O regresso às guerras geo-económicas

Da Guerra do Golfo à operação do Afeganistão e à anunciada intervenção no Iraque não está só uma política e ideologia "neo-imperial" dos Estados Unidos, mas um xadrez complexo de posicionamentos e reposicionamentos de grandes e médias potências na geografia dos recursos estratégicos fundamentais.
A última década viu acentuar-se, paradoxalmente, a defensiva estratégica dos EUA e a subida de novos actores na cena da geo-economia do Médio Oriente e da Ásia Central, com destaque para a contra-ofensiva russa, a consolidação do Irão, os ventos de instabilidade na Arábia Saudita e a emergência do espaço euro-asiático. A dificuldade política e social dos EUA em mudarem de modelo energético empurra os "falcões" da Administração para a fuga para a frente das "guerras do petróleo e do gás". Uma série delas podem estar no horizonte.

Jorge Nascimento Rodrigues na pele do «Ardina na Crise»

Estatísticas, Fichas de países e de regiões provenientes da Energy Information Administration do Departamento de Energia dos EUA
Artigos anteriores do Ardina na Crise | Mapas de Estratégia dos «pipelines»
Informação sobre geografia dos «pipelines»
Encontros da ASPO-Associação para o Estudo do pico do petróleo
Artigo polémico: «Saudi Arabia: The Sarajevo of the 21st Century», de Michael C. Rupert

Artigos de referência da revista Foreign Affairs
«The New Geography of Conflict», de Michael Klare
(edição de Maio/Junho 2001)
«The New Oil War», de Edward Morse e James Richard
(edição de Março/Abril 2002)
«9/11: One Year later»
(edição de Setembro/Outubro 2002)

Livro de referência: «Resource Wars», de Michael Klare, já comentado
na Janelanaweb

Entrevista Exclusiva de Setembro 2002 com Michael Klare em inglês

A Guerra do Golfo de 1991 já foi considerada a «primeira guerra pelos recursos» após o fim da luta pela hegemonia entre os dois blocos que marcaram a segunda metade do século XX. Terá sido o sinal de que regressámos, em certa medida, às guerras geo-económicas típicas da fase emergente do imperialismo do séc. XIX e primeiras décadas do século XX.

O evento do Golfo inspirou inclusive, no inicio do ano passado, muito antes do 11 de Setembro, um livro do investigador Michael T. Klare em que se vinha falar, pela primeira vez, de um novo tipo de conflitos internacionais do século XXI. Uma boa parte da nova geografia de guerras de conquista e de posicionamento estará marcada pelo controlo geo-estratégico dos recursos naturais fundamentais - energéticos (já visível claramente na questão do petróleo), sistemas aquíferos (pontos críticos nos rios transnacionais) e minerais e florestais, advertia Klare em «Resource Wars».

As interpretações políticas e ideológicas da reacção ao 11 de Setembro ofuscaram, num primeiro momento, esta nova realidade geo-estratégica, mas rapidamente vários analistas americanos vieram chamar a atenção para o efeito logístico da operação no Afeganistão, que permitiu aos Estados Unidos criar um corredor energético-militar na Ásia Central abrangendo o território afegão e o Uzbequistão.

O elo mais fraco

O porquê do Iraque como o alvo que se segue neste xadrez não se prende só aos desenvolvimentos do 11 de Setembro, à operação inacabada em 1991 pelo pai do actual Presidente norte-americano ou mesmo às necessidades "keynesianas" de uma economia em depressão e com mercados financeiros em agonia prolongada.

Uma razão sensível tem a ver com o facto do Iraque ser o actual elo mais fraco na geografia do Médio Oriente e da Ásia Central. O movimento estratégico ensaiado por Saddam Hussein no início da década dos anos 90 do século XX de ultrapassar sustentadamente o Irão na balança do petróleo e do poder na OPEP ocupando o Kuwait revelou-se um erro crasso para as ambições do Iraque.

