Mary Cronin volta a Lisboa
a convite da Dun & Bradstreet
E antecipa a sua próxima obra a Jorge Nascimento Rodrigues

Grande entrevista com Mary Cronin sobre «Unchained Value», livro no Prelo (EM BREVE)
A primeira entrevista de Mary Cronin publicada em Portugal em 1996

A especialista de Boston em estratégias empresariais na Internet e na Web volta a Lisboa, agora, pela mão da Dun & Bradstreet, para um Seminário sobre Serviços Financeiros na Net no próximo dia 23 de Junho (de 1999) no Centro Cultural de Belém, com o apoio da Nova Base e do Banco Comercial Português. Mary Cronin será acompanhada por Scott Guthery, um dos trunfos da Microsoft em tecnologia de cartões inteligentes, responsável pelo já anunciado «Windows Card».

Quatro linhas da Revolução Financeira

Em antecipação, Cronin adiantou-nos quatro linhas de força que estão a mudar o panorama financeiro. «Há, de facto, uma verdadeira revolução financeira provocada pelo aparecimento de novos 'brokers' na Web, como é o caso mais conhecido da E*Trade, ou pela transição com sucesso de bancos de investimento para esta nova plataforma, de que Charles Schwab é o exemplo norte-americano mais destacado», refere-nos a autora de Banking and Finance on the Internet (compra do livro), uma das suas obras, publicada em 1997, dirigida especificamente ao tema financeiro. E alerta: «É muito provável que estas entidades estendam largamente a sua oferta de serviços financeiros e não se fiquem pelos segmentos onde estão».

Esta emergência da Web como palco financeiro revelou «a enorme vantagem competitiva do 'on line', o seu baixo custo e a sua extraordinária e rápida popularidade, trazendo camadas que jamais tinham tido uma relação com este mercado», sublinha, ainda, a nossa interlocutora.

Contudo, como segunda linha de força, adianta Cronin, está-se a assistir a uma migração acelerada da banca comercial e de retalho tradicional para a Web, nalguns casos com total sucesso, de que ela destaca os casos do Wells Fargo, nos EUA, e o do Barclays, na Europa. O que a leva a duvidar do «êxito da criação de bancos de raíz no 'on line'».

Em terceiro lugar, esta especialista vê um movimento interessante de entrada nos serviços financeiros por parte de cadeias retalhistas de comércio, que usam a Web para este novo posicionamento. Cronin cita o caso da Tesco no Reino Unido. Crê, também, que os retalhistas nascidos na Web - como são o caso da Amazon ou da eBay - estenderão a sua actividade à área financeira.

A quarta linha de força tem a ver com a migração dos seguros, das hipotecas e do imobiliário para a Web, sectores que apresentam um típico problema de conflito de interesses com a sua rede tradicional de intermediários, o que tem paralisado estrategicamente o pleno aproveitamento desta nova plataforma.

Ela sente, também, uma maior preocupação na Europa com a questão da segurança nas transações financeiras na Web. Deixa um 'recado' aos pequenos e médios retalhistas na Web, para quem, para além das questões logísticas (que têm de funcionar na perfeição), é «crítica a necessidade de se apetrecharem com sistemas de autorização de crédito em tempo real, pois se os não tiverem sujeitam-se a uma enchente de fraudes no uso de cartões de crédito pelos utilizadores».

A desestruturação da velha cadeia de valor

Prosseguindo as suas investigações sobre o impacto da Web na actividade empresarial, Mary Cronin prepara mais uma obra para ser publicada no próximo ano pela Harvard Business School Press. Intitulado sugestivamente Unchained Value, o livro aborda a desestruturação que está a ocorrer na velha cadeia de valor.

«Para além de toda a euforia mediática em torno do comércio electrónico, há uma transformação, ainda mais profunda, das estratégias de negócio, que convém salientar», refere a autora no manuscrito a que tivemos acesso. Essa mudança é visível, prossegue Cronin, «na ligação dinâmica aos fornecedores, no trabalho colaborativo e nas formas de gestão internas, no lançamento de novos produtos no mercado, no serviço ao cliente através da Web e da Net, e num novo relacionamento em parceria com empresas nascidas nesta nova vaga».

Em suma, a cadeia de valor tradicional está a sofrer uma revolução total, com a migração de muitas funções essênciais para o processo 'on line', com a modularização dos diferentes segmentos da cadeia de valor e com a desestruturação geográfica e organizativa do tradicional processo sequêncial.

A argumentação desta obra será suportada pelo estudo de 20 empresas nascidas na Web e de 25 multinacionais inovadoras que souberam migrar com êxito para a nova plataforma.


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