Observatório da Economia Mundial

Nº4 - Verão (quente) de 2006

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Editor: Jorge Nascimento Rodrigues
© Adventus Group, Setembro 2006

Sumário:
1. Quanto poderá "custar" a invasão do Irão no preço do crude, nas contas do especialista Terence Ward
2. Ainda faltam 20 dólares - uma conversa com o especialista de "intelligence" Jeff Vail
3. Água potável à beira de um ataque de stress - ou de como nasce o conceito de "água virtual" (prepare-se para ele pois vai ser uma condicionante económica no futuro). A propósito da Semana Mundial da Água

1. Invasão do Irão custará 150 dólares o barril

Outubro (2006) é o mês de todos os riscos face às eleições para o Congresso e Senado norte-americanos a 7 de Novembro, segundo Terence Ward (LINKAR mailto:terenceward@gmail.com), um perito euro-norte-americano, especialista no Irão, que já fez as contas económicas e políticas se se abrir a Caixa de Pandora no Médio Oriente

CONCLUSÃO DO ESTUDO DE TERENCE: O preço do barril do petróleo, poderá em seis meses, duplicar o valor actual, se a Administração Bush ceder à tentação de uma intervenção militar contra alvos estratégicos no Irão, à beira das eleições para o Congresso e Senado norte-americanos (a 7 de Novembro), e em resposta ao esticar da corda por parte das autoridades de Teerão.

O DIA SEGUINTE
1,5 x o preço (real) do 2º choque petrolífero (1980-1983)
2x o preço nominal médio em Julho de 2006

O choque no petróleo não derivará, apenas, do tão apregoado "carpet bombing" norte-americano de 1000 operações sobre 450 alvos em duas semanas. "Mas, também, em todos os movimentos retaliatórios na região. O Irão poderá cortar nas suas exportações de crude e de gás, tentar bloquear o Estreito de Ormuz e atacar alvos energéticos próximos na própria Arábia Saudita e no Qatar. Toda a segurança no Golfo Pérsico estará em questão. Os preços rapidamente poderão ir subindo até chegar aos 150 dólares por barril", afirma Terence Ward, 51 anos, um especialista meio-irlandês e meio-americano, que vive em Florença, na Itália.

Será um máximo histórico jamais atingido, mesmo em termos de valores reais na época do segundo choque petrolífero nos anos de 1980 a 1983 (a conversão dos 30-34 dólares por barril do pico de então para preços actuais rondaria os 90 a 100 dólares). "Esta espiral mudará, em definitivo, a forma de pensarmos a economia do petróleo", adverte este analista que viveu uma parte da juventude no Irão do Xá até 1969.

Ficha (rápida) do Irão
População: 68, 5 milhões
Abaixo do limiar de Pobreza: 2% da população vive com 400 dólares por ano, ou seja 5% do PIB per capita do país (medido em paridade de poder de compra)
Juventude: 75% da população
Urbanização: 60% da população
Religião oficial: xiismo (ramo minoritário da religião muçulmana) que agrupa 90% da população
Orações de sexta-feira: apenas 1,4% vai regularmente
Petróleo: 4º produtor mundial (depois da Arábia Saudita, Rússia e EUA); 2º produtor da OPEP (depois da Arábia Saudita); 3º país em reservas (depois da Arábia Saudita e Canadá)
Gás: 2º país em reservas mundiais com 16% (depois da Rússia, que detém 27,5%, e à frente do vizinho Qatar que possui 15%)
Regime político: República teocrática islâmica depois da queda do Monarquia do Xá em 1979
Objectivos estratégicos: "Mare Nostrum" no Golfo Pérsico; 1ª potência regional (à frente da Arábia Saudita); afirmação do xiismo minoritário no mundo muçulmano (que é em 85% sunita)

A mistura de ter nascido nos EUA e vivido no Irão por algum tempo, ser também de nacionalidade irlandesa (pelo lado do pai) e portador de um muito útil passaporte europeu, e finalmente ser casado com uma italiana, fez de Terence um observador singular. E junta, ainda, um lado "emocional" com Portugal: serviu na Missão das Nações Unidas em Timor-Leste aquando do referendo de 1999.

Caixa de Pandora

Ward baptizou o cenário guerreiro de "Plano A" alimentado por alguns meios da Administração norte-americana, onde se tornaram moda as "buzzwords" de "guerra pre-entiva" e "mudança de regime" subsequente (estreadas no Iraque), a que se juntou agora a admissão do uso de armas nucleares tácticas (como a famosa B61-11-Earth Penetrating nuclear weapon, ou seja, com capacidade de perfuração).

O especialista adverte, no entanto, que a intervenção norte-americana poderá abrir uma Caixa de Pandora: "Os americanos metem tudo no mesmo caldeirão do islamismo militante e sob a etiqueta de terrorismo, misturam conflitos, ambições regionais e contextos distintos, que deveriam ser analisados separadamente".

