Tecnológicas ainda estão 'caras' nas bolsas

Os "papéis" das empresas tecnológicas cotadas nas bolsas norte-americanas ainda apresentam PER (rácio entre os preços das acções e os ganhos
por acção gerados ou estimados) historicamente elevados. Alguns sectores, no entanto, poderão manter as suas valorizações historicamente elevadas
e ser boas apostas - como a biotecnologia, os semicondutores
e os equipamentos para redes, segundo a análise do Deutsche Bank Securities em Nova Iorque.

Jorge Nascimento Rodrigues

Gráfico do PER desde 1872 disponível no artigo publicado no semanário
português Expresso

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A valorização das empresas tecnológicas cotadas nas bolsas norte-americanas, de acordo com o rácio do P/E (price/earnings), já baixou mais de 1/3 desde o pico histórico de Janeiro de 2000, mas mantinha-se ainda elevada, acima de 29, em Setembro (2001). Isso significa que a média dos "papéis" abrangidos pelo índice S&P 500 para as tecnológicas ainda mostra um multiplicador muito elevado - ou seja, em média, o preço desses "papéis" é 29 vezes superior aos ganhos por acção gerados (ou estimados). Segundo os analistas do Deutsche Bank Securities, localizado em Nova Iorque, é provável que "haja uma convergência para um PER na casa dos 20", o que ainda seria um valor historicamente elevado, mas eventualmente sustentável.

A ideia de que o multiplicador, sobretudo no caso das tecnológicas, poderá continuar a apresentar valores historicamente "anómalos" baseia-se na análise da evolução a partir de meados dos anos 80. Em 20 anos, o multiplicador do S&P 500 das tecnológicas saltou de valores próximos de 10 para patamares acima dos 20 depois do arranque do "boom" da Nova Economia em 1995. O máximo histórico em quase 130 anos foi atingido em Janeiro de 2000, uns escassos meses antes do "crash" do Nasdaq, com um PER próximo dos 45 (ou seja, o preço de um "papel" tecnológico era quase 45 vezes superior aos ganhos por acção gerados). Mesmo depois deste "crash", o PER manteve-se em valores acima dos 30 ao longo de 2001 até Setembro.

Historicamente o PER nunca apresentou valores tão "exuberantes" como os de 1999 e 2000, nem mesmo nos picos anteriores de Junho de 1901 (25,2), na sequência da euforia do início de século, nem em Setembro de 1929 (antes do "crash"), no seguimento da "bolha" da nova economia de então ligada ao "boom" do automóvel, em que atingiu 32,56.

Como é visível historicamente, o PER sempre se "desvalorizou" inelutavelmente após os picos exuberantes, mas os analistas afirmam, agora, que alguns sectores tecnológicos poderão manter um multiplicador elevado, como serão os casos da biotecnologia, dos semicondutores, do equipamento para redes e das telecomunicações de longa distância.

Os equipamentos para redes estiveram ao longo de 2000 em valores do PER acima dos 100 e mantinham-se recentemente ainda na faixa dos 60. Os semicondutores têm continuado a estar em ascensão desde meados de 2000, estando hoje em valores do PER na faixa dos 50-70. As telecomunicações de longa distância mantêm-se próximas de um PER de 50 e a biotecnologia na proximidade dos 40.

As grandes "quebras" verificaram-se nos periféricos, que caíram de um PER de 80 para 30 num ano, e no software e serviços que viram o multiplicador baixar da faixa dos 50-60 para próximo dos 30 também em doze meses.

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