Dow Jones: o trambolhão que se segue

A correcção sentida ao longo deste ano na Wall Street nova iorquina ainda não é nada. A "dor" sofrida pelos investidores e "traders" ainda vai no adro. O que está para vir nesta inversão de ciclo pode custar ao Dow Jones Industrial (DJI - o mais famoso indicador de "performance" dos mercados de capitais tradicionais), no pior dos cenários, um trambolhão superior a 50% ou mais de 16 anos de sofrimento prolongado (ver quadro).

Depois de cinco anos de ganhos excepcionais em média na ordem dos 25% ao ano, o Dow Jones Industrial Average (DJIA) sofreu já em 2000 uma correcção de 12% em relação à abertura do ano (11700 pontos em Janeiro de 2000). Logo em Março, o índice baixaria para os 9800 pontos, tendo voltado a subir nos meses seguintes para voltar a cair a pique este mês de Outubro (onde tem oscilado numa banda entre os 10000 e os 10300 pontos). Algumas estimativas, como as do analista Dhruv Sheth (no forum on-line sobre os ciclos longos), apontam para uma quebra maior até finais de Novembro, situando-se, então, o índice nos 9500 pontos, o que significaria uma correcção de 19% em relação ao ponto de partida em Janeiro de 2000.

Contudo, apesar deste arrefecimento do DJIA, o índice ainda está longe de regressar à "normalidade", ou seja a taxas de crescimento anual dos ganhos próximas das taxas verificadas historicamente. O que leva a concluir que a correcção em baixa terá ainda de ser maior. O que fica por saber é se essa correcção continuará em regime de dor prolongada ou se acontecerá por via de um trambolhão rápido e inesperado.

Depende do horizonte histórico que se escolher - os últimos 10, 20, 50 ou 100 anos - a avaliação da "dor" que falta sofrer nos mercados de capitais, depois do aquecimento extraordinário dos últimos cinco anos, em que se assistiu a uma mudança profunda na "velha" economia norte-americana fruto do impacto da economia digital, que abalou todos os "pesos-pesados" do DJI, obrigando-os a novas estratégias e posicionamentos.

Seja qual for a escolha, o regresso ao "normal" da história dos mercados de capitais é significativo - entre 3 a 16 anos de correcção gradual prolongada, ou então uma terapia de choque em final de 2000 e durante 2001 que implicaria quebras que podem ir de um mínimo de 21,4% a um máximo de 54,6%, segundo um estudo de dois especialistas da Salomon Smith Barney, divulgado por David Henry no diário USA Today (de 21 de Setembro de 2000; não disponível on-line; procurar nos Archives para encomendar).

Quanto vai doer?
(Regresso ao «normal» no Dow Jones Industrial)
Taxas históricas (1) Correcção num só ano (quebra) Correcção prolongada (anos)
5,3% (100 anos) 54,6% 16,3
8,4% (50 anos) 45,8% 8,6
14% (20 anos) 26,9% 3,4
15,4% (10 anos) 21,4% 2,7

      Nota: (1) taxa média anual de ganhos no período assinalado
      Fonte: David Henry, USA Today 21/09/2000, baseado em estudo de Alan Shaw
      e Jonathan Lin, do Salomon Smith Barney

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