A festa está ainda por gozar

Uma lufada contra o pessimismo por Harry Dent

(1º da Série «O Regresso dos Optimistas» pelo Ardina na Web)

Entrevista em 2001 de Harry S. Dent por Jorge Nascimento Rodrigues
e traço de Paulo Buchinho

Não fique de boca aberta. A Nova Economia não está morta. Vai haver um segundo "boom" até 2009. Problemas a sério só depois. A Internet, a Web, o telemóvel e a banda larga entraram num percurso imparável - passarão de valores abaixo ou próximo dos 50% de penetração no mercado para a total massificação por volta de meados/final desta primeira década do século XXI. VOCÊ TEM 10 ANOS PARA JOGAR O SEU SUCESSO!

Site da H.S. Dent Foundation
Livros Recomendados de H.S.Dent
«The Roaring 2000's Wealth Builder» (compra do livro)
«The Roaring 2000 Investor» (compra do livro)
Special Report «The Buy Opportunity of a Lifetime» (2001)
Os Optimistas Anteriores
Peter Schwartz: «The Long Boom - A vision for the Coming Age
of Prosperity» (compra do livro)

Roger Cass: «The Five New Economies»

A crise actual é um mero interregno, ainda que doloroso. O melhor da festa está ainda por gozar. Um "boom" ainda maior espera-nos, pelo menos até quase ao final desta primeira década do século XXI. Depois, é que virá a sério o tempo de borrasca - grande depressão, conflitos civilizacionais mais sérios, emergência de guerras pelo hegemonismo entre superpotências. Por isso, não esmoreça o seu empreendedorismo e espirito investidor. Aliás, o momento actual é provavelmente óptimo para comprar "pechinchas" nos mercados de capitais. Tem 10 anos para jogar o seu sucesso. E acredite mais em Schumpeter do que em Keynes. O keynesianismo, manipulado pelos políticos, é pura cafeína!

Por mais desconcertantes que sejam estas conclusões, Harry S. Dent, presidente da H.S. Dent Foundation, é tido como um dos optimistas mais realistas dos Estados Unidos. Ele foi autor em 1998 de livros mobilizadores como The Roaring 2000s Wealth Builder e The Roaring 2000s Investor.

A tese básica do analista é que estamos a viver desde meados dos anos 90 um período similar aos anos 20 do século passado - aquando da massificação da nova tecnologia e nova economia de então: o automóvel. Ele recorda-nos que houve duas "bolhas" seguidas (uma entre 1919 e 1920, outra entre 1922 e 1929) intermeadas por um "crash" (75% de correcção entre 1920 e 1922) e a festa só terminou em finais de 1929 com a abertura de portas à Grande Depressão.

Por isso, tome nota do que Harry lhe tem para dizer nesta entrevista exclusiva para a Janelanaweb.com e para a revista portuguesa Ideias & Negócios.


No pico da Nova Economia assistiu-se à emergência da ideia de um "boom" longo, mais longo do que qualquer outro anterior na história do capitalismo. Peter Schwartz publicou «O Longo Boom», você fala de «O Próximo Grande Boom», e Roger Cass continua a insistir sobre uma 5ª Nova Economia que vai durar até 2020. O problema em todo este rosário de optimismo é que o NASDAQ teve o "crash", o Dow Jones continua em correcção e, finalmente, espalhou-se um clima psicológico recessivo (e, mais recentemente, inclusive estatístico). Isto não pôs fim a essa ideia do "boom" longo?

H.D. - Primeiro que tudo, a nossa análise baseia-se em projecções de longo prazo assentes em ciclos de inovação e despesa de 40 anos e noutros mais longos ainda, de 80 anos, ligados às gerações, que acarretam a emergência de novos produtos, estilos de vida e tecnologias. Concordo, em geral, com Schwartz sobre o conceito de "boom longo" - mas diferimos substancialmente no "timing" desse "boom" e nos períodos recessivos intermédios. A nossa metodologia permitiu - e permite - analisar com mais precisão a altura em que gerações, como a ligada ao chamado "baby boom" (a que pertencemos eu e você), inovará, ganhará dinheiro, gastará, poupará, investirá e até causará inflação.

Mas o "boom" da Nova Economia terminou ou não?

H.D. - No nosso relatório mais recente - «Uma Oportunidade Única na Vida para Comprar (no mercado financeiro)», publicado pela H.S.Dent Foundation - demonstramos que a recente correcção nos mercados de capitais - e sobretudo no NASDAQ - quase que "copia" aquela que se deu com as acções no automóvel e nas tecnologias entre 1920 e 1922, exactamente há 80 anos quando as novas tecnologias de então entraram na corrente. Mas esse primeiro "boom" desde o início de 1900 até 1919 e o primeiro "abalo" de 1920-22 foram seguidos por um grande segundo "boom", especialmente nas acções das novas tecnologias (de então) entre 1922 e 1929, com o maior crescimento do mercado de capitais da história até à data. Depois, sim, seguiu-se efectivamente uma séria recessão até 1933. Vemos uma evolução similar a acontecer outra vez, agora, com a Internet e a Web. Uma primeira "bolha" que rebentou em 2000, a seguir a um primeiro "boom" entre 1995 e 2000, e a possibilidade de um novo "boom" entre 2002 e 2008/9. Por isso, o "boom" destas novas tecnologias ainda não acabou e não me importo de apostar contra os que julgam que acabou!

