicado em 1998 e intitulado The Grid: Blueprint for a New Computing Infrastructure (compra do livro). Ian é justamente um dos defensores do conceito de "organizações virtuais" que, pelo menos, no meio científico são já concretizáveis: «As tecnologias de 'grelha' tornam possível a colaboração científica para a partilha de recursos numa escala sem precedentes e entre grupos geograficamente distribuídos de uma forma dantes impossível».

Mas esta visão é extensível aos meios de negócios. Diz Ian Foster. «Podemos imaginar facilmente novas formas de trabalhar e de fazer negócios que sejam intensivas em comunicação - colocar recursos em conjunto para uso; fazer a informação chegar aos computadores, em vez de levar os computadores aos dados; conectar pessoas, capacidades computacionais e armazenagem de dados em ambientes colaborativos, sem necessidade de viajar».

A ideia vem dos anos 60 com o trabalho pioneiro de J.C.R. Licklider, mas só começou a ganhar expressão na comunidade científica em meados dos anos 90 com um ensaio durante uma semana de Novembro de 1995 de uma infra-estrutura de alta velocidade ligando 11 redes e 17 locais nos Estados Unidos e Canadá, então denominada "I -WAY" (Wide Area Visual Supercomputing) e dirigida por Thomas Defanti e Rick Stevens.

LICK (LICKLIDER), O VISIONÁRIO
Ele esperava em 1960 ver concretizados no terreno dentro de 10 a 15 anos os cenários de computação distribuída e partilhada com que sonhava. Mas só 40 anos depois se começam a dar os primeiros passos.
Lick era o diminutivo de J.C.R. Licklider (1915-1990), que se fosse vivo hoje para assistir ao impacto mediático da "computação em 'grelha'", teria 86 anos. A Revolução da Informação deve a este psicólogo de formação, que faleceu em 1990, as pistas de investigação e a "filosofia" que conduziriam aos saltos tecnológicos da última década na área da computação distribuída.
Ian Foster, um dos investigadores norte-americanos na ribalta desta área emergente, considerou o trabalho de Lick "absolutamente seminal". «Em muitos aspectos, começamos, agora, a ser capazes de perceber a visão dele de há 40 anos atrás», referiu-nos, para chamar à atenção do artigo científico escrito em Março de 1960 por Licklider.
Sugestivamente intitulado "Simbiose Homem-Computador" era baseado nas experiências de partilha de recursos de computação desenvolvidas por uma pequena equipa que ele liderou na Bolt, Berenek & Newman, uma empresa histórica da área de Boston. O trabalho de Lick teria, também, um impacto profundo num Laboratório então criado no MIT pelo jovem Michael Dertouzos (falecido em Setembro de 2001, com 64 anos).
No artigo referido, Licklider escrevia, com algum optimismo, que «é razoável prever, dentro de 10 a 15 anos, um 'centro de pensamento' que incorpore as funções actuais das bibliotecas com os avanços no campo da armazenagem e recuperação de dados e com as funções de simbiose entre homem e máquina». Esta visão implicaria «uma rede de centros daquele tipo, conectados uns aos outros por linhas de comunicação de alta velocidade e ligadas aos utilizadores individuais através de serviços alugados».
Também a um outro artigo publicado em Abril de 1968, em co-autoria com Robert Taylor da Digital, premonitoriamente intitulado "O computador como instrumento de comunicação", é atribuído papel relevante na "filosofia" da computação distribuída.

Ian Foster recomenda, por isso, que não se confunda esta tecnologia com a vaga de "napsterização" de partilha de ficheiros nem com os projectos muito populares de uso dos tempos mortos de computadores para a descoberta de inteligência extraterrestre (o SETI@home), a resolução de problemas matemáticos complexos, a investigação contra a SIDA (Fight AIDS @ home) ou o cancro (Compute-against-Cancer), e a simulação do clima (Casino 21:Climate Simulation).

Projectos em curso

O despertar este mês (Setembro 2001) dos media especializados para a "grelha" deu-se fruto da conjugação de três acontecimentos: o financiamento com 53 milhões de dólares (58 milhões de euros, cerca de 12 milhões de contos) pelo National Science Board norte-americano de um projecto denominado "TeraGrid", que deverá estar operacional em meados do próximo ano; o facto da IBM ter ganho, recentemente, dois concursos europeus para a implementação de projectos de "grelhas" no Reino Unido e na Holanda, tudo indicando querer posicionar-se como líder nesta tecnologia emergente; e o apoio da Comunidade Europeia ao "DataGrid" que irá permitir processar, em vários pontos europeus, a enorme massa de informação que vai ser gerada a partir de 2005 pelo novo acelerador de partículas do CERN em Genebra.

O projecto "TeraGrid", em que está envolvido Ian Foster, vai ligar dois centros no Illinois (um deles o Laboratório deste investigador e o outro, o National Center for Supercomputing Applications) e dois na Califórnia (o California Institute of Technology em Pasadena e o San Diego Supercomputer Center, em San Diego).

A "grelha" inglesa vai ligar um Centro Nacional de e-Ciência (NeSC) em Glasgow e Edimburgo com outros centros regionais em Oxford, Londres (Imperial College), Manchester, Cardiff, Southampton, Belfast (na Irlanda do Norte), Newcastle e Cambridge.

Na Holanda, a IBM vai estar envolvida numa "grelha" reunindo a Universidade Tecnológica de Delft, a Universidade Vrije de Amsterdão e as universidades de Amsterdão, Leiden e Utrecht.

Multinacionais como a Shell (nomeadamente em Rijswijk, na Holanda), Pfizer, Ericsson, Hitachi, BMW, Glaxo e Unilever estão a desenvolver "grelhas" internas.

Sinal dos tempos, as "grelhas" baseiam-se em soluções de fonte "aberta" (o designado movimento de "Open Source") como os protocolos disponíveis na comunidade Globus.org e o sistema Linux (em que a IBM apostou mil milhões de dólares para 2001).

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