A Convergência dos 6 «cês»

Parece ter ocorrido uma mudança psicológica no cibernauta. Assistimos ao fim do personagem sem sono e com todo o tempo do mundo, o navegador sem rumo que coleciona sem parar «bookmarks» dos sítios na Web preferidos.

A par desta inversão íntima, pessoal, o mercado agitou-se, e a vara voltou a entortar-se para a moda da origem - a da agregação generalista, oferecendo um leque muito vasto de interesses num só sítio, convidando-o a si a personalizar o seu próprio «browser» com o écranzinho de entrada do sítio «x». Antes da Web explodir, esse tipo de vitrina única era fornecido pelos antigos serviços «online» proprietários, do tipo da antiga AOL (American On Line), ou da Compuserve ou da rede da Microsoft (a MSN).

Surge, agora, com a Web já mais madura, todo o tipo de portais - ou seja de grandes portas de entrada bem ornamentadas que em várias barras e frames nos levam dos mais diversos conteúdos temáticos (organizados em «canais» ou «centros») aos serviços de acesso à Net, de correio electrónico gratuito, de conversa da treta e forum de discussão, de alojamento de páginas pessoais, até ao comércio electrónico consumista.

Como orientação transversal a todos eles estão seis «cês» - o contexto (navegação, procura, etc.), os conteúdos (das notícias às acções na Bolsa e ao tempo, do desporto ao entretenimento, etc.), o comércio (o célebre «shopping» com o «rato» ou as teclas), as comunicações (oferta de correio electrónico, por exemplo), a conectividade (acesso à Net), e as comunidades (que se formam para discutir não importa o quê ou em torno de interesses comuns).

Seja qual for o ponto de partida - uma empresa de telecomunicações, ou um fornecedor de serviços à Net, ou um grupo de media, ou um directório na Web, ou uma empresa de software, ou um vendedor especializado, ou um grupo de corajosos -, todos convergem para meter no seu «portal» todas as funcionalidades e serviços derivados desses 6 «cês». Não há como escapar.

Diferenciação é vital

A diferenciação é, por isso, vital. Alguns canais estão a transformar-se em autênticos portais e o portal (horizontal, como se diz na gíria) acaba por ser um chapéu de outros tantos portais (verticais) exaustivamente temáticos e direccionados a audiências específicas.

A grande questão reside em saber se a vara não voltará a guinar para outro lado, e se o utilizador da Web, a prazo, não se acantonará de vez nesses portais especializados, com grande procura em áreas como a financeira (por exemplo, veja em www.wallstreetview.com, um que se apresenta como o portal financeiro), o management, a saúde, o desporto, os hobbies mais diversos, os jogos, as profissões, os livros (Amazon.com é o caso mundial de referência), as viagens, os leilões, o imobiliário, o mercado automóvel e os apreciadores de charutos ou vinhos, por exemplo. Para fomentar o sentido 'independentista' desta gente especializada sugere-se um novo conceito estratégico, o de «hub», tal como nos aeroportos ou noutras plataformas logísticas.

Para outros, a «killer application» dos portais pode ser a oferta de acessos de grande velocidade ou de uso de telefone via Web ou de serviços logísticos impensáveis há algum tempo atrás. O Netcenter, o portal da Netscape, por exemplo, prepara, para breve, a colocação de um ícone que permitirá através do «browser» telefonar. O mesmo Netcenter vai criar uma facilidade logística em colaboração com a Federal Express.

Para outros ainda, o essêncial é desenvolver ao extremo um marketing de relacionamento com os utilizadores, e em particular com os fiéis do portal, uma abordagem um-a-um.

Os portais trouxeram, também, grandes dor de cabeça aos grupos de media, habituados a apostar apenas em extensões orgânicas na Web dos seus suportes tradicionais (imprensa, rádio ou TV). Para resolverem o problema da diversidade da rede que detém, e inclusive do peso de diversas marcas «estrelas», alguns grupos inventaram novas marcas-chapéu para a presença na Web, como o fez o grupo Time Warners com o Pathfinder, a Disney com a criação do Go Network Partners e o grupo Abril, no Brasil, com o Universo On Line.

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