Os críticos argumentam que o problema dessa visão optimista é que, ao fim e ao cabo, o "boom" nunca mais pára... Segundo Schwartz começou em 1982. Isso não renega o carácter cíclico?

H.D. - Revisitemos a história - depois do estoirar da "bolha" em 1920-22 (com 75% de "correcção"), houve um "boom" incrível até 1929, quando o automóvel e outras novas tecnologias continuaram a progredir a sua taxa de penetração no mercado de 50 para 90% de adopção. O primeiro "abalo" deu-se quando a penetração no mercado atingiu os 50%. Regressemos à actualidade: a Internet e os telemóveis atingiram o patamar dos 50% em 2001 - tal como os carros em 1921. Voltemos, agora, ao passado: como se sabe o "abalo" mais profundo na primeira metade do século XX só se deu nos anos 30, depois da geração de Henry Ford chegar ao seu ponto alto nos gastos e quando a adopção das novas tecnologias de então chegou ao pico e amadureceu. Ora, em relação ao ciclo actual, isso acontecerá provavelmente entre 2009 e 2023, quando poderá acontecer uma correcção muito profunda de 70% no Dow Jones e de 90% no NASDAQ.

Fazendo o paralelo com a Era do Automóvel, isso significa que a "webização" ainda está por dar os seus frutos, ao contrário do que alegam os "carrascos" da Nova Economia?

H.D. - Vejamos as projecções. A nossa investigação aponta para que a Internet atinja os 90% de penetração nos lares americanos em 2006/2007 e o telemóvel e a banda larga por volta de 2008. Os anos entre 2002 e 2009 estão plenos de oportunidades - é justamente o período em que todas estas tecnologias (Internet, telemóvel, banda larga) vão progredir de patamares inferiores ou próximos dos 50% para os 90% de penetração no mercado. Isso significará um impacto inimaginável na economia e na produtividade.

Isso quer dizer que a década mais crítica não é a actual. Crise a sério só daqui a 10-20 anos?

H.D. - Exacto. A melhor parte da festa está por se viver - só começou agora. E o pior também ainda não se sentiu. O período de mau agoiro ocorrerá entre 2009 e 2023, quando as tendências de despesa da geração do "baby boom" desacelerarem e quando as novas tecnologias amadurecerem. Uma vez mais, essa evolução decalca o ciclo de 80 anos que nos está a projectar para uma crise de grandes proporções por volta de 2020, não por ora.

O QUE DIZ DENT EM UM MINUTO
  • Um "crash" prolongado e sério só depois de 2010
  • Pode esperar-se uma crise mundial de grande envergadura por volta de 2020 com risco de guerra mundial
  • Keynes é pura cafeína - Schumpeter e Adam Smith é que foram os dois GRANDES economistas do capitalismo
  • China é a superpotência que se segue - mas ainda faltam 20 anos para o mostrar
  • A Península Ibérica e a Irlanda serão berços de inovação nas próximas décadas
  • Para alguns críticos desse "pessimismo adiado" por uns 20 anos, a Era do transístor e o ciclo de Kondratiev iniciado em meados dos anos 40 do século XX está a terminar empurrando-nos para uma profunda recessão e uma grande turbulência geo-política, mas a sua análise serve-nos de paliativo - isto é apenas um interregno. Ainda por cima temos a maior oportunidade desta geração para fazer umas boas aquisições no mercado de capitais. Kondratiev é para deitar para o lixo?

    H.D. - As vagas de Kondratiev têm mostrado ciclos de 54 a 56 anos, mas não nos parece que sejam os dominantes. Esses ciclos giram em torno de inovações básicas nos transportes e nas indústrias energéticas - como os canais e os barcos a vapor, os caminhos de ferro, os autocarros, os aviões, e agora a emergência das baterias de hidrogénio e a revolução dos jactinhos. Mas eu creio que o ciclo mais decisivo é de 80 anos, ou seja o geracional, em que um leque mais lato de produtos, de estilos de vida e de tecnologias emerge - como o computador pessoal, o Wal-Mart, os descontos e os cafés de esquina Starbucks - quando gerações menos conformistas emergem. Uma vez mais esta é a grande diferença entre a nossa análise e a de Kondratiev e Schwartz. Os nossos modelos têm tido mais capacidade de predizer e podem ser interligados com ciclos baseados na demografia, ciclos geracionais de inovação e despesa.

    Os seguidores de Kondratiev argumentam que o próximo longo "boom" dar-se-á em torno de um novo "cluster" de inovações, algumas delas já no terreno, como a genómica, a clonagem e a computação em "grelha". Será assim?

