Onde Portugal pode "parasitar"
para crescer até 2020

Apenas 12 países garantirão um crescimento sustentado acima dos 3% em média por ano nos próximos 15 anos, segundo os cenários "Centros de Crescimento Global até 2020" gerados pela Deutsche Bank Research. Portugal não está mal de todo na fotografia, entrando, à tangente, no grupo "intermédio" da OCDE com uma taxa entre 2 e 3%. Mas poderá somar algumas décimas percentuais a mais se souber tirar melhor proveito das tendências em curso e das regiões de maior crescimento.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Abril 2005

ONDE PARASITAR
Estratégias em geometria variável
  • Estratégia de longa distância: As "locomotivas do crescimento" mundial nos emergentes da Ásia (entre 3,3 e 5,5% ao ano)
  • Estratégia de proximidade europeia: Espanha (2,8% ao ano) e França (2,3% ao ano)
  • Estratégia atlântica: América do Norte (EUA, acima de 3% ao ano; e Canadá, 2,4% ao ano) e Países-chave da América Latina de língua castelhana (México, Argentina e Chile, acima de 3% ao ano) e portuguesa (Brasil, 2,8% ao ano)
  • As locomotivas da economia mundial vão estar na Ásia, com a Índia, Malásia e China à cabeça, com um crescimento médio superior a 5% ao ano nos próximos 15 anos. O estudo "Centros de Crescimento Global 2020", agora divulgado, pelo Deutsche Bank Research (DBR) baseia-se no seu modelo de prospectiva "Formel-G" (Foresight Model for Evaluating Long-term Growth) aplicado a 35 países emergentes e da OCDE, e não nos traz surpresas. Mas as suas conclusões estatísticas são importantes para a estratégia de um pequeno país aberto como Portugal.

    Referência de leitura
    Global Growth Centres 2020 - Formel-G for 34 economies
    Deutsche Bank Research
    Pedidos na web em www.dbresearch.com

    Se tomarmos em conta o patamar dos 3% ao ano, os "centros de crescimento" no mundo até 2020 vão localizar-se em 7 países asiáticos, em três países da América Latina de língua castelhana (México, Chile e Argentina), na Irlanda - o único país europeu a atingir este patamar - e nos Estados Unidos. Na proximidade do patamar mínimo dos 3% de crescimento médio anual, ficam Brasil e Espanha. Este último país, nosso vizinho, é elogiosamente referido - o estudo do DBR salienta que "não haverá risco de crash" na próxima década e meia e sublinha a estratégia inteligente de Madrid no sentido de se afirmar como "ponte" entre toda a América Latina e a Europa.

    A geografia das oportunidades económicas fica, assim, desenhada com clareza pela equipa alemã de investigação, que, em contraste, refere as desilusões do crescimento, particularmente nos actuais ricos da Europa e no Japão. Alemanha, Itália, Países Nórdicos e Reino Unido vão crescer abaixo dos 2% ao ano em média; e o Japão não conseguirá descolar dos 1,3% em média.

    Novos motores na Europa

    Portugal não está mal na fotografia, entrando, à tangente, no grupo intermédio da OCDE com crescimentos entre os 2 e os 3% ao ano, onde se encontram como companheiros de viagem Espanha (que lidera), Canadá, França, Noruega e Áustria. A par da Irlanda (que continuará com uma média de "tigre" moderado), a Europa vai ser "aquecida" pela Espanha e a França, sendo este o novo núcleo duro do crescimento nos próximos 15 anos.

    O estudo revela que os países poderão aumentar a sua "performance" se souberem tirar melhor proveito da geografia dos centros de crescimento e das 21 novas tendências identificadas pela equipa alemã em áreas como a sociedade, a sociedade do conhecimento e a globalização (na sua dupla vertente, positiva e negativa).

    TENDÊNCIAS ATÉ 2020
  • Sociedade: urbanização; imigração; mulheres na população activa; envelhecimento; sector dos cuidados de saúde
  • Sociedade do Conhecimento: serviços intensivos em crescimento; virtualização das organizações e dos processos; biotecnologia como locomotiva do novo ciclo longo de Kondratieff; nanotecnologia como área de inovação
  • Globalização: Desregulação dos mercados; afirmação das empresas e grupos transnacionais de todas as dimensões; maior influência das instituições globais; intensificação das integrações regionais
  • Desglobalização: tensões sociais diversas; terrorismo internacional; escassez de recursos energéticos, com particular destaque para o petróleo
  • O efeito induzido pelas tendências no PIB português até 2020 é, apenas, de 0,5 pontos percentuais em média anual. Aparentemente, o nosso país tirará maior proveito das tendências do que Espanha e França, seus parceiros no grupo intermédio, mas precisaria de aprender a rentabilizar as tendências como o farão Brasil, Noruega e Irlanda. Dois problemas estruturais portugueses poderão continuar a pesar - a inversão na acumulação de capital real até 2020 (a maior quebra prevista nos rácios de investimento em relação ao PIB do grupo de 35 países estudados) e o baixo ponto de partida em matéria de capital humano (particularmente, o número de anos médio de ensino da população activa entre os 25 e os 64 anos).

    AS DESILUSÕES ATÉ 2020
  • Países Nórdicos (entre 1,3 e 1,8% ao ano)
  • Alemanha e Itália (entre 1,3 e 1,6% ao ano)
  • Reino Unido (abaixo dos 2% ao ano)

  •  MERCADOS MAIS DINÂMICOS ATÉ 2020 
    Emergentes
    (Taxas de crescimento anual acima de 3%)
     Índia 5,5% 
     Malásia 5,4% 
     China 5,2% 
     Tailândia 4,5% 
     Turquia 4,1% 
     Indonésia 3,5% 
     Coreia do Sul 3,3% 
     México 3,2% 
     Chile 3,1% 
     Argentina 3% 
    OCDE
    (Taxas de crescimento anual acima de 2%)
     Irlanda 3,8% 
     Estados Unidos 3,1% 
     Espanha 2,8% 
     Canadá 2,4% 
     França 2,3% 
     Noruega 2,1% 
     Áustria 2,1% 
     Portugal 2% 
     Fonte: Global Growth Centres 2020,
    Deutsche Ban Research, 2005

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