Genzyme

O mágico das enzimas

É um dos casos de longevidade no sector. Henri Termeer, 58 anos, está há mais de vinte ao leme de uma das pioneiras da biotecnologia norte-americana. Este holandês de nascimento, com um travo francês no nome, pegou na Genzyme quando esta era um bebé de dois anos criado por oito cientistas especializados em enzimas tiradas das placentas.

«Portugal é considerado pela Genzyme como um local competitivo para testes clínicos»

Jorge Nascimento Rodrigues entrevista Henri Termeer, CEO e Presidente da Genzyme, Fevereiro de 2006

Entrevista integral em inglês em Gurusonline/Generation 21

É um dos casos de longevidade no sector. Henri Termeer, 58 anos, está há mais de vinte ao leme de uma das pioneiras da biotecnologia norte-americana. Este holandês de nascimento, com um travo francês no nome, pegou na Genzyme quando esta era um bebé de dois anos criado por oito cientistas especializados em enzimas tiradas das placentas.

Largou um bom lugar em Los Angeles e veio em 1983 para Boston convencido por um grupo de capitalistas de risco apostando tudo neste sector, então, virgem. Henri veio ganhar ½ do ordenado e trabalhar num pequeno escritório de 11 empregados com vista para uma rua de má fama na "downtown" bostoniana.

O porquê desta loucura aos trinta e poucos anos é explicado pela veia empreendedora: "Confesso que sempre desejei arrancar com uma empresa e construir algo de raiz", diz-nos, nesta vinda a Lisboa onde reuniu a nata da empresa à escala global no 3º Genzyme Global Management Meeting.

Biotecnologicamente incorrecto

O seu segredo foi o modelo de negócio. À revelia do que era "biotecnologicamente correcto", Henri decidiu-se pela excepção à regra: "Nas reuniões de sábado que fazíamos com os capitalistas de risco e os conselheiros científicos, desenhámos primordialmente uma empresa de produtos para o mercado, e não de investigação. E, em vez de focalizada numa área, apostámos na diversificação", sublinha o presidente da Genzyme. Estratégia a contra-corrente que viria a ser referenciada pela especialista californiana Cynthia Robbins-Roth na sua obra sobre a história da biotecnologia - From Alchemy to IPO.

Com alguns truques financeiros que convenceram o apetite dos investidores nos anos 1980 e 1990 - como a divisão em empresas cotadas na base de alguns segmentos ou projectos mais interessantes do portefólio, numa moda que, então, se apelidava de "tracking-stocks" -, Henri conseguiu catapultar a Genzyme para o 3º lugar em capitalização de mercado (18,4 mil milhões de dólares), ainda a alguma distância das líderes Amgen (88,9 mm) e Genentech (88,4mm). A estratégia financeira de cortar a salsicha de acordo com os interesses específicos dos investidores valeu inclusive à empresa entrar na galeria de "case studies" da Harvard Business School em Julho de 1993: Genzyme, a financing history por Timothy Luehrman e Andrew D. Regan.

Hoje é uma das "majors" do "cluster" biotecnológico do Massachusetts, cujo epicentro é Kendall Square, em Cambridge (Boston), segundo alguns analistas a primeira ou segunda aglomeração do sector nos Estados Unidos (depende da avaliação feita ao Silicon Valley). Depois de um mau bocado bolsista em 2002, quando as acções chegaram a valer menos de ¼ do preço actual, Henri espera terminar o ano de 2006 com 3,1 mil milhões de dólares de facturação, com 25 produtos no mercado.

Testes clínicos em Portugal

Um dos bons auspícios foi dado em Janeiro pela opinião positiva do Comité para os Produtos Médicos de uso Humano, da Agência Europeia de Medicamentos, a um medicamento que permitirá uma terapia de longo prazo com uma enzima de substituição para atacar a doença de Pompe, uma enfermidade rara que ataca particularmente bebés, em cujos testes clínicos estão envolvidas duas crianças portuguesas. Termeer espera, também, que a sorte o bafeje nas duas apostas de "killer applications" do seu "pipeline" actual: um medicamento não-antibiótico para tratar diarreias provocadas por infecções nos hospitais, em cujos ensaios clínicos Portugal participa com 4 centros de investigação; e um novo teste para a área das leucemias.

O nosso país é considerado pela Genzyme como "um local competitivo para testes clínicos", pelo que, além dos dois já referidos, estão em curso também outros na área renal, com os investigadores Aníbal Ferreira, do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e João Frazão, do Hospital de São João, no Porto.

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