Entrevista Exclusiva com Domingo Cavallo

«Ainda podem vir aí mais surpresas no futuro»

Jorge Nascimento Rodrigues com Domingo F. Cavallo, o mago das Finanças argentinas nos anos 90,
sobre a crise internacional de agora

Não se pode descartar a hipótese de mais surpresas negativas no futuro em relação à crise internacional em curso, eis o aviso de Domingo Cavallo, o ex-ministro da Economia que domou a hiperinflação argentina em meados dos anos 90 e se transformou num dos consultores internacionais mais procurados hoje em dia pelos países emergentes.

Ele entra no debate sobre os contornos da actual situação económica mundial que a Janela na Web está a promover e polemiza, indirectamente, com Paul Krugman a propósito do controlo de capitais.

Cavallo está convencido que o euro, apesar de ainda nem sequer estar formalmente em vigôr, já começou a revelar algumas das suas virtudes como moeda única regional face aos choques externos.

Convencido das virtudes de se seguir uma política de finanças sã mesmo em tempos de crise e de se caminhar para um mundo divido em três zonas monetárias de influência, o actual colunista da revista americana «Forbes», onde assina 'The Global Observer', esteve comnosco recentemente e concedeu-nos a entrevista exclusiva que publicamos.

Segundo os 'mentideros' políticos argentinos, Domingo Cavallo poderá ser o ganhador da próxima batalha eleitoral para a presidência da Argentina no final do próximo ano. O putativo sucessor de Carlos Menen já anunciou a sua candidatura em Setembro de 1998 e procura afirmar-se como uma das referências mundiais na América Latina.

Domingo Cavallo A sua experiência na Argentina em 1994 poderá ser útil a outros países emergentes na actual situação económica internacional? Ou estaremos - como poderá ser o caso do seu vizinho Brasil - a viver uma situação completamente nova, com outros problemas e perigos?

DOMINGO CAVALLO - A analogia Brasil 98 - Argentina 95 é útil em alguns aspectos. Mas é indispensável ter em conta diferenças muito importantes entre as duas situações e momentos. Em 1995, muitos economistas de nomeada e muitos gestores de fundos da Wall Street estavam absolutamente convencidos de que Argentina, e também o Brasil, deveriam copiar as passadas do México e desvalorizar as suas moedas. A pressão foi, então, muito intensa. Mas, contra a corrente, lutámos para convencer os investidores de que as nossas economias eram suficientemente sólidas e que as políticas que advogávamos eram consistentes simultaneamente com a estabilidade de curto prazo e com o crescimento de médio e longo prazo.
Com o passar das semanas, durante o 'efeito tequilla', conseguimos que se aceitasse a nível internacional a ideia de uma continuação do regime de convertibilidade na Argentina, ainda que à custa de uma breve, mas sem dúvida muito intensa, recessão, e da prossecução das reformas estruturais da economia. Naquela altura, o Brasil estava na primeira fase do plano real, então com uma vigorosa expansão económica, e essa situação ajudou a um crescimento acelerado das exportações da Argentina para o nosso vizinho, no quadro do Mercosur (Mercosul). Penso que esta experiência é muito útil para a situação actual.

Acha que o Brasil se livra agora de um aperto?

D.C. - O Brasil, fruto do plano real, conseguiu recuperar gradualmente a confiança externa, através de um acordo com o FMI, que implicou fundos no valor de 41,5 mil milhões de dólares, e não incluíu uma desvalorização para além dos 7 por cento préfixados para a taxa de câmbio anual. Contudo, acho que o nosso vizinho deveria propôr-se objectivos muito mais ambiciosos do que simplesmente superar o ataque especulativo contra a sua moeda. Nesse sentido, confesso-lhe que seria desejável um maior dinamismo nas reformas estruturais da economia brasileira.
O presidente Fernando Henrique Cardoso deveria utilizar o seu prestígio político para que o Congresso aprovasse um programa de crescimento baseado numa abertura de mais oportunidades para o sector privado. Isso implicaria eliminar distorções e subsídios exagerados, avançar no campo da desregulamentação, dinamizar privatizações e conseguir um controlo efectivo da despesa pública a nível federal, estadual e municipal. Com este conjunto de ingredientes, seria possível fazer baixar de 40 por cento para 15 a taxa de juro brasileira, e provocar um crescimento do PIB superior aos 3 por cento ao ano projectados para 2000, o que eu acho uma meta muito limitada.