Paradoxalmente, o Iraque, apesar das sanções e da guerra de palavras, é hoje o 5º fornecedor de petróleo dos EUA e este país é o principal cliente directo e indirecto do petróleo de Bagdade (estima-se em 45%, um milhão de barris diários que vão directos para os EUA). Após a derrota em 1991, o Iraque conseguiu aumentar a sua produção de petróleo em 550%, de menos de 400 mil barris diários em 1992 para 2,2 milhões diários no terceiro trimestre deste ano - o que ainda está longe, contudo, da posição de 1990.

Apesar de ser um país de pouco mais de 22 milhões de habitantes, retalhado a Norte e a Sul desde a derrota em 1991, é considerado ser a segunda reserva mundial de crude (depois da Arábia Saudita) e de ter uma capacidade de produção que rapidamente poderá atingir os 3 milhões de barris diários, patamar a partir do qual poderá começar a desafiar a posição exportadora do Irão. Torna-se, por isso, uma presa apetitosa.

Mas, vários analistas norte-americanos chamam a atenção para o facto de que os verdadeiros destinatários da potencial operação Iraque serão outros. Dão pelo nome de Arábia Saudita e Irão,os vizinhos do Iraque, e Rússia.

É o novo contexto geo-económico do petróleo e do gás naquela parte do mundo que empurra a Administração norte-americana para romper com o legado diplomático e politico-militar anterior e adoptar uma política "neo-imperial" em que se abandonam acções "defensivas" ou de contra-ataque para operações "pró-activas" e "preventivas" decididas, se necessário, unilateralmente, como ainda recentemente sublinhava G. John Ikenberry, um especialista da Universidade de Georgetown, num artigo polémico justamente intitulado «America's Imperial Ambition», publicado na revista Foreign Affairs deste mês, no âmbito de um dossiê sobre o 11 de Setembro.

A cartada russa

As consequências geo-estratégicas da vitória na Guerra do Golfo foram muito diferentes daquelas que provavelmente os seus estrategos desejaram. Nos dez anos que decorreram desde 1992, o cenário energético sofreu alterações que colocaram os EUA na defensiva estratégica em relação ao Médio Oriente e à Ásia Central.

As acções de contra-ataque realizadas (como a de libertação do Kuwait e mais recentemente a do Afeganistão) e "preventivas" (ofensivas) prometidas (como será, a realizar-se, a contra o Iraque) são a tentativa de sair dessa situação de defensiva e de passar a uma contra-ofensiva estratégica naquela parte do mundo.

O leitor poderá ficar estupefacto com esta caracterização dos EUA na defensiva estratégica, que pressupõe que o país já atingiu o pico histórico da sua curva hegemonista. Mas analisemos a realidade mais recente da geogfrafia do crude e do gás, em que os sintomas abundam - reposicionamento da Rússia desde 1998, paulatina consolidação do Irão, rebeldia no "pátio das traseiras" com o caso da Venezuela, emergência da China, instabilidade na monarquia saudita, activação das redes terroristas globais dentro do próprio solo norte-americano.

Mas o facto mais significativo dos últimos cinco anos - a que se tem dado pouca atenção - foi a reviravolta da Rússia, que em termos de produção do petróleo bateu no seu patamar mais baixo (6 milhões de barris diários) em 1996. O esforço de investimento tecnológico, o desenvolvimento de grupos petrolíferos privados muito activos (como Lukoil e Yukos) e a estratégia da Transneft na parte logística dos pipelines, permitiu à Rússia transformar-se no "desafiador" da Arábia Saudita, como referiu recentemente Edward Morse, que pertenceu à Administração norte-americana no final dos anos 70, num artigo também publicado na revista Foreign Affairs (Março/Abril 2002).

A Rússia atingiu os 7 milhões de barris diários no ano passado e deverá contabilizar os 8 milhões este ano, tendo nos primeiros trimestres ultrapassado a produção da Arábia Saudita. Um argumento adicional que espera utilizar a seu favor situa-se na região do Mar Cáspio, que poderá permitir à Rússia atingir um pico histórico de 14 milhões de barris diários em 2010, com uma contribuição de 25% daquela parte da Ásia. O Mar Cáspio não sendo um "segundo" Médio Oriente pode equivaler aproximadamente a um "segundo" Mar do Norte na geografia do crude.

