Portugal meio opaco e Brasil fora
dos menos transparentes

O risco de investimento é um ponto e meio percentual superior à "média" da actual União Europeia e situa-nos exactamente a meio da tabela de classificação mundial. Serve de consolo o facto da Espanha ser mais corrupta, segundo este índice da PwC, ainda que acima no "ranking" geral. O Brasil tem um risco menos elevado do que a Polónia e muito inferior a países da moda como a China, Índia e Rússia.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Dezembro 2004

Artigo na Sloan Management Review: "The Global Costs
of Opacity", Edição de Outono 2004. (vol.46,nº1)

Índice da Opacidade | Análise Técnica

O PIOR E O MELHOR EM PORTUGAL
O PIOR: Grau de opacidade das práticas contabilísticas
e de governação empresariais
O MELHOR: Enquadramento legal
O PIOR E O MELHOR NO BRASIL
O PIOR: Enquadramento legal
O MELHOR: Políticas económicas

No índice mundial da falta de transparência das economias, Portugal está exactamente a meio de uma tabela de 48 países analisados com base em 65 indicadores. O Brasil fica quatro países abaixo.

O pior indicador português é a "opacidade" das práticas contabilísticas e de "governação" empresariais, o que poderá surpreender o leitor, que esperaria que fosse a corrupção, o enquadramento legal, a volatilidade das políticas económicas ou a inoperância das estruturas de regulação - os outros critérios usados no "Índice da Opacidade", publicado pela PricewaterhouseCoopers e divulgado, este ano, pela revista Sloan Management Review.

O prémio de risco adicional de montar um negócio em Portugal é de 3,22 pontos percentuais, segundo o "Índice da Opacidade" (The Opacity Index, publicado desde 2001) preparado pela equipa de Joel Kurtzman, um sénior da PwC, líder da empresa de consultoria Kurtzman Group e responsável pelo Centro Tecnológico da PwC em Menlo Park, no Silicon Valley. Ou seja, o investimento em Portugal é um ponto e meio percentual mais arriscado do que tomando em conta a "média" da actual União Europeia.

Mesmo assim é muito mais baixo do que o risco esperado nos novos países da adesão e nos emergentes, como o Brasil, a Rússia, a Índia ou a China (ver quadros). Servirá de consolo saber que a França e a Grécia estão bem pior e que a Itália é o campeão da falta de transparência na União Europeia a 25. De assinalar, também, que o Brasil tem um risco menor do que a Polónia, a Rússia, a Índia ou a China.

Menos corrupção que em Espanha

Comparando com o nosso vizinho peninsular é reconfortante verificar que a corrupção é menor, mas que Espanha tem entidades reguladoras muito mais actuantes, o que, no global, coloca "nuestros hermanos" com um prémio de risco mais baixo (2,86 pontos percentuais).

Os países líderes da transparência são os Nórdicos, o Reino Unido e Hong Kong, com os Estados Unidos e a Austrália logo a seguir. Com risco inferior a 1 ponto percentual encontram-se a Suíça, Áustria, Bélgica, Canadá, Singapura, Holanda e Alemanha.

Excluindo a Holanda, os países de destino principal do investimento directo português no estrangeiro nos últimos anos - Espanha, Brasil e Polónia - têm um prémio de risco superior à "média" da União Europeia (ver quadro). Segundo Joel Kurtzman, o que isto significa é que no "business plan" da sua internacionalização some sempre uma percentagem adicional em cima do retorno esperado do investimento. E, em cada caso, detecte, sempre, os pontos mais negros - em Espanha, as práticas contabilísticas e de governação empresariais, tal como em Portugal; no Brasil, a corrupção e o enquadramento legal; na Polónia, a corrupção e a volatilidade das políticas económicas. Kurtzman aconselha, inclusive, que as empresas viradas para o investimento internacional passem a contar com um "Chief Risk Officer" (CRO), que olhe pela avaliação do risco nessas decisões, não só o relativo aos "grandes" riscos geo-políticos, como a estes do "dia-a-dia".

O índice recolhe indicadores oriundos do Banco Mundial, do FMI, da International Securities Services Association, do International Country Risk Guide e de reguladores nacionais. A análise técnica foi realizada pelo Milken Institute, um "think tank" norte-americano independente.

DESTAQUES
  • Portugal está melhor do que a Hungria, República Checa, Polónia, França, Grécia e Itália na UE
  • O risco de investir em Portugal está cerca de 1 ponto percentual acima da média da UE
  • Nos 48 países rasteados, Portugal está a meio da tabela, no 24º lugar
  • Mas está pior do que Espanha, Malásia e Tailândia
  • Comparando com Espanha, o nosso país é menos corrupto, mas o nosso vizinho está melhor no papel das entidades reguladoras
  • Itália é o campeão da falta de transparência na União Europeia, com um prémio de risco de 4,94 pontos percentuais (superior ao do Brasil)
  • Os países líderes da transparência são os nórdicos, o Reino Unido e Hong Kong; Estados Unidos e Austrália vêm a seguir
  • RISCO DOS PRINCIPAIS DESTINOS
     DO INVESTIMENTO DIRECTO PORTUGUÊS 
    (Prémio de risco adicional, em pontos percentuais)
     Espanha 2,86 
     Brasil 4,29 
     Holanda 0,67 
     Polónia 4,43 
     Portugal 3,22 
     Média da UE 1,87 

     RISCO NOS EMERGENTES 
     Brasil 4,29 
     Argentina 5,06 
     Rússia 5,64 
     Índia 6,09 
     China 6,49 

    10 LÍDERES NA TRANSPARÊNCIA
     Finlândia -1,83 
     Reino Unido -0,44 
     Dinamarca -0,44 
     Suécia -0,31 
     Hong Kong -0,21 
     EUA
     Austrália
     Suíça 0.40 
     Áustria 0,42 
     Bélgica 0,42 
     Nota: valores negativos significam um ganho 
     adicional, à cabeça, no investimento

    OS 10 MAIS OPACOS
     Indonésia 8,54 
     Líbano 8,47 
     Venezuela 6,56 
     Filipinas 6,51 
     China 6,49 
     Nigéria 6,12 
     Índia 6,09 
     Egipto 5,91 
     Rússia 5,64 
     Arábia Saudita 5,52 
     Fonte dos Quadros: The Opacity Index, PwC e The Kurtzman Group, 
     publicado pela Sloan Management Review

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