A visão de um jornalista do Vale

«O governo deve desimpedir o caminho»

Geoffrey James Geoffrey James, com 45 anos, escreveu durante anos sobre o Silicon Valley para o «The New York Times» e na irreverente revista do Vale, a «Upside». Viveu na Califórnia durante 20 anos. Escreveu, em 1996, Business Wisdom of the Electronic Elite, inspirado no que viu e sentiu no Vale, e reescreveu o livro dois anos depois com o título mais sugestivo de The Sucess Secrets from Silicon Valley (compra do livro), o que lhe valeu traduções em línguas tão diferentes, como o alemão, o russo, o polaco, o mandarim, o cantonense e o coreano, tendo chegado aos 100 mil exemplares vendidos.


Depois de ler o seu livro, o que mais me surpreendeu foi o seu objectivo de 'estender' a cultura do Silicon Valley a outras empresas em outros lugares. Será que a cultura empresarial do Silicon Valley é única, ou é possível falar hoje em dia de uma nova cultura global que copia os valores deste vale californiano?

GEOFFREY JAMES - Silicon Valley é, sem dúvida, um sítio bem real. Mas como conceito vai para além desta região geográfica. Chega a Redmond, onde a Microsoft está, ou ao Texas, com os casos da Dell Computers e da Compaq. Ou a lugares mais longínquos, como a Taiwan, com o caso da Acer. É hoje um estilo de empreender, uma forma de pensar.

Mas será que a gente do Vale gostará de ter por companhia a Microsoft e de ver os seus créditos confundidos com o modo de fazer negócios do que eles chamam o 'Big Guy' de Seattle, que, aliás, ultimamente tem estado em cheque?

G.J. - Para as gentes do Vale, há um fosso entre o Silicon Valley e a Microsoft. Na perspectiva, limitada de 'dentro' do Vale, haveria grandes diferenças! Mas para o público em geral (para os meus e os seus leitores), é a mesma cultura, com a excepção de que a Microsoft joga o jogo ainda melhor do que muitos outros! Se quer fazer comparações que valham a pena - compare sim a cultura da Microsoft com a da General Motors. Aí há de facto grandes diferenças para comentar.

Um dos valores assumidos no Vale que choca os europeus é a meritocracia. Como é que ela é compatível com a imagem de igualitarismo que sentimos no Silicon Valley? Para uma mente europeia, meritocracia e igualitarismo não condiz. Como vivem os californianos este paradoxo?

G.J. - No nosso modo de pensar, as duas coisas vão a par e passo. Igualitarismo, para nós, significa que qualquer um tem a chance de ter sucesso ou falhar. A meritocracia é o que fica quando limpamos do terreno tudo o que é favoritismo, por razões de sangue, raça, classe, credo, sexo, canudo, política, ou outra característica acidental.

Uma das ideias europeias para 'clonar' o Silicon Valley é financiar, desde os anos 70, áreas de alta tecnologia com fundos governamentais. Isso pode ser assimilado ao 'espírito' do Vale?

G.J. - Em termos gerais, a cultura do Vale pensa que o governo é desnecessário na economia, na melhor das hipóteses, e um real obstáculo, na pior. O sentimento é de que a economia emergente cresce melhor se o governo sair fora do caminho. O mesmo em relação aos sindicatos. O que nós pensamos da visão europeia é que a intervenção dos governos é um verdadeiro pesadelo e que isso é responsável pelo pouco sucesso europeu na nova economia - exceptuando a Nokia (telemóveis) ou a SAP (software), que são as excepções que comprovam a regra.


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