Geografia dos pontos estratégicos no Irão
Região costeira petrolífera in shore e off shore no Golfo Pérsico:
- Yavadaran, o futuro maior campo petrolífero iraniano (investimentos: 50% China, 20% Índia), que deverá estar operacional em 2009
- Actual maior campo petrolífero: Ahwaz
Fonte: www.lib.utexas.edu/maps/middle_east_and_asia/iran_country_profile_2004.jpg
Região de jazidas e exploração do gás natural:
- North Dame e South Pars
Fontes: www.gravmag.com e www.eia.doe.gov/oiaf/ieo/nat_gas.html
Ponto estratégico de controlo:
Estreito de Ormuz
Alvos nucleares:
a Wikipedia refere 15 locais, em que os mais importantes são:
- Natanz, central de centrifugação, reaberta em 2006
- Isfahan, conversão de urânio
- Bushehr, reactores nucleares
- Arak, reactor de água pesada, operacional desde Julho de 2006, mas só completa em 2009
Fontes: http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/4617398.stm e http://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_program_of_Iran

Por isso, uma das consequências poderá ser um IIº Acto na peça de teatro bélica com "o estoirar de uma grave crise regional, com uma guerra entre irmãos, entre xiitas e sunitas, engalfinhados na luta pela hegemonia". Poderão passar à via das armas as ambições geo-estratégicas regionais que se confrontam nomeadamente entre a Arábia Saudita e o Irão. No mesmo capítulo, estarão os alinhamentos "externos" que uma tal crise poderá arrastar, com o Paquistão do lado dos sauditas e a Índia e a China do lado do Irão xiita, com quem celebraram acordos estratégicos em torno do petróleo e do gás. Prognostica Ward: "A própria aliança táctica entre americanos e xiitas iraquianos poderá ir pelo cano abaixo e 500 mil milhões de dólares terão sido gastos em vão em três anos no Iraque".

Por tudo isto, Ward colaborou na elaboração de um Plano "B" apresentado pela Comissão Trilateral em Abril de 2006 (na sequência do encontro anual deste think tank em Tóquio), onde se sugere a criação de um Conselho Nuclear Regional para o Médio Oriente que possa acomodar e (di)gerir os vários interesses em confronto.

Ward tem consciência de que o Irão pretende aproveitar uma janela de oportunidade histórica até 2015. Janela que corresponde a uma conjugação entre a emergência da China e da Índia como grandes potências no cenário mundial e o tempo para conseguir passar de dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio (a Mossad israelita fala de 2 anos mais até o conseguir) para o fabrico de armas nucleares.

Livro: Searching for HassanFruto da sua adolescência em Teerão, Terence Ward escreveu um livro intitulado Searching for Hassan (editado em 2002) - sobre o seu regresso ao Irão em 1998 para reencontrar Hassan Ghasemi, o antigo cozinheiro dos pais -, que vai, agora, ser passado ao celulóide pela produtora Merchant Ivory Production (produtora de: "Room with A View" - premiado com um Oscar, "Howard's End", "Remains of the Day"). As filmagens poderão decorrer no próximo ano no Irão, na base de um "screenplay" que está a ser escrito em Teerão.

2. Ainda faltam 20 dólares

Apesar dos quatro dias úteis acima dos 75 dólares - entre 12 e 18 de Julho de 2006 -, o preço do barril "Brent" de petróleo no mercado "spot" ainda está a mais de 20 dólares de distância dos 99 dólares (a preços constantes de 2006) do pico histórico atingido em Abril de 1980, aquando do segundo choque petrolífero motivado pelos acontecimentos do Irão. Uma conversa com o especialista Jeff Vail em Julho de 2006.

Blogue de Jeff Vail

A "doutrina" de que a dinâmica de especulação dos "traders", alimentada por acontecimentos políticos pontuais, chegará para empurrar o preço para o recorde histórico dos 100 dólares por barril, está muito divulgada entre os analistas e os media, mas não tem consistência, adverte Jeff Vail, o mais jovem especialista norte-americano em "intelligence". "A médio e longo prazo, o ´prémio do terror' - o extra gerado pela especulação em função dos acontecimentos geopolíticos - não tem, de per si, um impacto duradouro. Funciona como um lubrificante mas não como carburante da alta", diz Vail, que, com 28 anos, já foi responsável por "intelligence" nas operações norte-americanas no Afeganistão e Iraque em 2002 e 2003, o que o levou a escrever A Theory of Power (editado em finais de 2004), literalmente "um filho do deserto", ironiza.

