Nova Economia entre dois «whiskies»
chega a Lisboa

A moda da primeira terça feira de cada mês à noite num bar ou numa discoteca chegou a Lisboa, depois de mais de 60 cidades já praticarem
no mundo o encontro informal entre ideias para a economia digital e capital faminto de aplicações nas chamadas empresas com alto potencial
de crescimento

Jorge Nascimento Rodrigues na antecipação do First Tuesday de 4 de Abril em Lisboa

Um evento apoiado pela Janela na Web e comentado no semanário português Expresso

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Comentário por Ruben Eiras

O «tornado» psicológico das oportunidades na economia digital chegou a Portugal. Lisboa, a par de Estugarda, na Alemanha, e de Chicago e Los Angeles, nos Estados Unidos, vão ser as cidades que na próxima terça feira - a primeira do mês de Abril - se vão estrear nos encontros baptizados de «First Tuesday».

A ideia de organizar no nosso país este tipo de evento partiu de Rui Costa Santos, presidente da Union des Banques Suisses (UBS) em Portugal e antigo presidente do Clube de ex-alunos de Stanford (a mais conhecida Universidade californiana localizada no Silicon Valley) no nosso país, depois de uma ida a um desses encontros em Madrid, onde foi levado por Marcelino Elosua, outro ex-Stanford, actual organizador dos encontros do First Tuesday na capital espanhola. Ao projecto português juntaram-se Rui Horta e Costa, João Líbano Monteiro e Diana Metello, que funciona como secretária-geral da organização e moderadora do forum «on-line» diário da iniciativa que corre por correio electrónico - que permite alguns momentos de hilaridade a par da «pesca» de várias iniciativas e projectos interessantes. O ponto de encontro destas terças feiras à noite é guardado no segredo dos deuses e o aviso só será feito com 24 horas de antecedência para o seu «email» se entretanto se tiver registado.

O primeiro encontro lisboeta vai ser patrocinado pela Oni, EDP e Warburg Dillon Read (pertencente à UBS), a que se associarão a Egon-Zehnder, a McKinsey & Company e o Diário Digital. Para aquecer o ambiente vão ser apresentados quatro casos a abrir a sessão de bebidas - o da Para Rede que já foi à Bolsa portuguesa, e três 'start ups' com projectos na Web, a Megamedia, mais conhecida, e duas outras com projectos originais - a Véu & Grinalda (www.veuegrinalda.com) virada para o apoio total ao acto de casar e a brasileira Busca Grátis (www.buscagratis.com.br). Estas três últimas foram seleccionadas de uma dezena de casos estudados como originais e que procuram financiamento.

No futuro poderão suceder-se encontros mais temáticos dirigidos a temas na berra como o «business to business», o «business to consumer», o WAP (Web sem fios) e os Serviços Financeiros.

O efeito viral A moda da «primeira terça feira» pegou e hoje envolve mais de 60 cidades nos cinco continentes, a maioria das quais na Europa, desde o Atlântico aos Urais. Na lista de registados da rede First Tuesday estão mais de 40 mil pessoas em todo o mundo, das Ilhas inglesas do Canal até à Austrália ou a América do Sul (de onde ainda está ausente o Brasil). O cenário é o de uma discoteca ou bar «casamenteiro» entre empreendedores com 'start ups' já no terreno (ou simplesmente gente com ideias de negócio) e financiadores potenciais que informalmente, em pé, ou à volta de uma mesa, entre duas bebidas, se conhecem e trocam impressões sobre um projecto que pode vir a ser...o próximo sucesso. Pelo meio andam os «aconselhadores» de proveniências diversas.

Para distinguir os protagonistas há umas pintas a cores para pôr na lapela - os «verdes» (cor da esperança, de facto) são empreendedores, os «vermelhos» os investidores (ironia da história do capitalismo, com a cor «revolucionária» estudam hipóteses de semear capital!) e os «amarelos» (não confundir com a maldita cor dos fura-greves, segundo os sindicalistas) podem ser consultores, advogados...ou mesmo jornalistas.

O que move os frequentadores destes encontros na primeira terça feira de cada mês são a atracção pelos novos negócios gerados pela Web que poderão significar o passaporte para uma carreira de empreendedor concretizando o «projecto da sua vida» ou simplesmente por gente ávida de ficar milionária com o «e» e o «.com», enquanto a febre durar. Do lado dos investidores individuais ou institucionais há o apetite por apostar em bons projectos na mira de um retorno aliciante. «Penso que o First Tuesday ajudou a popularizar a nova economia junto de uma audiência mais larga, ajudou a massificar as ideias da nova economia e o entusiasmo por empreendeer, e fê-lo de um modo informal, criando um sentido de comunidade. Um copo de cerveja ou de 'whiskie' ajuda eficazmente a espalhar o vírus», diz-nos William Stevens, da E-Unlimited, um organizador de outros eventos europeus virados para esta vaga, de que damos conta na Janela na Web aqui (Linkar artigo Chuva de pontos de encontro).

Tudo isto começou despretenciosamente com a promoção de um encontro de uma dúzia de amigos e convidados num bar do Soho londrino na primeira terça feira de Outubro de 1998. Na origem estiveram quatro jovens quadros e jornalistas (do Financial Times e do The Economist), influenciados pelo espírito do Silicon Valley, que ficaram surpreendidos com o efeito viral que se criou. Julie Meyer, um simpática californiana radicada em Londres, de pouco mais de 30 anos, é a cabeça de cartaz do grupo de fundadores e é considerada já um dos 50 nomes que estão a marcar a agenda da economia digital.

Do ingénuo encontro evolui-se para um novo modelo de negócio que é o da criação de espaços híbridos de encontro (físico e «on line») entre ideias e capital, virados para o fomento do movimento de «start ups» e sua valorização bolsista. Entretanto, a First Tuesday transformou-se em empresa, arranjou um CEO americano, e prepara a sua própria ida ao novo mercado de capitais.

Pretendendo rentabilizar a comunidade entretanto criada, o «site» na Web da First Tuesday já oferece alguns serviços e há em projecto a criação de um espaço de mercado entre empresas, eventualmente um sistema de leilão ou de venda de participações em empresas de alto crescimento.

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