Europa: IPO tecnológicas em terreno negativo

Mais de mil milhões de euros foram pelo cano nos IPO
do 1º semestre de 2001

Jorge Nascimento Rodrigues

O volume de capital obtido em IPO (entrada inicial em bolsa) de empresas tecnológicas na Europa no primeiro semestre deste ano baixou em 50% em relação à segunda metade do ano 2000. O capital obtido em bolsa não chegou aos 10 mil milhões de euro, enquanto que no segundo semestre do ano passado rondou os 20 mil milhões. E o número alcançado na primeira metade deste ano foi em mais de 60% influenciado pela IPO da Orange (telecomunicações móveis) em simultâneo nas bolsas de Londres e de Paris (Primeiro Mercado). Se não considerassemos esta operação excepcional ocorrida em Fevereiro, a quebra em relação à segunda metade do ano passado seria superior a 80%.

Artigo relacionado em 2000: Outubro negro para IPO europeus

Estes números apurados pela Tornado-Insider (uma revista e sítio na Web especializado em IPO e capital de risco europeus) são o espelho da crise profunda que afectou as estratégias de financiamento de projectos tecnológicos em bolsa. Efectivamente as valorizações em bolsa posteriores aos IPO deste ano deram trambolhões ao longo do primeiro semestre deste ano - em média, as principais bolsas europeias revelaram uma desvalorização média negativa de 13% em relação aos valores iniciais obtidos no momento do IPO. Isso significa que mais de mil milhões de euros foram, entretanto, pelo cano.

IPO de TMT na Europa (1º semestre de 2001)
Mercados
Nº de IPO
Evolução das cotações (%)
Volume
(milhões de euros)
 Reino Unido
13
+ 0,8
6.543,4 (**) 
 França
10
- 10,9
6.931,3 (**) 
 Escandinávia (*)
7
- 17,4
1.533,6 
 Alemanha
16
- 23,7
555, 8 
 Total
46
- 12,8
9308,3 (**) 
Notas:
TMT= Tecnológicas, media e telecomunicações
(*) Bolsas de Copenhaga e Estocolmo
(**) Inclui o IPO da Orange listado em simultâneo em Londres e Paris, no total contando uma só vez
Fonte: www.tornado-insider.com

Evolução mensal dos IPO (1º Semestre de 2001)
Mês
Nº IPO
Volume
(milhões de euros)
 Janeiro
4
126,67 
 Fevereiro
9
6.422,91 (*) 
 Março
12
442,22 
 Abril
8
484,69 
 Maio
1
3,72 
 Junho
12
1828,09 
 1º Semestre
46
9308,3 
Nota: (*) Inclui o IPO da Orange de 6.255 milhões de euros
Fonte: Tornado-Insider

O país europeu com as desvalorizações mais elevadas foi, até agora, a Alemanha, que teve o maior número de IPO, e o com melhor "performance", ainda com valorizações positivas (uns magros 0,8%), foi o Reino Unido. França e Escandinávia estão também no vermelho em termos de evolução das cotações dos IPO deste ano.

Se abstrairmos da operação simultânea em Londres e Paris da Orange (envolvendo mais de 6 mil milhões de euros, o que concentrou mais de 90% dos valores atingidos nestes dois países), verificamos que a zona europeia com um volume maior de financiamento via IPO durante o primeiro semestre deste ano foi a Escandinávia (bolsas de Copenhaga e Estocolomo), com mais de 1,5 mil milhões de euros, apesar de ser a com menor número de IPO (apenas 7).

A evolução mensal ao longo de 2001 revela um mês de Maio muito preocupante (apenas 1 IPO tecnológico) e uma boa retoma em Junho.

Apesar da maioria dos casos mostrar quebras de valor posteriores aos IPO, destaca-se, contudo, um pequeno grupo de idas à bolsa muito bem sucedidas, com valorizações superiores a 30%, como são o caso da Maverick Entertainment (TV infantil) no AIM em Londres, com 66,7%, da Marlborough Stirling (aplicações para serviços financeiros), com 32,5%, na Bolsa de Londres, da Carrere Group (media) com 57,1% no Nouveau Marché em Paris e da GECI International com 42,2% no Segundo Mercado em Paris. Curiosamente, a Orange desvalorizou-se em ambas as bolsas em mais de 11%.

As desvalorizações mais dramáticas, superiores a 60%, ocorreram no Nouveau Marché com os casos da Memscap (óptica) e da Itesof (software de gestão), em Estocolmo com a Dimension (Internet), que foi a maior operação financeira a seguir à Orange, e no Neuer Markt, na Alemanha, com a OHB Teledata.

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