A cunhada de Kevin Kelly ou como a Web
criou uma nova raça de investidores

Uma história contada em directo em casa do guru da Wired

Jorge Nascimento Rodrigues em Pacifica, na costa do Pacífico

O caso da cunhada de Kevin Kelly arrisca-se a ficar na história da febre financeira da Web. «A minha cunhada, que é chinesa de Taiwan e que mora exactamente aqui no andar de baixo, iniciou-se recentemente na compra de acções e fê-lo directamente através do 'site' da E*Trade. Ela nunca tinha investido um 'dime' em acções, e disse-me que o faz agora muito confortavelmente», comenta o célebre guru da revista Wired, que nos recebeu na sua vivenda nas encostas de Pacifica, uma espécie de Ericeira na costa do Pacífico, a poucas dezenas de quilómetros de São Francisco.

«A magia do '.com' ou do 'ezinho' - o 'e' que se coloca agora atrás de tudo - está a tocar toda a gente na América, e sobretudo aqueles cidadãos comuns que jamais haviam investido um dólar nas bolsas. Isto é uma verdadeira revolução. É o que eu chamo de nova cultura do accionariato», diz-nos Kelly. «Para mim está é a verdadeira 'grande coisa' que vai marcar o futuro próximo. Muito mais do que o comércio electrónico hoje em voga no nosso discurso diário», acentua o nosso interlocutor.

Pergunta-mos-lhe, então, se essa febre não está a gerar um 'bolha' especulativa financeira, de que alguns empreendedores e 'brokers' se estão a aproveitar, e que, mais tarde ou mais cedo, rebentará nos bolsos dos investidores bem intencionados. A resposta procura 'desdramatizar': «É claro que há muito exagero. Mas a questão essêncial é fazer um balanço equilibrado do que se está a passar. E, a meu ver, ele aponta para 1/3 de sobrevalorização. Mas 2/3 são reais. Este tipo de empresas deverá mesmo ter cotações elevadas. Correspondem a uma economia emergente, não fictícia. É a economia do futuro».

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