A emergência do Cáspio

As próprias pequenas potências ribeirinhas do Mar Cáspio que dispõem de petróleo off-shore e de gás natural - como o Azerbaijão e o Kasaquistão sobretudo no petróleo e o Turcomenistão sobretudo no gás -, bem como os pequenos países de "passagem" do Cáucaso, como a Geórgia e a Arménia, entraram nesta corrida e debatem-se entre alianças e projectos com russos, turcos, iranianos e multinacionais francesas, italianas e americanas, entre outras.

O Kasaquistão definiu mesmo uma estratégia a 10 anos visando atingir o patamar dos 3 milhões de barris por dia a partir de investimentos massivos de várias multinacionais no campo off-shore de Kashagan que deverá estar operacional em 2005/07. O Turcomenistão visa potênciar as suas reservas de gás natural em Dauletabad e poder atingir em 2010 um patamar de cerca de 4 biliões de pés cúbicos por ano (cerca de ½ do que os russos se propõem exportar em 2005).

Os russos parecem levar a melhor com o Consórcio do Cáspio cujo pipeline começará a exportar do Kasaquistão para Novorossisk, no Mar Negro, na Rússia, no final do ano, e com o pipeline "Blue Stream" com a ENI italiana para exportar gás em direcção à Turquia, a partir deste Outono. No entanto, os projectos da TotalFinaElf com os iranianos para ligar o gás do Turcomenistão ao Irão e o petróleo do Kasaquistão ao Irão em 2005 são cartadas importantes.

A afirmação da Rússia é parte de uma movimento de emergência de países não-OPEP no cenário do ouro negro. Desde o ano 2000 que é clara a inversão de tendência que vinha dando um peso crescente, desde o final dos anos 80, à OPEP. Depois de um pico histórico recente em 1998, com quase 41% da oferta mundial, a OPEP regressou aos valores de antes da Guerra do Golfo (36,8% em 1990 idêntico à estimativa para 2002).

Janela de oportunidade russa

A liderança russa ganhou consciência de que dispõe de uma janela de oportunidade até 2020, altura em que o país atingirá o pico da sua produção de petróleo. Apesar de dispor, apenas, de 5% das reservas mundiais do crude, a Rússia desenvolveu uma estratégia dupla - de valorização do espaço euro-asiático, procurando fidelizar os clientes europeus, através da valorização logística do Mar Báltico e de pipelines para a Europa Central em alternativa aos riscos do Mar Negro e do estreito do Bósforo, e de conexões para a Ásia-Pacífico em direcção à China, Coreia do Sul e Japão, países importadores líquidos de crude e com enorme capacidade de refinação.

Adicionalmente, a Rússia dispõe do trunfo do gás natural. Detém 32% das reservas "provadas" deste recurso e 60% das suas exportações destinam-se à Europa.

Os fora do baralho americano
Apesar dos EUA dependerem apenas em 27% do crude que importam do Golfo Pérsico, o que lá se passa é vital para o seu posicionamento estratégico enquanto potência global. O Irão consolidou seriamente a sua posição como 4º produtor e exportador mundial - aproveitando o enfraquecimento temporário do Iraque e desenvolvendo uma estratégia logística de captação de aliados no Cáucaso e no Cáspio para a construção de pipelines que façam o ouro negro transitar pelo seu país em direcção ao Golfo Pérsico e ao Golfo de Oman. Dispõe, também, da segunda maior reserva mundial de gás natural. A sua eleição como um dos membros do "Eixo do Mal" pela Administração Bush coloca-o como alvo a cercar, para já, indirectamente.
Por outro lado, crescem os rumores de agudização da luta de facções na monarquia saudita e um relatório da Rand Corporation de Julho (noticiado em Agosto pelo jornal Washington Post) já classificou a Arábia Saudita como "inimigo" dos EUA. Especula-se inclusive sobre cenários de uma "balcanização" daquela Península. Segundo o especialista norte-americano Michael Rupert, vários grupos financeiros sauditas retiraram 200 mil milhões de dólares de contas em bancos americanos em resposta aos primeiros processos civis contra bancos sauditas e membros da nomenklatura saudita na sequência do 11 de Setembro.
Finalmente, no "pátio traseiro" dos EUA, a Venezuela cria um clima de insegurança estratégica, em virtude da permanência de Hugo Chávez à frente dos destinos do país. É o quinto exportador mundial e a maior reserva de petróleo fora do Médio Oriente.

