Primeiro Cibernário mundial com "mão" portuguesa

Cientista português radicado na Alemanha dirige o primeiro espaço integrado de grandes dimensões centrado no entretenimento educacional baseado em realidade virtual que abrirá em Darmstad em finais de 2004

Jorge Nascimento Rodrigues virtualmente no Cybernarium em Darmstad, Alemanha, com José Luís Encarnação, responsável pelo projecto, Fevereiro de 2003

Visite o Sítio na Web do Projecto do Cibernário
(Cybernarium - Projectgesellschaft)

A primeira inauguração mundial de um "cibernário" - um espaço de entretenimento educacional baseado nas novas tecnologias da realidade virtual - irá decorrer em Setembro de 2004 na cidade de Darmstad, a sul de Frankfurt, na Alemanha. O espaço que envolve um investimento de quase 40 milhões de euros, tem na origem do conceito e como líder de projecto um português radicado naquele país há mais de 40 anos, José Luís Encarnação. Este professor de informática da Universidade Técnica de Darmstad é internacionalmente conhecido como pioneiro na área da computação gráfica tridimensional, matéria em que se doutorou na Alemanha em 1970, e mantém relações muito estreitas com os pólos portugueses em Coimbra e Guimarães da rede de computação gráfica internacional que criou.

«A ideia do Cibernário nasceu em 2000 e o conceito centra-se no potencial didáctico enorme que encerra a combinação entre a transferência de conhecimento e o entretenimento», diz-nos este investigador hoje com 61 anos, que dirige o Fraunhofer IGD - Instituto para a Computação Gráfica, que está a servir de "incubador" do projecto. A área do "ensino e da aprendizagem recreativa" é uma das tendências fortes da nova convergência dos negócios da educação e do entretenimento no século XXI. José Luís Encarnação relembra um provérbio chinês - «ouço e esqueço; vejo e recordo; faço e compreendo» - para justificar a importância na formação das pessoas da imagem e da experimentação, e do compreender fazendo com prazer.

A ideia do Cibernário nasceu em 2000 e o conceito centra-se no potencial didáctico enorme que encerra a combinação entre a transferência de conhecimento e o entretenimento

Este paradigma educacional hoje é facilitado pelas novas tecnologias da década de 90, surgidas após a emergência da Web e da Internet, que lidam com mundos virtuais, em particular com as áreas da "realidade virtual" (virtual reality, VR), da "realidade aumentada" (Augmented Reality, AR) e da "realidade misturada" (Mixed Reality, MR). O Centro português de Computação Gráfica, com pólos na Universidade de Coimbra e na do Minho, irá participar com criações virtuais nas áreas da medicina, formação e herança cultural.

O Cibernário terá como peça central um cinema interactivo tridimensional para 150 visitantes poderem interagir com mundos virtuais, a que se juntará um parque de "experiências" virtuais, um museu da computação gráfica, e salas para reuniões, seminários e formação, além dos espaços tradicionais de restauração e serviços. O capital necessário para a construção do complexo está a ser mobilizado ao longo deste ano. José Encarnação assegura que «as negociações em curso são promissoras».

A "utilidade" do Cibernário é tripla. A primeira área de aplicações tem a ver com a comunidade científica. Aquele complexo poderá servir de plataforma de demonstração de projectos de investigação, em particular como local de teste de novos métodos na relação homem-máquina e de avaliação da interacção de grupos (humanos) em ambientes virtuais. Por outro lado, poderá servir, também, de montra de demonstrações por parte de empresas. Finalmente, servirá de salão de demonstração de novidades científicas para o público.

O Cibernário faz parte de um mapa de rotas culturais apoiadas em tecnologia que se espalham pela Alemanha, entre elas o Spectrum, em Berlim, a Ars Electronica, em Linz, o Universum, em Bremen, o próprio Parque Temático da Expo de Hannover, o Dungeon em Hamburgo ou o Autostadt da Wolkswagen em Wolfsburg.

PERFIL
José Luís Encarnação tem 61 anos e vive na Alemanha desde os 18 anos, quando, como bolseiro da Gulbenkian, foi tirar em 1959 uma licenciatura em engenharia electrotécnica na Universidade Técnica de Berlim. Ficou pela Alemanha e viria a doutorar-se em 1970 em computação gráfica tridimensional. Do seu vasto currículo académico, deve sublinhar-se o seu papel na criação de entidades alemãs e internacionais que têm dado cartas na área da computação gráfica. Em 1980 fundou a Associação Europeia para a Computação Gráfica (Eurographics) e depois criou a rede internacional INI GraphicsNet, em que está envolvido o Centro de Computação Gráfica português. Em 1999 criaria uma "holding" dessa rede e uma Fundação que gere diversos "spin offs" empresariais na Alemanha e nos Estados Unidos. Actualmente é professor de informática da Universidade Técnica de Darmstad, líder do Grupo de Investigação em Sistemas Gráficos Interactivos e presidente do grupo Fraunhofer ICT que gere uma rede de 15 institutos na Alemanha. Desde 1987 é director do Instituto Fraunhofer para a Computação Gráfica. Foi-lhe atribuído o grau de doutoramento honorário pela Universidade Técnica de Lisboa em 1991 e pela Universidade do Minho no ano passado.

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