Pequenos surpreendem

Portugal, Islândia e Chipre lideram dinâmica de inovação na Europa. Segundo o European Innovation Scoreboard 2004, um working paper do staff da Comissão da União Europeia. No entanto, Portugal tem obstáculos estruturais a vencer para subir de escalão.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Janelanaweb.com, Dezembro de 2004

PDF do European Innovation Scorecard

Portugal está entre os três pequenos países europeus que surpreenderam nos últimos anos pela dinâmica de melhoria dos seus indicadores de inovação, segundo o "European Innovation Scorecard 2004" (EIS), agora publicado pela Comissão Europeia. Ainda que, em posições distintas no "ranking" da inovação, o nosso país - que se enquadra numa segunda divisão com um indicador de 0,3 numa escala até 1 - emparceira na subida do nível do índice com a Islândia, que pertence à primeira divisão (indicador de 0,5), e com o Chipre, que alinha na terceira divisão (indicador perto de 0,2).

O estudo anual da Comissão Europeia sublinha, ainda, que Portugal e Chipre foram os dois países considerados líderes na dinâmica de "catching up" (de aproximação, de agarrar a primeira divisão). Esta conclusão contrasta com a "performance" mais fraca de outros países da segunda divisão, como a Espanha e alguns dos novos aderentes da U.E. mais inovadores - Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria e República Checa.

O estudo anual voltou a colocar no topo do índice os países nórdicos - Suécia, Finlândia e Dinamarca -, seguidos da Alemanha e da Suíça, com indicadores superiores a 0,5. O líder mundial é o Japão, com um máximo de pontuação nos 0,77.

Gestão marca pontos

Parte da boa "performance" portuguesa advém do comportamento do que o estudo designa por "inovação não-tecnológica", ou seja toda a que está relacionada com o Management - com a mudança de estruturas organizacionais e no uso das ferramentas e técnicas de gestão. Neste campo - provavelmente para surpresa de alguns leitores -, Portugal coloca-se no TOP 10 dos mais dinâmicos na mudança neste campo.

O país apresenta indicadores acima da média da União Europeia (a 25) e à frente do nosso vizinho espanhol em três áreas críticas: inovação não-tecnológica nas PME, a um nível próximo do da Estónia e da Eslovénia, e muito acima da Hungria; venda de novos produtos no mercado em percentagem da facturação; e gastos em todo o tipo de inovação em percentagem do volume de negócios.

Parte da boa "performance" portuguesa advém do comportamento do que o estudo designa por "inovação não-tecnológica", ou seja toda a que está relacionada com o Management - com a mudança de estruturas organizacionais e no uso das ferramentas e técnicas de gestão. Neste campo - provavelmente para surpresa de alguns leitores -, Portugal coloca-se no TOP 10 dos mais dinâmicos na mudança neste campo.

De assinalar, também, que o país revela um padrão de transição para um perfil de inovação empresarial próximo do da Bélgica, Áustria e Holanda. O EIS mostra que 35% das empresas portuguesas são inovadoras de alguma forma - ou a nível estratégico, ou intermitente, ou a nível de processos. O que contrasta, flagrantemente, com Espanha, que não ultrapassa os 15%. A dificuldade em dar o salto para a divisão de cima, advém do papel muito reduzido das empresas que desenvolvem inovação estratégica, que se acantonam num "gueto" de 5% do tecido empresarial.

Os obstáculos a uma subida de nível, apesar da dinâmica do Management português, prendem-se com problemas estruturais sobejamente conhecidos, e que neste EIS ficam particularmente a nu. Cinco critérios são suficientes para explicar o nosso "handicap" em relação a Espanha e a outros novos aderentes (ver quadro). A distância em relação à média da U.E. (a 25) e em relação a Espanha é abissal no número de patentes por milhão de habitantes. É, também, pronunciada em relação ao número de empregados em média e alta tecnologia, em número de engenheiros e licenciados em ciências em percentagem da população jovem entre os 20 e os 29 anos, e na percentagem de população entre os 25 e os 64 anos com ensino superior ou participando no ensino ao longo da vida.

Obstáculos ao "salto" de Portugal
 Engenheiros e licenciados em % da população jovem entre os 20 e os 29 anos 
 Média da U.E a 25: 11,5% 
 Portugal: 7,4% 
 Espanha: 12,2% 
 Eslovénia: 9,5% 
 Hungria: 4,8% 

População entre os 25 e os 64 anos com ensino superior
 Média da U.E. a 25: 21,2% 
 Portugal: 11% 
 Espanha: 25,2% 
 Eslovénia: 17,8% 
 Hungria: 15,4% 

População entre os 25 e 64 anos envolvida no ensino ao longo da vida
 Média da U.E. a 25: 9,0% 
 Portugal: 3,7% 
 Espanha: 5,8% 
 Eslovénia: 15,1% 
 Hungria: 6,0% 

Empregados em média e alta tecnologia em % da população activa
 Média da U.E. a 25: 6,6% 
 Portugal: 3,1% 
 Espanha: 5,2% 
 Eslovénia: 9,0% 
 Hungria: 8,3% 

Patentes por milhão de habitantes
 Média da U.E. a 25: 133,6 
 Portugal: 4,3 
 Espanha: 25,5 
 Eslovénia: 32,8 
 Hungria: 18,3 

 Fonte: European Innovation Scorecard 2004, Comissão Europeia

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