Foi a logística, estúpido!
Não há petróleo nem gás no Afeganistão. Mas é um país de "passagem". É muito anterior ao evento do 11 de Setembro, a estratégia do consórcio CentGas, animado pela petrolífera americana Unocal, para mobilizar uns 2,5 mil milhões de dólares no que designou por "Rota da seda", que permitisse fazer transitar o petróleo e gás da Ásia Central para o Mar Arábico através de portos no Paquistão (neste caso, o de Gwadar) ou na Índia. Em 1998, perante o Comité de Relações Internacionais norte-americano, John Maresca, da Unocal, apresentou com clareza a necessidade dessa "passagem" estratégica, referindo que «tem um terreno relativamente favorável para um pipeline» que poderia passar por Herat e Kandahar.
Este pipeline seria uma das alternativas americanas, apoiada pela Delta Oil, da Arábia Saudita, a Hyundai, da Coreia do Sul, por firmas japonesas, por um conglomerado paquistanês e pelo Governo do Turcomenistão ao cerco logístico montado pelos russos e pelos iranianos. Mas além de ser uma opção cara é "pouco realista a curto prazo", mesmo depois da limpeza do regime Talibã em Dezembro passado, segundo a EIA, o órgão de informação do Departamento de Energia norte-americano.
Os americanos aproveitaram a operação do Afeganistão para implantar uma base militar estratégica - baptizada de "K2" - no Uzbequistão, que tem uma posição central na região transfronteiriça do Mar Aral, e desenvolver acordos militares com o Quirguizia, que faz fronteira com a China. O Uzbequistão reclama mesmo "uma aliança estratégica com os EUA", afirmou o seu líder Islam Karimov.

CONCLUSÕES ESTATÍSTICAS DO PÓS-GUERRA DO GOLFO
Balanço da década 1992-2002

DUAS CARTAS FORA DO BARALHO DA OPEP
Rússia (2º exportador mundial) e Noruega (3º exportador) afirmam o seu peso na exportação do petróleo. São duas cartas fora do baralho da OPEP que chamam à atenção para o espaço euro-asiático, do Báltico e do Atlântico Norte. De Janeiro a Maio de 2002, a Rússia melhorou ligeiramente a sua posição como segundo exportador, enquanto que a maioria dos outros 9 grandes países exportadores diminuíram em virtude das decisões de "cortes" de produção

RÚSSIA RETOMA ESTRATÉGIA DE LIDERANÇA
A Rússia, durante este ano (2002), deve ter ultrapassado em produção petrolífera a Arábia Saudita, fruto da contra-ofensiva desde 1997 em termos de investimentos em tecnologia, dinâmica dos grupos petrolíferos privados russos (como Lukoil e Yukos) e estratégia da Transneft, o grupo governamental que controla os pipelines. Depois do colapso da URSS em 1991 - então o primeiro produtor mundial com mais de 10 milhões de barris diários de crude -, ter empurrado a Rússia para um recuo na produção diária de petróleo que chegou ao ponto mais baixo em 1996 (com 6 milhões de barris diários), o país recuperou o nível de 7 milhões de barris em 2001 e de 8 milhões já este ano. A Arábia Saudita tem estado nos primeiros trimestres de 2002 num patamar entre 7,5 e 7,6 milhões de barris diários

JANELA DE OPORTUNIDADE RUSSA
Apesar de deter apenas 5% das reservas "provadas" de petróleo, a Rússia pretende retomar a liderança mundial de produção e aproveitar ao máximo a janela de oportunidade que dispõem até 2020, década em que atingirá o seu pico histórico de produção em torno dos 12 a 14 milhões de barris diários. A Rússia pretende conjugar esse posicionamento com a sua liderança na produção de gás natural (7,5 biliões de pés cúbicos como objectivo em 2005) e com o facto de deter 32% das reservas "provadas" desse recurso energético

