As cidades - conceito do futuro

O marketing está cada vez mais no coração da projecção das cidades que se querem afirmar como 'globais', segundo o estudo de Salzman e Matathia, a que nos referimos no artigo principal.

Mas o marketing vive de conceitos que 'vendam' imagens de fácil popularização. As «cidades-conceito», por mais complicado que pareça este termo, estarão em alta no futuro próximo.

Os dois publicitários descobriram, nas suas viagens pelo mundo, algumas variantes desses 'conceitos' de cidade e iniciaram um catálogo, a título meramente exemplificativo.

À cabeça do pelotão, estão as «cidades digitais», como São Francisco, na costa norte-americana do Pacífico, e Amsterdão, na Europa, onde a cultura e a infraestrutura digital estão na vanguarda.

Segundo o estudo, elas seriam, ainda, modelos da cidade «global», uma mistura de cosmopolitanismo, multiculturalismo de raças e estilos de vida, e ao mesmo tempo de forte desenvolvimento de comunidades e redes locais.

Outro conceito geo-estratégico em alta é o de «ponte» para novas fronteiras de desenvolvimento capitalista. Um modelo desde há anos muito mediatizado em relação a Hong Kong e Macau - cidades publicitadas até à exaustão como «pontes» para a China -, está agora a ser utilizado por Berlim, na Alemanha, e Praga, na República Checa, que se estão a afirmar como «pontes» para a Europa de Leste e a Euroásia.

Estas «pontes» desenvolvem, também, uma certa mistura de culturas entre dois «mundos» que favorecem a sua afirmação como «cidades globais».

Os «portões de difusão» são outra modalidade de afirmação. Funcionam como «funis» por onde entram as tendências mundias, a modernização de hábitos e de organizações, que depois se difundem pelo país. Os casos de Xangai e de Guangdong (Cantão) na China, ou de Bombaím (Mumbai, na sua designação actual) e Bangalore, na Índia, são apontados como exemplos.

Têm-se afirmado, também, as «cidades-plataforma», em particular na Ásia, como Singapura ou Sydney, na Austrália. Num registo próximo, algumas cidades portuárias europeias têm procurado o mesmo posicionamento de placa giratória de pessoas e bens, como Roterdão, Hamburgo, Marselha e Génova, segundo este estudo.

Finalmente, emergem as cidades de «sabor especial», que exploram um novo tipo de exotismo (distinto dos trópicos), como Moscovo, ou São Petersburgo, na Rússia, ou Nápoles, na Itália do Sul.

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