Livro: A Theory of PowerVail critica, em particular, a tendência para "transpor" para os mercados de "commodities" (como o petróleo) a teoria da "exuberância irracional", que é usada para explicar os períodos de "bolha" nos mercados de acções. Apesar da politização do ouro negro e da psicologia do medo, há uma "lei de ferro" que funciona nesta "commodity": "A procura de crude tem uma baixa elasticidade de curto prazo e a oferta tem uma muito baixa elasticidade", sustenta o especialista. Dito de um modo simplificado, é difícil contrair a procura de um momento para o outro mesmo em função da alta de preços e não é nada fácil aumentar a oferta em função das necessidades da procura e do atractivo do preço alto.

O "carburante" da actual dinâmica da alta de preços é um problema de fundo do lado da oferta de crude - esta não acompanha o disparo actual da procura, por efeito do crescimento do consumo energético por parte dos emergentes, e está cada vez mais próxima do seu pico de produção mundial ou já o ultrapassou, argumenta Vail. "A alta sustentada dos preços é o mecanismo de mercado que pretende responder a esse desequilíbrio estrutural", visível, desde 2003, no progressivo galgar de patamares de preço (desde os 30 dólares por barril em Janeiro de 2003 até aos 70 em Abril deste ano). Como corrobora o analista Adam Hamilton, "os 'espigões' geopolíticos só têm impacto duradouro no preço se há verdadeiras razões de fundo no mercado petrolífero por detrás deles".

Distinguir o trigo do joio

"A geopolítica funciona como lubrificante do processo", conclui Vail. Mas, mesmo nesse terreno, há geopolítica e geopolítica. É importante distinguir a especulação motivada pela turbulência geopolítica em geral - como os conflitos actuais envolvendo Israel ou a crise dos mísseis da Coreia do Norte - e os factos e movimentações geopolíticas que possam ter "um impacto directo na oferta do petróleo (como os constantes atentados na Nigéria) ou que a ameaçam". Neste último caso, refere Veil, devem classificar-se o risco do Irão encerrar o estratégico Estreito de Ormuz (que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã), o desenvolvimento do novo cartel em torno da Organização de Cooperação de Xangai (que tem entre os seus seis fundadores, a China, a Rússia e o Cazaquistão, e como observadores países como a Índia e o Irão), as manobras da Rússia no Cáucaso e da Venezuela na América Latina, e a nova estratégia energética do Brasil.

"Do ponto de vista da 'intelligence' geopolítica, a questão essencial é estar atento à possibilidade de 'sobreposição' entre estes diversos factores em movimento que influenciam dramaticamente o mercado do petróleo e do gás", sublinha Jeff Vail. Estes movimentos geo-estratégicos têm hoje mais carga geopolítica do que o cartel da OPEP tinha nos anos 1970 e 1980 ou quando decidiu alterar a gestão da torneira da oferta em Julho de 1999.

FACTOS & NÚMEROS
Saltos de Patamar no preço do barril
(Brent, spot FOB, valores nominais em dólares, médias)
- Ponto de viragem: 1999 (17,90 dólares contra 12,76 em 1998; mudança de estratégia da OPEP)
- Patamar dos 30 dólares: Janeiro de 2003 (preparação da invasão do Iraque)
- Patamar dos 40 dólares: Agosto de 2004 (Delta do Níger)
- Patamar dos 50 dólares: Março de 2005
- Patamar dos 60 dólares: Agosto de 2005 (furacão Katrina)
- Patamar dos 70 dólares: Abril 2006 (início da crise "nuclear" do Irão)
Médias mensais em 2006
(Brent, spot FOB, valores nominais em dólares)
- Janeiro: 62,98
- Fevereiro: 60,21
- Março: 62,06
- Abril: 70,26
- Maio: 69,78
- Junho: 68,56
- 1º Semestre: 65,64
Picos 2006
- Pico do 1º semestre: 2 de Maio - 74,45
- Novo pico histórico: 14 de Julho - 76,13
Factos geopolíticos relevantes - Dezembro 2005 - Janeiro 2006: Ataques no Delta do Níger
- Meados de Fevereiro 2006: Bombas no Iraque e na Arábia Saudita
- 4 de Abril a 24 de Abril: Crise "nuclear" do Irão
- 26 de Junho a 30 Junho: Crise de Gaza
- 4 julho a 7 de julho: Crise dos Mísseis da Coreia do Norte
- 11 de Julho: Bombas em Mumbai (Índia)
- 12 de Julho a 20 de Julho: crise do Líbano

3. Água potável à beira de um ataque de stresse

«Não é necessário estar no sector da água, para sofrer uma crise deste recurso; a complexidade dos problemas ligados à água vai fazer subir os custos das actividades económicas nas próximas décadas».
(Mensagem do World Business Council for Sustainable Development na World Water Week, realizada entre 20 e 26 de Agosto em Estocolmo)

Sítios de referência
Semana da Água | WBCSD | IWMI | Relatório do WBCSD

CONCLUSÃO: Prepare-se para a própria avaliação futura de um indicador "estranho" à maioria dos decisores empresariais - a "água virtual" incorporada nos bens que se transaccionam.