A lentidão da Reserva Federal americana

Mas estamos ou não à beira de uma recessão mundial? Ou será que o actual dominó de crises na Ásia acabará por ser um epifenómeno localizado?

D.C. - A economia mundial está em franca desaceleração, isso é verdade. Mas não entrou ainda em recessão. Foi importante o facto da Reserva Federal norte-anericana ter já por três vezes baixado a taxa de juro (de ¼ de ponto de cada vez) e é salutar que a Europa possa continuar a beneficiar dos efeitos positivos da colocação em marcha do euro. Sem dúvida, que, na outra face da moeda, o Japão continua sendo uma incógnita. Mesmo que o Brasil volte ao trilho certo, não se podem descartar surpresas negativas em outras áreas importantes da economia mundial.
Sinceramente, eu acho que alguns dos problemas derivaram da lentidão com que a Reserva Federal se decidiu por uma baixa das taxas de juro. Mas não se pode minimizar o papel do Japão - que deveria ser a locomotiva da Ásia. No caso deste país, acho que, para além da política expansionista, deveria colocar-se o acento tónico em menos impostos, numa reestruturação completa do sistema financeiro e numa abertura drástica aos mercados mundiais de bens e serviços. Mas, também lhe digo, que se o Japão reiniciar uma expansão económica, então seguramente contribuirá para prevenir uma recessão mundial. Isso também contribuiria para que a China se inclinasse para políticas sãs, dando oxigénio à reestruturação do sistema financeiro chinês e à abertura ao sector privado, ao comércio e ao investimento.

Em vez do controlo de capitais...

Três ideias polémicas sugeridas por Domingo Cavallo para os países emergentes e às voltas com a crise:

  • Crie um 'currency board' no seu país indexando a taxa de câmbio da sua moeda a uma moeda estrangeira forte, e permita-lhe a livre concorrência com a moeda local. Só permita ao seu governo emitir moeda que esteja suportada por reservas da moeda estrangeira escolhida. Em 1994, Argentina instituíu um 'currency board' indexando a sua moeda ao dólar americano. Sugestão dada agora por Cavallo para a Rússia, por exemplo.

  • Adira a uma moeda regional. O exemplo do euro é paradigmático. A América do Sul deveria girar em torno do dólar americano e a Ásia em torno do iene. O mundo ficaria melhor resguardado das crises com esta 'tríade' financeira.

  • Crie no tempo de 'vacas gordas' um Fundo a contra-ciclo para actuar em tempo de 'vacas magras'. A Nova Zelândia é um bom exemplo do sucesso de uma medida deste tipo.
  • Acha que, no meio desta turbulência nos países emergentes e no Japão, a Europa e os Estados Unidos acabam por ser 'paraísos' seguros nos próximos anos?

    D.C. - Todas as economias têm problemas. O que muda é a natureza deles. A Europa e os Estados Unidos, para além de contarem com altos padrões de vida em média, tiveram a virtude de tomar iniciativas na direcção certa. A Europa, por exemplo, está dando vida a um enorme mercado único. Por seu lado, os EUA avançaram, nos últimos anos, para uma região de comércio livre alargada - a NAFTA - e para uma política fiscal mais equilibrada. Contudo, pode fazer-se a crítica a ambos de que, em certo sentido, ficaram a meio caminho no campo da liberdade de comércio e no facto de continuarem a subsidiar largamente certos sectores não competitivos. Ora bem, em muitos mercados ditos emergentes vão consolidar-se sérias oportunidades de investimento e de emprego, que não vão ter necessidade de grande endividamento em relação ao mundo desenvolvido. Estou convicto de que com boas políticas poderemos tapar a brecha em relação aos 'países ricos'.

    O euro já mostrou a sua força

    Como é que avalia o papel do euro face a estes choques externos?

