Biocon

A Rainha Mundial da Biotecnologia

Baptizaram Kiran Mazumdar-Shaw, a fundadora da Biocon, de "Primeira-Dama da Biotecnologia" por liderar na Ásia a empresa número no sector em termos de facturação e de capitalização de mercado, fundada em 1978 numa garagem nas traseiras de uma casa de subúrbio em Bangalore, na Índia.
A revista The Economist deu-lhe manchete chamando-a "Rainha
da Biotecnologia" e o The New York Times considerou-a "A mãe da inovação na Índia".

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de www.janelanaweb.com, Março de 2006

Entrevista de suporte à Learning Tour Adventus à Índia de Outubro de 2006

Sítios de referência:
Sítio da Biocon | Perfil da fundadora | Bangalore, o Silicon Valley da Índia

Em quase três décadas, Kiran Mazumdar-Shaw, 53 anos feitos em Março de 2006, passou de um filha da classe média de Bangalore, licenciada em zoologia e com um mestrado em cervejas obtido em Melbourne, na Austrália, a quem ninguém deu emprego com futuro aos 21 anos, para a mulher mais rica da Índia, e umas das 50 principais mulheres de negócios do mundo na lista de 2005 da revista Fortune.

Foi em Inglaterra, para onde emigrou temporariamente, que encontrou um escocês dono de uma empresa irlandesa, de nome Biocon Biochemicals, que estava interessado em lançar uma empresa na Índia, onde a biotecnologia nem era uma palavra conhecida nos anos 1970. Aos 25 anos, Kiran regressou a Bangalore, envolvida numa "joint-venture" que começou por exportar enzimas extraídas da papaia e de um peixe tropical para amaciar carne e aclarar a cerveja.

O salto da Biocon India para o estrelato foi possível pela decisão de Kiran de entrar na biofarmacêutica em 1996, uma área de interface entre a biotecnologia e a farmacêutica. «Foi um movimento estratégico crucial que nos empurrou para um campeonato diferente», explica-nos a líder da Biocon, a empresa número um do sector, que hoje representa 16% da facturação em biotecnologia na Índia, detém 100 patentes e tem uma equipa de 2000 quadros com uma média de idades de 28 anos e com 40% de doutorados e mestrados.

A empresa está sedeada na famosa Hosur Road (uma espécie de 101 do Silicon Valley, da Califórnia) que liga a Cidade Electrónica a Bangalore e encontra-se envolvida no projecto de parque biotecnológico que consolidará a posição da área metropolitana de Bangalore como principal "cluster" do sector no país.

«A nossa ambição é entrar no TOP 3 mundial da biotecnologia», diz Kiran, o que significa chegar perto da Amgen e da Genentech norte-americanas. Ou seja um salto do 16º lugar actual para o pódio.

Reconhecimento mundial

O segundo movimento estratégico foi passar a empresa cotada na Bolsa de Bombaim (BSE) em 2004, refere-nos Kiran. O IPO (acrónimo em inglês para a entrada em bolsa) atingiria no primeiro dia o marco de 1000 milhões de dólares, uma capitalização de mercado que a empresa ainda hoje mantém, apesar dos altos e baixos da bolsa. Esta operação de bolsa «ganhou o reconhecimento mundial para o sector da biotecnologia indiana», sublinha Kiran, considerada o principal porta-voz do sector indiano à escala mundial.

«A Índia quer ser o 'hub' para a Investigação & Desenvolvimento em biotecnologia na Ásia e também para investigação por contrato e produção»

A "primeira-dama" aponta para a quintuplicação das vendas deste sector indiano até 2010 e para o salto de 25 mil empregados para um milhão no final da década. «A Índia quer ser o 'hub' para a Investigação & Desenvolvimento em biotecnologia na Ásia e também para investigação por contrato e produção», aponta a empresária, que refere que os custos de produção de um medicamento na Índia, nas várias fases, rondam entre 50 a 60% dos custos nos Estados Unidos.

A Biocon concentra-se, agora, em lançar o primeiro medicamento com um impacto de vendas superior a 1000 milhões de dólares por ano (conhecido na gíria por "blockbuster drug") proveniente da Índia, nas áreas do tratamento do cancro ou da diabetes. «O que ainda poderá levar dois a quatro anos», conclui Kiran Mazumdar-Shaw, que vê na Europa hipóteses de aquisição «em empresas com produtos novos terapêuticos numa fase inicial ou intermédia de desenvolvimento».

Perfil da Empresa
  • Detém 100 patentes
  • 2000 empregados qualificados
  • A média de idades da equipa da empresa é de 28 anos
  • 40% detém doutoramentos ou mestrados
  • Sedeada na famosa Hosur Road, que liga Electronics City a Bangalore, Índia
  • É a primeira empresa de biotecnologia da Índia e da Ásia em facturação e capitalização bolsista
  • Facturação 2005: 134 milhões de euros (163 milhões de dólares)
  • 16% da facturação do cluster da biotecnologia na Índia (Facturação global da biotecnologia na Índia: Mil milhões de dólares de facturação em 2005, 42% para exportação)
  • Entrou em Bolsa (Bolsa de Bombaim - BSE) em Março de 2004
  • Capitalização de mercado de mil milhões de dólares
  • 16ª empresa de biotecnologia no mundo
  • Criada em 1978 com 2 pessoas numa garagem como Biocon Índia, participada pela Biocon
  • Biochemicals da Irlanda. Em 1998 tornou-se independente
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