ESTRATÉGIA RUSSA EURO-ASIÁTICA
A estratégia russa dirige-se em duas direcções: Europa (particularmente Alemanha, França, Itália e Espanha, que são importadores líquidos de petróleo á escala mundial) e Ásia-Pacífico (onde o Japão, Coreia do Sul e China são importadores líquidos de petróleo e com enorme capacidade de refinação, logo a seguir aos EUA e Rússia). No campo do gás natural, mais de 60% das exportações russas, em 2001, dirigiram-se para a Europa

CONSOLIDAÇÃO DO IRÃO E VENEZUELA NA OPEP
No seio da OPEP, as cartas fora do baralho das alianças dos EUA aumentaram de peso na produção mundial de petróleo: o Irão, agora considerado no "Eixo do Mal" cresceu em produção 12%, e a Venezuela 23%. O Irão e a Venezuela são, também, o 4º e 5º exportadores mundiais. O Irão tem reforçado o seu posicionamento no xadrez dos pipelines de petróleo e gás na região e prossegue objectivos de adquirir a arma nuclear com apoio da Rússia. A Venezuela é a maior reserva "provada" de petróleo fora do Médio Oriente e nas barbas dos EUA

OPEP PERDE PESO GLOBAL
Apesar da capacidade política de manipulação dos preços do petróleo, o peso da OPEP, e em particular do Golfo Pérsico, na oferta mundial de petróleo baixou dos 40% a partir de 2000. A tendência de peso crescente da OPEP, a que assistimos a partir de meados dos anos 80, inverteu-se. Ao longo da década pós-guerra do Golfo reforçaram-se as posições de países não-OPEP nos 10 mais: Noruega (48% de crescimento da produção diária), China (18%), México (16%), Canadá (33%) e Reino Unido (30%)

MAS AS RESERVAS DE PETRÓLEO CONTINUAM NO MESMO SíTIO
Contudo, as reservas "provadas" de petróleo com hipótese de continuar a manter o ouro negro como galinha dos ovos de ouro até 2040, situam-se em 80% na OPEP e em particular nos 5 magníficos do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Iraque, Emiratos Árabes Unidos, Irão, Kuwait) que detém 63%. A Arábia Saudita lidera com 25% das reservas e o Iraque vem em 2º lugar com 11%

PERFIL DO IRAQUE EM 2002
O Iraque é o 5º fornecedor de petróleo dos EUA, depois do Canadá, Arábia Saudita, México e Venezuela. Os EUA são o principal cliente directo e indirecto do Iraque. Depois do recuo estratégico na produção de petróleo logo a seguir à derrota na Guerra do Golfo (caiu de um patamar de 3 milhões de barris diários em 1990 para 400 mil em 1992), o Iraque conseguiu aumentar em 550% a sua produção, reentrando no clube dos 10 exportadores

ESTATÍSTICAS DE APOIO

QUADRO I
INVERSÃO DO PESO DA OPEP
(% no total mundial de milhões de barris diários de crude)
ANOSOPEPÁRABES OPEPGOLFO PÉRSICO
199036,825,824,3
199238,52725
199840,628,327,4
199939,527,626,8
200040,22827,7
2001392726,7
2002 (E)36,825,725
Fonte: Energy Information Administration, EUA, www.eia.doe.gov
Nota: E=estimativa
Obs: A negro os picos de peso estratégico na oferta mundial de petróleo
Comentário: A tendência crescente para um maior peso da OPEP, dos produtores árabes na OPEP e em particular dos produtores do Golfo Pérsico na oferta mundial de petróleo, que se vinha verificando desde a década de 90 do séc.XX, parece ter-se invertido claramente desde 2000. O peso estratégico da OPEP (Argélia, Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Indonésia, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar, Venezuela) voltou aos níveis anteriores à Guerra do Golfo.

