Cinco olhares sobre a crise

O que o leitor deverá saber sobre os tempos actuais

Após as "revisões" do crescimento económico e da produtividade relativas
a 2001 nos Estados Unidos, fomos ouvir cinco especialistas abordarem
a crise actual de vários ângulos

Jorge Nascimento Rodrigues

Publicação na versão original em Portugal na revista Executive Digest,
edição de Outubro de 2002

CINCO ENTREVISTADOS:
Robert Prechter Jr. | Peter Cohan | Barry Eichengreen
David Stamp | John Hoeffle

LIVROS EM DESTAQUE:
«Conquer the Crash» (compra do livro)
«Financial Crisis and What to Do About Them» (compra do livro)
«Market Prophets» (compra do livro)

Os media estiveram centrados nas "revisões" da contabilidade dos grupos empresariais norte-americanos, e quase deixaram passar despercebidas duas outras "revisões", de impacto mundial. Em Agosto passado, o Departamento de Comércio norte-americano fez a revisão das suas estimativas das taxas de crescimento nos dois primeiros trimestres de 2001 e corrigiu crescimentos positivos de 1,3 e 0,3% para quebras de 0,6 e 1,6%. Em Junho, já o National Bureau of Economic Research havia considerado que o longo "boom" económico iniciado em Março de 1991 havia atingido um pico em Março de 2001, uma década certinha depois. A partir daí, a economia americana entrara oficialmente em recessão. Também, os valores da produtividade foram revistos em baixa para 2000 e 2001. Os números anteriores, mais optimistas, davam uma estimativa de 3,3% de crescimento em 2000 e de 1,9% em 2001. Os valores, agora, tornados oficiais falam de 2,9% e de 1,1%.

«Os dados oficiais da economia dos EUA foram mantidos durante algum tempo acima da realidade»

O que isto significa é que os dados oficiais da economia dos EUA foram mantidos durante algum tempo "acima" da realidade. O impacto destas "revisões" na psicologia dos decisores e investidores foi, provavelmente, tão ou mais devastador do que as burlas da Enron ou os atentados do 11 de Setembro. A crise deixou de estar "envolta" pelo discurso sempre optimista dos políticos e dos financeiros. A crise deixou de ser tabu. Convém, por isso, saber os seus contornos e como lidar com ela. Cinco autores levantam o véu sobre as suas obras mais recentes lidando com a crise.


ROBERT PRECHTER JR.
Autor de «Conquer the Crash»
Junho 2002

OS ANOS FINAIS DE UM CICLO SÃO OS MAIS DIFICEIS

A vaga económica actual está "nos dois últimos anos" de um período de declínio e a psicologia das "massas" (investidores, empresários, consumidores) seguirá esse sensibilidade. O pior conselheiro é a ilusão. Seja realista e saiba "conquistar o 'crash'" aconselha Bob Prechter Jr em "Conquer the Crash: You can Survive and Prosper in a Deflationary Depression", publicado no Verão pela Wiley, nos Estados Unidos. Uma das suas conclusões financeiras é que só o ouro, a prata, dinheiro fresco e títulos do Tesouro de curto prazo manterão o seu valor durante o "crash", o período de depressão e depois. "Todos os outros investimentos cairão entre 80 a 90% antes que o mercado volte a estar na mó de cima", vaticina no livro.

Capa do livro Conquer the CrashBob Prechter, de 53 anos, é responsável da Elliott Wave International, uma firma de consultoria económica e financeira nos Estados Unidos.
Bob pode ser contactado por email: bob@elliottwave.com
O sítio na Web da empresa pode ser consultado em www.elliottwave.com

A recessão americana é agora "oficial" desde Março de 2001, depois do National Bureau of Economic Research ter "revisto" as taxas de crescimento estimadas de positivas para negativas. Nos mercados financeiros depois do "crash" do Nasdaq de 2000, a agonia continua. O que é que poderemos esperar na temperatura dos mercados financeiros?

Creio que o mercado financeiro vai sempre à frente da economia. As bolsas começaram a cair no primeiro trimestre de 2000, a recessão económica surgiu um ano depois. Veja o ciclo seguinte: o mercado financeiro teve uma primeira batida no fundo em Setembro de 2001 e a recessão terminou em Outubro do ano passado. Depois o mercado financeiro teve uma alta em Março-Abril deste ano, e as estatísticas económicas foram positivas no primeiro e segundo trimestre de 2002. Agora, que as médias caíram abaixo dos mínimos de Setembro de 2001, os números da economia voltaram a piorar.

