O elo de confiança electrónico

Dun & Bradstreet lança no Silicon Alley de Nova Iorque a sua start up
para o negócio digital, baptizada de Eccelerate.com, e anuncia aliança estratégica com a VeriSign, do Silicon Valley, para a garantia da criação
de uma ambiente de confiança e segurança no espaço do mercado electrónico entre empresas. Pode estar envolvido um segmento de negócio
de 7 biliões de dólares

Jorge Nascimento Rodrigues com André Dehan, presidente da Dun & Bradstreet América
do Norte e líder da start up Eccelerate.com

 O site da Eccelerate.com | O site da VeriSign 

André Dehan Estar no meio das transações entre compradores e vendedores pode ser um negócio bilionário na Web, se se souber como lhes acrescentar valor, ou seja como ser útil a ambas as partes envolvidas no comércio electrónico. É um novo tipo de «info-broker» que nasce, sendo hoje um dos modelos de negócio da economia digital a que se vaticina sucesso no século XXI.

Percebendo esta oportunidade no relacionamento entre empresas (o que no calão se designa por «business to business», ou abreviadamente «b2b»), a mais do que centenária Dun & Bradstreet acaba de lançar em Nova Iorque, em pleno Silicon Alley (a área de Manhatam que se reclama da Terceira Vaga, cognominada à semelhança da região californiana), uma start up, baptizada de Eccelerate.com. A jovem empresa está dedicada ao negócio de dar total confiança aos potenciais parceiros que se encontram no mercado electrónico, permitindo-lhes concretizar uma transação com a garantia instantânea - dada pela análise confidencial da D&B - de que são credíveis ambas as partes. Para solidificar este serviço, a D&B realizou uma primeira aliança estratégica com a VeriSign, a líder da certificação digital, sedeada no Silicon Valley.

O negócio desta intermediação poderá rondar os 7 mil milhões de dólares (mais de 6 mil milhões de euros, cerca de 1,2 mil milhões de contos), adiantou André Dehan, o presidente da nova start-up, que acumula com a presidência da própria D&B América do Norte. O que está em jogo é criar um ambiente neutral e seguro onde as partes possam «dialogar», desenvolvendo as consultas necessárias e concretizando as transações, depois do recurso «on line» à poderosa base de dados da D&B - com informações confidenciais recolhidas e classificadas sobre mais de 57 milhões de empresas e grupos em 200 países -, facultada por um certificado digital baseado num número (o DUNS) atribuído há alguns anos pela D&B a muitos dos seus clientes.

Um projecto piloto num mercado electrónico concreto com uma grande empresa asiática - ainda no segredo dos deuses - será lançado dentro de duas a três semanas e estão em estudo alianças estratégicas, nesse campo, com entidades nos Estados Unidos e na Europa para arranque dos pilotos seguintes. Os primeiros candidatos para a certificação digital virão dos clientes D&B que possuem o DUNS. O software que permite pôr em funcionamento no cliente o mecanismo de «broker» é gratuito. Os custos para os seus utilizadores virão de uma «portagem» que terão de pagar - numa escala entre os 6 e os 75 dólares - por cada recurso à base de dados, bem como da aquisição do certificado digital, o que poderá custar entre os 20 e os 75 dólares. «Na Europa, poderá ser interessante explorar a via dos cartões inteligentes, em vez dos certificados digitais», adianta-nos André Dehan.

Para o responsável da Eccelerate.com, este serviço «é particularmente interessante para as pequenas e médias empresas e para os mercados nos pequenos países - por exemplo, Portugal -, pois permite um acesso ao mercado global com mais segurança e confiança em relação aos potenciais parceiros».

A reinvenção da D&B

Um traço singular desta história de criação de uma «start up» por uma empresa mais do que centenária como a D&B prende-se com o «porquê» desta «aventura» digital. «Já há uns dois anos atrás, que tínhamos chegado à conclusão da necessidade da reinvenção do próprio negócio da D&B», confessa-nos André Dehan, que entrou para a empresa em 1997, carregando uma áurea de perito nestas novas áreas, depois de uma passagem pelas «start-ups» Teradata e Sequent Computer Systems, ambas vendidas com êxito a tubarões.

«Sentimos a necessidade de redefinir o próprio conceito de negócio da D&B, para que a empresa pudesse voltar ao trilho de altas taxas de crescimento e alinhar com o sinal dos tempos. Descobrimos que o nosso mais importante activo é a nossa base de dados e que o nosso negócio não é passivamente o da informação de crédito, mas o de um fornecedor activo de conteúdos para a transação electrónica», afirma abertamente o nosso interlocutor, que com 50 anos de idade e 20 de vida nos Estados Unidos, traz consigo um percurso singular.

André nasceu em Marrocos de origem francesa, nunca se esqueceu do Sol do sul de Espanha (que agora veio reencontrar em Lisboa), viveu em Paris no Maio de 68, partiu para Israel onde se licenciou em ciências da computação e se tornou um especialista em bases de dados, até que emigrou para além-Atlântico. A sua cultura pessoal é um «mix» e a sua atitude é de grande mobilidade, o que lhe permite entender com facilidade a necessidade de «romper» a cultura tradicional enquistada naturalmente nas grandes empresas.

Foi a definição do «como» fazer esse «choque cultural» dentro da D&B, que levou os responsáveis da empresa a criarem uma nova empresa dirigida ao novo negócio. «Lançámos esta 'start up' que, por ora, é 100% propriedade da D&B. No futuro, podem abrir-se várias opções. Começámos com uma equipa de 12 pessoas, 50% de dentro da D&B e a outra metade com gente de fora. Era necessário criar um ambiente empreendedor e estar num meio inovador em ebulição, como é o de Silicon Alley», conclui André Dehan, que espera que a Eccelerate.com conduza ao reposicionamento estratégico da D&B no mercado do século XXI.

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