QUADRO II
10 PRINCIPAIS PRODUTORES DE PETRÓLEO
EVOLUÇÂO NUMA DÉCADA
(milhões de barris diários)
19922001
Estados Unidos9,8EUA8,96
Arábia Saudita9Arábia Saudita8,73
Rússia7,9Rússia7,29
Irão3,4Irão3,82
México3,1México3,59
China2,8Noruega3,41
Venezuela2,5China3,3
E A U2,4Venezuela3,07
Noruega 2,3Canadá2,8
Canadá2,1Reino Unido2,59
Fonte: EIA, com base em International Petroleum Monthly Database, Agosto 2002
Comentário: No pós-Guerra do Golfo os três principais produtores mundiais (EUA, Arábia Saudita e Rússia) diminuíram a sua produção diária média. Irão e México consolidaram as suas posições e a Noruega subiu significativamente na classificação. Durante os primeiros trimestres de 2002, os EUA melhoraram ligeiramente a sua posição, a Rússia aproximou-se dos 8 milhões de barris, e a Arábia Saudita ficou em terceira posição.
Nota: A lista dos 10 seguintes em Agosto de 2002: Iraque (2,46 milhões de barris diários); Emiratos Árabes Unidos (2,42); Nigéria (2,26); Kuwait (2,15); Brasil (1,6); Indonésia (1,45); Argélia (1,45); Líbia (1,43); Oman (0,96); Kasaquistão (0.81).

QUADRO III
QUEM ABASTECE O MUNDO
10 PRINCIPAIS EXPORTADORES DE PETRÓLEO
(milhões de barris diários em 2001)
Arábia Saudita7,38
Rússia4,76
Noruega 3,22
Irão2,74
Venezuela2,6
EAU2,09
Nigéria2
Iraque2
Kuwait1,8
México1,65
Fonte. EIA
Comentário: A Arábia Saudita é o maior exportador do mundo, com uma posição bem destacada e isolada na liderança. Rússia, Noruega, Irão e Venezuela encontram-se na divisão seguinte. Os dados de Janeiro a Maio de 2002 confirmam estas posições, com ligeiros incrementos por parte da Rússia e México, e diminuição do número de barris diários por parte de todos os outros.

QUADRO IV
QUEM MAIS DEPENDE DA IMPORTAÇÂO
PRINCIPAIS IMPORTADORES LIQUÍDOS DE PETRÓLEO
(milhões de barris diários em 2001)
EUA10,8
Japão5,4
Alemanha2,7
Coreia do Sul2,1
França2
Itália1,7
China1,6
Espanha1,5
Índia1,3
Fonte: EIA
Comentário: Quatro espaços estratégicos do mundo dependem criticamente das importações de crude até à data - Estados Unidos (o maior importador líquido), Ásia do Pacífico (Japão, Coreia do Sul e China), União Europeia (Alemanha, França, Itália e Espanha) e Índia.

QUADRO V
QUEM DOMINA AS RESERVAS DE PETRÓLEO
(em % dos barris de reservas provadas avaliadas mundialmente em Janeiro 2001)
Arábia Saudita25,4
Iraque10,9
Kuwait9,3
EAU9,5
Irão8,7
Venezuela7,4
Rússia4,7
Líbia2,8
México2,7
China2,3
Fonte: EIA
Comentário: Os 5 "magníficos" do Golfo Pérsico - Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, EAU e Irão - dominam as reservas provadas de crude.

QUADRO VI
QUEM DOMINA AS RESERVAS DE GÁS NATURAL
(% das reservas avaliadas mundialmente em Janeiro de 2001)
Rússia32
Irão15
Qatar7,4
Arábia Saudita4
EAU4
EUA3,3
Argélia3
Venezuela2,7
Comentário: A Rússia lidera destacadamente o filão do gás natural. A segunda posição é firmemente mantida pelo Irão.

QUADRO VII
AS AMBIÇÕES DAS PEQUENAS POTÊNCIAS DO CÁSPIO
Projecções de metas estratégicas para 2010)
PaísesProdução Petróleo (1)Export Petróleo (1)Produção de gás (2)Export de gás (2)
Azerbeijão1,211,10,5
Kazaquistão21,71,10,35
Turquemenistão0,20,153,93,3
Fonte: EIA
Notas: (1) Milhões de barris diários; (2) mil milhões de pés cúbicos por ano
Comentário: As pequenas potências ribeirinhas do Cáspio ambicionam no final da década entrar nos clubes do ouro negro e do gás natural, particularmente o Kazaquistão no petróleo e o Turquemenistão no gás.

Canal Temático
Topo da Página
Página Principal