    H.D. - A geração a seguir à nossa, a dos seus filhos - a que chamam de "eco" da geração do "baby boom" - iniciou o seu ciclo de inovação no final dos anos 90 e está a projectar o comércio electrónico e outras inovações que estão a estender a Internet e o "boom" do PC. Mas será um erro crer que esta geração mais "incrementalista" - tal como a personalizada por Bob Hope nos anos 30 e 40 - conseguirá gerar uma nova gama de marcas e tecnologias. As inovações desta geração potenciarão o crescimento das empresas nascidas com a geração mais radical do "baby boom" do final dos anos 60 e 70. Creio que a revolução biotecnológica e genómica é parte do ciclo geracional de 80 anos e estenderá as tecnologias da informação do inorgânico para um nível mais genuinamente humano, orgânico.

    Mas a "Nova Economia" está morta ou está apenas em fusão para uma nova etapa?

    H.D. - Não, não está morta. Na verdade, a Nova Economia só atingirá o seu apogeu pelos anos 40 ou 50 deste século. A nova geração (os nossos netos) viverá um novo "boom" longo como aquele que ocorreu entre 1942 e 1968 ou tal como aconteceu entre 1902 e 1929. O próximo "boom" longo, entre 2023 e 2040, desenvolverá, ainda mais, estas tecnologias, estilos de vida e modelos de negócio até atingirem a saturação no mercado de massa, exactamente como aconteceu entre os anos 40 e 70 do século XX. A biotecnologia, tal como as baterias de hidrogénio, serão grandes motores deste "boom".

    Mas o que recomenda no actual período de psicologia recessiva? Quais são as oportunidades?

    H.D. - As oportunidades estão em novas tecnologias, produtos e serviços que ampliem os antigos, em inovar em novos produtos e depois vendê-los a empresas maiores que possam melhor incorporá-los e ganhar a guerra que se avizinha na próxima década. Hoje é mais difícil iniciar uma nova empresa ou marca que seja tão radical como as dos anos 60 e 70 do século passado - como o "crash" das dot-com justamente provou.

    Qual é o melhor "companheiro" para as políticas públicas no período actual - Keynes ou Schumpeter?

    H.D. - Schumpeter foi um economista de maior vulto pois ele compreendeu os ciclos de inovação e de crescimento, aquilo a que ele chamou de «destruição criativa». Keynes inovou no campo da política monetária no sentido de estimular a economia quando ela está em baixo. Mas eu acho isso uma inovação menor, e inclusive algo que não funciona assim tão bem. Em que medida os juros baixos impediram a Grande Depressão? Mesmo com juros à taxa 0 será que o Japão saiu do declínio desde o início dos anos 90? Os governos usam as políticas keynesianas para estimular no curto prazo, como uma chávena de café. Quando o estímulo da cafeína se vai, você não fica melhor. São as vagas de inovação, como as viu Schumpeter, que actuam no longo prazo. Schumpeter e Adam Smith são os dois economistas de maior vulto que já vimos na História.

    Do "Choque de Civilizações" à oportunidade portuguesa
    O leitor vai ficar surpreso - para Harry Dent os pequenos e médios países europeus atlânticos, Portugal. Espanha e Irlanda, são os potencialmente mais inovadores. O segredo: o terem a dinâmica demográfica mais forte, numa Europa francamente envelhecida.

    Será que estamos a entrar num período de "choque de civilizações", como preveniu há uns anos atrás Samuel Huntington?

    H.D. - Sim. Na História verificamos a ascensão de conflitos políticos e militares entre as potências emergentes e as mais maduras, bem como reacções por parte dos "perdedores". A América tem sido a potência dominante desde a IIª Guerra Mundial. Os perdedores estão a contra-atacar com ataques terroristas neste ponto do ciclo. O primeiro ataque terrorista moderno aconteceu em 1921 - curiosamente há 80 anos. Mas ainda não há nenhuma outra potência capaz de desafiar os Estados Unidos. A China terá esse estatuto em 2020. A meu ver, o próximo grande geo-conflito ou crise internacional poderá ocorrer por essa altura, entre a China e os EUA. Por isso, espero choques e tensões militares e civilizacionais nesta década, mas mais ainda entre 2009 e 2023. Penso efectivamente que poderá ocorrer uma IIIª Guerra Mundial, que poderá acontecer mais em termos de guerra biológica ou noutra forma de guerra.

    A Europa reagiu um pouco tardiamente à nova economia e agora também ao novo contexto. Qual é o problema da Europa?

    H.D. - A Europa Ocidental foi a civilização que amadureceu no princípio e em meados de 1900. As taxas de natalidade e os ciclos geracionais têm sido muito menos pronunciados e com um certo atraso em relação aos EUA desde a IIª Guerra Mundial. Os ciclos económicos e de inovação têm sido menos fortes - e continuarão a sê-lo. Os ciclos demográficos mais fortes nas próximas décadas serão em Espanha, Portugal e Irlanda - e será nestes países que a inovação será mais forte na Europa. A segunda "coroa" de tendências demográficas situar-se-á na Suíça, Áustria e Alemanha. A meu ver, a Europa nunca mais voltará a liderar o mundo e depois deste "boom" verá um declínio de longo prazo ainda mais severo.

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