Inovação ou Morte!

Ibéricos obrigados a inovar

Portugal e Espanha estão à frente da Índia e do mundo anglo-saxónico na intenção de apostar fortemente na inovação nas empresas. Os CEO ibéricos lideram as intenções num inquérito realizado pelo The Boston Consulting Group em 68 países.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Maio 2005

Relatório Innovation 2005

QUADROS

TOP 5
Aposta forte na inovação empresarial (*)
(% das respostas nos CEO entrevistados)
 Península Ibérica 47 
 Índia 46 
 Austrália/Nova Zelândia 32 
 Reino Unido 30 
 França 26 
 (*) Resposta à pergunta "o investimento em inovação
 deve ser aumentado significativamente"

GEO-TOP
Aposta mundial na inovação por regiões
(% das respostas nos 940 CEO entrevistados)
 Ásia 36 
 América do Norte 26 
 Europa 25 
Prioridade estratégica
(% das respostas nos 940 CEO entrevistados)
 Europa 50 
 América do Norte 49 
 Ásia 40 
 Fonte: Innovation 2005, The Boston Consulting Group 

A Península Ibérica é a região do mundo onde são mais elevadas as intenções dos CEO em aumentar significativamente o investimento em inovação nas empresas. A percentagem de inquiridos que expressou essa opinião chegou aos 47% dos executivos ibéricos, mais do que na emergente Índia e significativamente mais do que em países anglo-saxónicos desenvolvidos, segundo um estudo realizado até Fevereiro deste ano pelo The Boston Consulting Group (BCG) junto de 940 CEO em 68 países, incluindo 32 respostas em Portugal e Espanha.

Pode parecer, à primeira vista, estranho que dois países europeus caracterizados por níveis baixos de Investigação & Desenvolvimento nas empresas, revelem a mais alta inclinação para a inovação. A chave do paradoxo, explica Anthony Pralle (LINKAR mailto: Pralle.Anthony@bcg.com), vice-presidente sénior do BCG na Península Ibérica, reside no facto dos CEO ibéricos se revelarem os mais fortemente pressionados para mudar de vida em termos de factores de competitividade das suas empresas. As empresas ibéricas são das mais "ensanduichadas" no modelo internacional de vantagens comparativas baseadas no custo de mão-de-obra, face à emergência da Ásia e dos novos países membros da União Europeia. «Os empresários ibéricos têm de mudar as regras do jogo para reganharem competitividade. Historicamente, ambos os países tiveram custos baixos industriais no seio da União Europeia - por exemplo, no 'cluster' automóvel. Ora, há uma tomada de consciência da necessidade de mudar as bases da competição internacional. E a inovação é um dos caminhos para tal», conclui Pralle.

Factor Ásia

Para o "survey" Innovation 2005, agora divulgado pelo BCG, a forte aposta na inovação é apontada como prioridade estratégica na Europa, mais do que na América do Norte e no Oriente. Mas é na Ásia que maior número de CEO expressam a intenção de investir significativamente na inovação empresarial. A Índia, Austrália e Nova Zelândia "puxam" por este comboio.

Esta tomada de consciência parece ter aumentado desde o último "survey" realizado pelo BCG no ano passado - o número de CEO convencidos da necessidade de aumentar (muito ou moderadamente) o investimento na inovação empresarial subiu 10 pontos percentuais, abrangendo hoje ¾ dos inquiridos em todo o mundo. Os sectores mais sensíveis a esta prioridade estratégica são o retalho, os produtos de consumo, as empresas tecnológicas, os media e o sector da saúde. Dois deles - tecnológicas e saúde - acham mesmo que a salvação só poderá vir de inovações radicais.

Verdade abafada

Outra conclusão que o estudo sublinha é o facto de cada vez maior número de CEO manifestar o seu descontentamento em relação ao retorno dos investimentos em inovação (ROII). «A verdade abafada é que, para um largo número de empresas, os investimentos em inovação continuam a disparar, mas não estão a gerar nem os lucros esperados nem as vantagens competitivas desejadas», afirma o estudo. É na América do Norte (52% dos respondentes) e na Europa (51%) que este descontentamento é maior. Os sectores de maior insatisfação são os da energia, produtos industriais e saúde.

Uma das hipóteses de aumento desse ROII é globalizar a investigação, e nomeadamente planear o "offshoring" de processos de I&D para países em que o talento é abundante e mais barato. Contudo, só 1/3 dos inquiridos encara essa possibilidade este ano.

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