A viragem estratégica da "concha"

Dois movimentos estratégicos da Shell no sentido de energias emergentes (como o gás e as células de combustível) e da Web

12MOVE | Shell Geostar | Coran Connect | Optibuy

Numa semana em que a atenção do debate esteve centrada na carga fiscal sobre o gasóleo (para veículos), a Shell voltou a insistir na necessidade de discutir o futuro energético, e salientou as suas opções estratégicas em torno do gás natural e das células de combustível ligadas ao hidrogénio.

O líder do grupo foi cauteloso na questão dos impostos, comentando que «há sempre espaço para uma política inteligente de impostos compreendida pela população», pondo alguma água na fervura em particular na irritação de consumidores ingleses e franceses que partilham respectivamente mais de 70 e 60% de peso fiscal sobre o gasóleo (quando a média europeia é de 55%, sendo o peso em Portugal de 54%).

Os "verdes" em França viram-se, inclusive, obrigados a moderar o seu radicalismo e a admitir "medidas de transição", centradas na redução do IVA sobre os carburantes, numa semana (Setembro 2000) em que um deputado seu apresentou um relatório ao Governo destinado a definir uma Estratégia e Meios de Desenvolvimento da Eficácia Energética e das Fontes de Energia Renováveis, num país em que alguns círculos ainda pensam em aproveitar o petróleo caro para aumentar o peso do nuclear civil.

Do gás natural ...

«É indispensável ir para além do debate fiscal. Que energia no futuro é a questão central. Todas as iniciativas tomadas nesse sentido são oportunas», sublinhou Mark Moody-Stuart, referindo que, segundo os cenários para as fontes de energia em 2020, prevê-se uma quota de 30% para o gás natural e de 20% para as energias renováveis, no quadro dos países da OCDE. Por essas razões, a multinacional criou, nos últimos anos, empresas próprias para desenvolver alguns desses negócios, nomeadamente a Shell Renewables (em 1997) e a Shell Hydrogen (no ano passado).

Apesar da instabilidade de dois dos principais países fornecedores de gás natural à Europa (Rússia e Argélia), «a Shell acredita no gás natural - é o carburante do século XXI», referiu "Sir" Mark. Uma das apostas é, por isso, a sua "convergência" com a produção de electricidade, o que levou a multinacional da "concha" a fazer uma "joint-venture" com a Bechtel, designada InterGen.

O hidrogénio, por seu lado, apesar de estar ainda em gestação, vai criar «toda uma nova indústria», garante a Shell, que prevê que as células de combustível a hidrogénio sejam exploradas comercialmente dentro dos próximos cinco anos, a partir da conversão de gasolina ou de gás, «o que ficará mais barato do que a energia solar ou o nuclear». Dentro dessa linha, a Shell Hydrogen acaba de criar uma "joint-venture" com a International Fuel Cells, subsidiária da United Technologies, para desenvolver as células de combustível.

No entanto, um estudo recente da revista Time, na sua edição internacional (18 de Setembro de 2000 - ver em Arquivos/Archives Magazine, era, a este respeito, desmancha prazeres - em 2010, esta tecnologia continuaria a representar 0% do mercado. Mas o responsável da multinacional não desarma, citando as iniciativas em curso na Califórnia, na Islândia e na Noruega que poderão produzir protótipos ainda este ano. A própria Islândia já afirmou querer ser a "vitrina europeia" de uma "economia do hidrogénio", esperando-se, ainda este ano, em Reiquejavique um serviço de autocarros movidos a células de combustível.

... à World Wide Web

Outra das viragens estratégicas da Shell teve a Web como destino. O grupo criou a Shell Internet Works, que está envolvida em "mais de 100 experiências" no ciberespaço. Várias iniciativas dirigidas ao consumidor já estão em pleno, como o 12move - um ISP entre a companhia e a World Online, que já conta com 500 mil assinantes europeus -, a Shell Geostar, para apoio ao planeamento de viagens, ou a Coral Energy Holding, nos Estados Unidos.

No campo do designado "B2B", a Shell lançou, com outros parceiros, o Optibuy.com, na Austrália, para ajudar pequenas empresas, e tem em desenvolvimento um Intercontinental Exchange, com base na plataforma da Commerce One, que envolve mais 14 empresas, cujas compras envolvem um volume de 125 mil milhões de dólares.

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