    D.C. - Parece-me evidente que sem o guarda chuva do euro, países como o seu e a Espanha, não teriam conseguido continuar a baixar as taxas de juro locais no meio de todas esta turbulência financeira desatada pela moratória russa e pela crise asiática. Neste sentido, eu acho que o euro começou já a mostrar alguns dos seus benefícios, mesmo antes de estar formalmente em vigôr! Na minha opinião, se quer que lhe diga em poucas palavras, a maior vantagem da União Monetária Europeia e da moeda única é obrigar os dirigentes políticos e os empresários a ocuparem-se dos verdadeiros problemas. Sem hipótese de uma saída 'comodista' através de desvalorizações, a competitividade tem de basear-se nas reformas do mercado de trabalho, na redução dos impostos e na eliminação de regras que distorçam o mercado.
    Continua a haver economistas que acham que, face aos choques externos, o melhor mecanismo é um sistema de flutuação das taxas de câmbio. Eles esquecem que os movimentos erráticos da taxa de câmbio se conjugam imediatamente com mais inflação e mais altas taxas de juro. Em geral, e tendo em conta a experiência da Argentina desde 1991 até agora, parece-me preferível uma focalização num mecanismo de preços eficiente, em mercados desregulamentados e na consolidação de instituições económicas sólidas.

    Esteve recentemente na Rússia. Como é que avalia a situação? Sairá ela do caos ou poderá vir a causar problemas graves à Europa?

    D.C. - Depois de ter tido o previlégio de analisar 'in situ' a crise russa, as reuniões que tive em Moscovo confirmaram-me a ideia de que a questão principal na Rússia é de carácter institucional. O que os russos precisam é de criar instituições fiscais e monetárias e conseguir que os mercados efectivamente funcionem. A meu ver, no imediato, há três problemas que têm de ser resolvidos: o défice fiscal, que está fora de todo o controlo; o elevadissimo nível do serviço da dívida pública; e o descrédito total do rublo. No plano fiscal, deveriam ser capazes de elaborar um orçamento para cumprir rigorosamente, tanto do lado da despesa, como das receitas, com informação que possa ser conhecida diariamente, e capaz de ser monitorizada pelo FMI. Quanto à dívida, os russos deveriam substituir os actuais títulos muito castigados por nova dívida, denominada em moeda estrangeira e com vencimentos bem escalonados no tempo. Estes novos títulos deveriam ser emitidos com garantias, deveriam poder ser transferíveis, de modo a dar opções aos seus detentores que fossem afectados pela moratória.

    E quanto ao rublo?

    D.C. - Deveria ser substituído por uma moeda como o euro ou o dólar, ou mesmo o ouro, ou por futuros em petróleo ou gás, de modo a poder competir livremente com moedas estrangeiras no mercado local. Isto permitiria uma estabilidade monetária, condição para a recuperação da economia real. A meu ver, com um plano deste tipo, a Rússia conseguiria o apoio externo de que necessita. E isso traria alívio tanto para a sua sofrida população como para o resto do mundo, que teme que o arsenal nuclear russo fique à deriva num situação de anarquia política.

    Atacar o mal e não o mensageiro

    Regressando à crise asiática, serão os especuladores o inimigo público número um na actual situação, como reclamam alguns políticos asiáticos, que chegaram a apelidá-los de 'salteadores de estrada'? Ou será que o male 'estrutural' é o tipo de 'capitalismo de amigos' ali vigente, como acusam alguns ocidentais?

    D.C. - Olhe, há que partir do seguinte facto: o capital é especulativo por natureza, e o capitalista mede permanentemente dois aspectos, a rentabilidade esperada e o risco que corre. Sugere-se amiúde que o investimento directo estrangeiro é mais recomendável do que os investimentos de carteira, contudo, muitas vezes, há apenas um truque de práticas contabilísticas entre uma e outra situação. A meu ver, se um responsável de política económica se apercebe que há uma excessiva concentração nos investimentos de curto prazo no seu país, deve, logo, perguntar-se qual é a razão. Seguramente, que se os capitais não se estão comprometendo com o longo prazo do país, o problema não está no funcionamento do mercado de capitais, mas sim no funcionamento da economia no seu conjunto e da política económica que se está a levar a cabo. O que é preciso, nessa situação, é ocuparmo-nos da origem das más noticias e não desperdiçar tempo com o mensageiro.

