Covilhã na gestão ibérica

Mesa Redonda organizada pelo semanário Expresso no Centro Cultural
de Idanha-a-Nova na sequência das Jornadas Luso-Espanholas de Gestão Científica na Universidade da Beira Interior na Covilhã em Abril de 2002

Jorge Nascimento Rodrigues

Universidades participantes:
Universidade da Beira Interior | Universidade Portucalense
Universidad de La Rioja | Universidad de Sevilla

Outros debates ibéricos promovidos pelo Ardina na Web

A histórica cidade de A Lã e a Neve (de Ferreira de Castro) reuniu na Universidade da Beira Interior (UBI) mais de 500 docentes e investigadores da área da gestão e economia provenientes de quase meia centena de universidades e instituições de ensino superior portuguesas, de 39 das diversas regiões espanholas e 18 brasileiras.

No quadro das XII Jornadas Luso-Espanholas de Gestão Científica, os participantes discutiram, ao longo de três dias intensivos, as quatro centenas de artigos científicos apresentados nas áreas da gestão estratégica (50 contribuições), do marketing (64, a líder em apresentações), da economia da empresa (22), das PME e empreendedorismo (20), da inovação e desenvolvimento (23), da internacionalização das empresas (19), da gestão de recursos humanos (38), da gestão da produção e da qualidade (26), das finanças (58), da contabilidade e fiscalidade (45), da matemática aplicada à gestão (14) e dos sistemas de informação (30).

A organização do evento na Covilhã esteve a cargo do Departamento de Gestão e Economia da UBI. Esta iniciativa de intercâmbio entre os dois países vizinhos iniciou-se em 1984 em Sevilha por iniciativa da Universidade desta cidade e da Universidade Livre do Porto (mais tarde designada por Universidade Portucalense) e tem vindo a realizar-se, intercaladamente, em Universidades espanholas e portuguesas.

Desequilíbrios em correcção

«Este ano notou-se mais presença portuguesa, corrigindo o desequilíbrio entre participantes dos dois países em anos anteriores, e é de saudar a vinda de universitários do Brasil», refere-nos Enrique Diez de Castro, catedrático de Marketing da Universidade de Sevilha.

Outro desequilíbrio que se está a resolver diz respeito, precisamente, ao marketing, uma disciplina que desde os anos 70 se tem consolidado em Espanha, e que em Portugal só mais recentemente se afirmou como autónoma na área da gestão. «Portugal tardou no campo do Marketing», refere o mesmo professor sevilhano, acentuando o enorme interesse que o tema despertou nestas XII Jornadas - tendo atraído o maior número de contribuições. «Depois do ISCTE em Lisboa, a UBI é a segunda escola do país com um curso de marketing, que vai arrancar este ano», sublinha, por seu lado, Mário Raposo, vice-reitor da Universidade da Covilhã.

Outro desequilíbrio com Espanha, referido na mesa redonda que o Expresso promoveu no moderno Centro Cultural em Idanha-a-Nova, no final das Jornadas, a convite da Câmara desta cidade, diz respeito ao número de doutorados nestas áreas. «Apesar de haver uns 150 cursos de gestão a nível universitário não há 150 doutorados em Portugal neste campo», lamenta Mário Raposo, no que é secundado por Rui Nunes, catedrático da Universidade Portucalense, que explica o défice «por uma certa tradição portuguesa que levou a que os doutoramentos implicassem maturidade, por influência da tradição coimbrã» e pela criação de «um certo tampão entre o licenciado e o doutorado, através do grau de mestre, que melhorou as qualificações do nosso corpo docente, mas retardou o nível de doutoramentos».

Temas em alta em Espanha: empresas familiares e ensino virtual

Um dos temas abordados nestas Jornadas respeitou às empresas familiares, uma área de investigação muito desenvolvida no país vizinho. «O tema das empresas familiares, desde há cinco ou seis anos, que ganhou imenso força, nomeadamente por efeito do lóbi do Instituto da Empresa Familiar em Espanha», referiu-nos Juan Carlos Ayala Calvo, director do Departamento de Economia e Empresa da Universidade de La Rioja em Logronho (por baixo do País Basco). Um dos problemas em estudo tem sido o da sucessão: «70% das empresas familiares em Espanha fracassam quando há a transição de geração, por falta de órgãos de governação nessas empresas», frisa aquele especialista.

Por outro lado, o "e-learning" universitário está em plena emergência. A Universidade de La Rioja é pioneira, no país vizinho, tendo criado um "campus virtual", em que já se ministram duas licenciaturas, através da Web, na área das ciências do trabalho (direito laboral e recursos humanos) e da história e ciências da música, e um MBA em Direcção e Gestão de Administrações Públicas. «Fomos a primeira universidade pública a lançar uma plataforma virtual em Espanha», conclui Leonor González Menorca, da Escola Universitária de Organização de Empresas daquela universidade.

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