A notícia de choque está dada: daqui a menos de 20 anos, a disponibilidade mundial de água per capita será menos de metade do que era nos anos 60 do século passado e terá diminuído 25% em relação a 1990. Em 2025, a situação poderá ser particularmente grave no Magrebe e Médio Oriente, na Ásia e em África. Potências emergentes populosas verão a sua situação agravar-se: a Índia terá passado de alerta amarelo para alerta vermelho (mais de 40% de água doce necessária não estará disponível a partir da natureza) e a China de uma situação hoje satisfatória poderá evoluir para alerta amarelo (entre 40 a 20% de défice). Quase toda a Europa entrará em alerta amarelo em 2025 (Espanha, Alemanha e Itália são já hoje países neste nível de alerta), com excepção de Portugal, Polónia e de grande parte dos Balcãs, e os EUA passarão, também, a alerta amarelo.

O que significa que este recurso natural vai entrar em breve num período de stresse. Em virtude da consciência do seu peso estratégico, o papel da eficiência na gestão global dos recursos de água, o risco de conflitos em torno de direitos de âmbito transfronteiriço ou regional, e o papel "responsável" das multinacionais no uso desta "commodity" tornaram-se temas quentes na World Water Week, que reuniu em Agosto de 2006, em Estocolmo, entidades provenientes de 140 países.

Agricultura, o mau da fita

O lema principal entre os especialistas que lidam com o problema da água potável é, por isso, simples e directo: ao contrário das diversas fontes de energia, não há fonte alternativa à água. Trata-se de um recurso estratégico "comprimido" hoje por duas tenazes: a mudança climática óbvia com impacto na desertificação e o disparo da procura deste bem essencial para os usos agrícolas, doméstico (por efeito da megaurbanização e da massificação de estilos de vida que desperdiçam água), industrial e geração de energia.

No entanto, é a irrigação que come a fatia de leão deste problema: 74% da água é aplicada na agricultura e no cultivo dos biocombustíveis, onde a eficiência é particularmente baixa, como sublinhou um estudo do International Water Management Institute, realizado por 700 cientistas e divulgado em Estocolmo. Uma situação que se agravará em 2050, em que o consumo de água na agricultura aumentará 80% para satisfazer o aumento populacional, segundo o "Water for Food, Water for Life: Insights from the Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture". O uso da água para fins múltiplos poderá ser uma das soluções, preconizam estes cientistas.

Por seu lado, o impacto das potências emergentes esteve em foco, com o caso da China transformado inclusive num dos cenários para 2025 debatidos pelo estudo "Business in the World of Water", apresentado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que teve a participação portuguesa da Sonae SGPS na equipa de cenarização. Neste grande país asiático o número de cidades com escassez de água doce poderá atingir as 550 e nomeadamente o sector têxtil é um dos maiores utilizadores deste recurso.

Um outro cenário aponta a possibilidade de surgimento de movimentos globais em defesa da água que resultem em protocolos globais sobre o tema. Mas, o impacto mais avassalador dos problemas da má gestão da água e das alterações climáticas poderá ser uma década até 2015 de inundações graves nos cursos dos rios e nas zonas costeiras. Mais de 1/3 da população mundial vive a menos de 100 quilómetros da costa. E mais de 40% vive em bacias hidrográficas com falta de água ou onde esta é economicamente escassa.

O estudo aponta duas "certezas" que deverão estar na cabeça de todos os homens de negócios: "não é necessário estar no sector da água, para sofrer uma crise deste recurso; a complexidade dos problemas ligados à água vai fazer subir os custos das actividades económicas nas próximas décadas".

Água virtual

O WBCSD aponta para a própria avaliação futura de um indicador "estranho" à maioria dos decisores empresariais - a "água virtual" incorporada nos bens que transaccionam. Para se ter uma noção do que isto quer dizer tenha-se em conta que um quilo de carne industrial consome 10 mil litros de água, que um quilo de trigo exige 1500 litros e que um quilo de arroz quer 4500 litros.

Muitos países promulgarão legislação que obrigará a um registo da "pegada de água" - ou seja, o volume total de água doce usado directa ou indirectamente para produzir uma unidade de produto ou serviço. Em muitas regiões com "stresse" de água doce, as empresas terão de ter licenças para operar que tenham em conta este aspecto. Municípios e regiões poderão mesmo criar "zonas económicas baseadas na água doce". Uma situação global que abrirá uma oportunidade de criação de mercados financeiros de comercialização de direitos de água.

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