    Então acha que o remédio temporário de colocação em prática de controlo de capitais defendido por Paul Krugman é inaceitável para os novos países desenvolvidos e para os emergentes face à crise?

    D.C. - Sinceramente, eu não consigo entender como é que economistas qualificados, que deveriam ter em conta todas as consequências do que recomendam, defendam mecanismos de controlo da saída de capitais. Este tipo de anúncios paraliza logo os investimentos que poderiam ajudar à recuperação de um país. Florescem, imediatamente, esquemas para eludir esses controlos e seguramente que gente com talento encontrará logo um modo de dedicar o seu tempo num ofício desses. Digo-lhe também que serão os amigos do poder que mais facilmente lograrão tirar proveito. Se os problemas crónicos das economias asiáticas são a excessiva interdependência entre bancos, grandes empresas e funcionários públicos, então, garanto-lhe que os controlos de cambios serão mais uma via para se continuar a fazer bons negócios nas costas dos contribuintes e dos cidadãos do país. O surgimento inevitável de uma mercado paralelo de câmbios, com quotizações superiores às oficiais, dará sinais distorçidos.

    Acha que é legítimo fazer uma distinção entre a liberdade de comércio e a liberdade de movimentos de capitais? Começa a afirmar-se uma opinião que é a favor do comércio livre, mas pela restrição do movimento de capitais - concorda com ela?

    D.C. - O problema é que nem liberdade de comércio há! (risos). Não deve esquecer-se que a Ronda Uruguay do GATT (agora Organização Mundial do Comércio) implicou, sem dúvida, avanços na liberalização do comércio de certos sectores, mas que subsistem obstáculos para uma série muito ampla de outros bens e serviços. O que constatamos é que houve mais avanços nos sectores em que os países desenvolvidos são exportadores liquídos - como no caso das telecomunicações, serviços financeiros e tecnologias da informação. Mas o mesmo já não ocorreu com os casos em que os países 'emergentes' têm vantagens competitivas, como na produção agrícola, nos texteis e na confecção. Acho que um país 'emergente' pode perfeitamente ter êxito e convergir para os níveis de vida dos países desenvolvidos através do comércio livre e - sublinho - do livre movimento de capitais. 'Só' (risos) é preciso é que se sigam as políticas adequadas, num abiente de instituições sólidas. Às vezes é difícil, mas não é impossível de modo algum.

    O Fundo Monetário Internacional voltou a ser posto em cheque com esta crise. De que reformas necessita, ou será que é preferível extinguí-lo pura e simplesmente, distribuir os seus activos pelos seus membros, e deixar os mercados tratar do assunto, como advoga Milton Friedman?

    D.C. - A experiência das crises asiática e russa reforçaram em mim uma opinião que formei ao longo da crise da 'tequilla' de 1995 e com base na minha vivência do caso argentino. É claro que o mandato do FMI tem de ser revisto em muitos aspectos. O que eu quero dizer com isto é que, em vez de se ocupar em desenhar programas em detalhe, o Fundo deveria sobretudo auditar as políticas que um determinado país põe em prática. No caso desse acompanhamento revelar sinais positivos, o FMI daria, então, luz verde para que o país obtivesse os recursos públicos e privados de que necessita. A meu ver, as crises nunca se solucionarão com a chegada de uma delegação do Fundo. Em 100 por cento dos casos, o êxito vem de uma liderança local empenhada em seguir políticas correctas.

    Em termos práticos, em que é que o FMI, em regra, erra?

    D.C. - Sobretudo quando o Fundo força um programa em que o governo local manifestamente não acredita. Então, o que acontece é que a crise acaba por se agravar, como poderão ter sido os casos da Rússia e da Indonésia. Por outro lado, sejamos realistas - comparado com a dimensão do movimento mundial de capitais, qualquer volume de recursos que o FMI chegue a administrar, será sempre uma fracçãozita daquele total. Isto sempre reforçou em mim a ideia de que mais importante do que a quantidade de recursos é a qualidade das políticas que conta. O FMI por isso deverá encaminhar-se para um papel mais ajustado de árbitro e não de supergoverno, o que o leva a desacreditar-se muitas vezes.

