A força do Silicon Valley
está em comercializar
novas ideias

Jorge Nascimento Rodrigues com Peter Cohan em Stanford

É um dos gurus actuais da economia digital. Ele vive no Massachusetts, na Costa atlântica, mas inspira-se na outra costa, em Silicon Valley, onde a DIGITAL o foi encontrar num fim de semana ao preparar uma conferência em Stanford. Depois do livro The Technology Leaders, ele ganhou enorme notoriedade. A sua abordagem do que faz a força do Silicon Valley irá provavelmente irritar os tecnólogos puros e duros.


O que é original em Silicon Valley, que não tenham também a ‘Costa Digital’ de Los Angeles ou o ‘Silicon Alley’ de Nova Iorque?

Peter Cohan - A diferença é que no Silicon Valley é a indústria de alta tecnologia que é a força dirigente desta economia regional. Para Los Angeles ou Nova Iorque, a força dirigente não é o ‘hi-tech’. Em LA é a indústria do entretenimento, e em Nova Iorque é a finança e os «media». Por isso, por mais marketing que tenham, a ‘Costa Digital’ e a ‘Alameda do Silício’ não deixam de ser indústrias de suporte aos sectores dominantes naquelas duas economias regionais.

Mas quais são os ingredientes concretos desse mecanismo que funciona no Vale?

P.C. - Há aqui uma variedade de componentes em rede que permitem o emergir de negócios no ‘hi-tech’ com sucesso. Nessa rede estão as universidades, como Stanford e Berkeley, as firmas de capital de risco, uma cultura que glorifica o espírito de lançar novas empresas de base tecnológica, e uma alta concentração de excutivos e engenheiros de muito talento. Estas componentes trabalham bem em conjunto e reforçam-se umas às outras. Creio que não há lugar outro do mundo onde se encontra isto a funcionar tão ‘naturalmente’, tão bem oleado.

Mas, qual é a força do Vale - é inventar coisas, é como lhe chama Paul Romer a ‘inovação heróica’ que estamos habituados a ver glorificada nas histórias da tecnologia?

P.C. - Não. Não me parece que haja muita dessa inovação em curso no Silicon Valley. O que há é comercialização de ideias que foram desenvolvidas nas universidades e até noutros lados fora da Califórnia. Se há uma inovação a sério aqui é uma inovação em gestão. Eu creio que as empresas líderes do Vale inventaram uma nova forma de gerir gente inteligente.

Outra das questões estratégicas que levanta - nomeadamente no seu próximo livro - é a de quem poderá dar cartas nesta nova vaga tecnológica em curso. Quem é que poderá ser a próxima Intel ou a próxima Microsoft?

P.C. - O livro será intitulado ‘Lucros na Net: Quem Faz dinheiro na Web e como o consegue’. É um livro para gestores e investidores. Para os gestores de negócios na Web, o que eu quero mostrar é que indústrias e estratégias mostrarão rentabilidade de longo prazo, o que se baseia em larga medida em Michael Porter. O que é novo no meu trabalho é mostrar que há características próprias nos segmentos de negócio na Web e nas estratégias a desenvolver. Por exemplo, o segmento ‘certo’ para se apostar é o que funcione como alavanca tecnológica ou nó central de uma dada cadeia de valor. Ou seja, o segredo estará em vender um produto ou serviço que lhe permita organizar os esforços de outros. Os melhores exemplos na indústria da Web são os «routers» (no campo da infraestrutura) - o caso da Cisco Systems -, a consultadoria em processos de negócio na Web e o fomento de novas iniciativas baseado no capital de risco.

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