    A nova 'tríade' financeira

    Caminhará o mundo para uma divisão em três moedas padrão - o dólar, o iene e o euro - com as suas zonas geo-estratégicas de influência, uma espécie de nova 'tríade' financeira?

    D.C. - Creio que a actual crise está a dar um grande impulso à ideia que tenho exprimido nas minhas colunas na revista «Forbes» de que o mundo tem divisas a mais. Numa era de mercados de capitais globalizados e de bens e serviços comercializados activamente, a velha ideia de que um país pode manipular a seu bel prazer as suas taxas de câmbio e as suas políticas monetárias com vista a favorecer a competitividade e o crescimento choca com as limitações que a realidade impõe, e tende a ser uma pura e simples ilusão. Neste contexto, o mundo tende a admitir e a confiar em cada vez menos moedas. Por diversas razões, as divisas que surgem como líderes nas suas respectivas regiões são o iene, o dólar e o marco.
    É evidente que esta configuração não é eterna e pode mudar. Contudo, de momento, é esse trio que se afirma. Para os países dessas regiões, parece-me mais sensato avançar com sistemas de convertibilidade em relação a essas moedas, como aliás já o estão fazendo os membros da União Europeia, ou como o fez a Argentina na zona do dólar e o estão a estudar outros países desta região. Este fenómeno poderá disseminar-se na Ásia, caso o Japão recupere. Num cenário global destes, uma coordenação monetária entre a Reserva Federal norte-americana e os seus pares na Europa e na Ásia, poderia conseguir-se de um modo mais rápido e ajustado.

    Mas o futuro não nos poderá trazer uma única moeda digital à escala global, como defende Nicholas Negroponte? Nesse caso, não será preferível trabalhar nesse sentido, em vez de andar a perder tempo com a consolidação de moedas em papel regionais?

    D.C. - É possível pensar-se numa moeda única à escala mundial e também que o grosso das transacções se façam com meios informáticos e digitais. Contudo, mesmo assim, continuariam a ser importantes os fundamentos económicos de cada país (ou região). Já escrevi - na «Forbes» (de 2 de Novembro de 1998) - que poderíamos ter uma única divisa dentro de duas a quatro décadas. Seria como que regressar ao padrão-ouro do século XIX, só que, desta vez, com papel-moeda (estou a pensar em papel-moeda!) e não ouro.

    Um fundo a contra-ciclo

    Para terminar, será que Keynes está aí de volta com este espectro de crise?

    D.C. - Cada etapa histórica incorpora a aprendizagem da anterior, quer do que se fez de certo como de errado. É bem possível que no Japão muitos dirigentes tenham tido de fazer uma aprendizagem acelerada de Keynes. Contudo, em matéria orçamental há sempre que ser muito cuidadoso. Se os políticos encontram argumentos técnicos para expandir ainda mais e mais os gastos públicos, o que eles provocam depois são défices descontrolados e uma dívida pública insolvente. Não é que eu ache que as contas públicas devam estar sempre equilibradas - estou de acordo que se devem ter instrumentos para suavizar o ciclo económico. Pode pensar-se, por exemplo, em ter as contas equilibradas com flexibilidade, de modo a acorrer a défices durante as recessões, acumulando poupança durante as épocas de bonança. A meu ver, nos momentos de forte crescimento, o governo deveria criar um fundo 'a contra-ciclo' para utilizar mais tarde em tempo de 'vacas magras'. Isto ajudaria a manter uma política fiscal sã, mais aceitável por parte dos investidores, que entram em pânico - e com toda a razão - quando vêm um governo lançar-se num expansionismo desenfreado, sem ficar claro como regressará depois ao equilíbrio. Um programa similar ao que eu proponho tem sido implementado com sucesso pela Nova Zelândia.

    OS OUTROS CONVIDADOS PARA O DEBATE DA CRISE
    Paul Krugman | Jagdish Bhagwati

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