Mas quando irá parar o iô-iô bolsista?

Creio que as bolsas baterão no fundo em 2003 ou mesmo 2004, talvez mesmo só neste último ano. Mas isto é uma suposição. Baterão no fundo quando a vaga estiver completa, as valorizações voltarem a níveis históricos mais baixos e a psicologia for claramente pessimista.

«Como sabe os economistas são sempre muito optimistas, até que a batida no fundo já é eminente. Eles andam sempre atrás de indicadores atrasados»

Mas por quanto tempo poderão estar estagnadas?

Veja o caso do Japão - o mercado financeiro está em baixa há 12 anos, e ainda não parou esse declínio. Creio que os melhores paralelos históricos são 1720-22, 1835-1857 e 1929-1932, os três piores períodos nos mercados financeiros nos últimos 300 anos.

E no plano económico? Alguns analistas continuam a falar de uma depressão em "V" e de uma retoma "no segundo semestre" - este mito do segundo semestre já vem sendo publicitado desde 2001. Para mais 61% dos CEO ouvidos numa sondagem internacional pela Taylor Welson Sofres e pela Deloitte Consulting esperam uma economia melhor nos próximos 12 meses, e os americanos são, inclusive, os mais optimistas...

Como sabe os economistas são sempre muito optimistas, até que a batida no fundo já é eminente. Eles andam sempre atrás de indicadores atrasados.

No seu livro "Conquer the Crash" (Conquiste o "crash", um título sugestivo) dá a entender que temos pela frente uma depressão ou estagnação de alguns anos...

Espero que o declínio seja mais veloz, mas poderá de facto arrastar-se por mais tempo do que julgo.

O vício do endividamento e o castelo de cartas da dívida que já é superior as 100 biliões de dólares (100 triliões, na designação anglo-saxónica e brasileira) nos EUA foi o motor "keynesiano" nos últimos cinco anos?

Atenção, o balão do crédito começou a encher-se no princípio dos anos 80. O FED ajudou esta explosão do crédito, mas não consegue comandar a sua contracção. Um crédito em contracção arrastará a deflação.

O mote da época actual poderia ser "É a psicologia, estúpido!"?

Sim, sim. (risos). Ou, então, a variante: "Não combata as vagas, saiba aproveitá-las!".

Em que ponto da vaga longa de Kondratief, que se teria iniciado no pós-guerra, estaremos?

Nos dois anos finais, a meu ver. O que significa que está no período de declínio mais difícil.


PETER COHAN
Autor de «Value Leadership»
Publicação em 2003

A TECNOLOGIA CONTINUA A SER EXCEDENTÁRIA

O consultor norte-americano Peter Cohan vai lançar em breve mais um livro, agora sob o título "Value Leadership: Seven Principles for Restoring Confidence in American Capitalism", que argumenta que há bons exemplos nos Estados Unidos, apesar da catástrofe da Nova Economia e da onde geral de "limpeza" no tecido económico. Cohan tem vindo a tecer duras críticas à situação empresarial norte-americana, em particular na sua coluna de opinião "Reality Check", publicada em inglês em www.gurusonline.tv.

Peter Cohan é autor de diversos livros durante o período da Nova Economia e um dos comentaristas mais ouvidos nos Estados Unidos. É consultor independente, tendo criado a Peter S. Cohan & Associates.
Pode ser contactado por email: peter@petercohan.com
O seu sítio na Web está em http://petercohan.com

Será que o presidente Bush vai repetir as palavras do falecido presidente Hoover em Maio de 1930 garantindo que a retoma estaria para breve - agora argumenta-se que está sempre "para o segundo semestre"? As "lições" da crise dos anos 30 são de descartar?

Espero bem que não "copie" Hoover. Penso que o Presidente Bush tem vindo a usar os estímulos fiscais para amortecer os efeitos da recessão. A queda das taxas de juro e de impostos encorajam os consumidores a pedir mais empréstimos para comprar casas e carros. Este processo está de facto a retardar os benefícios de uma recessão que são sobretudo os de remover a capacidade excedentária do sistema.

Mas é possível adiar assim por tanto tempo o impacto de uma recessão que foi decretada oficialmente a partir de Março de 2001?

Até que a capacidade baixe até ao nível da procura, os preços vão continuar a descer. Por exemplos, os preços nos hotéis baixaram nos últimos dois anos - algo que não acontecia desde os anos 30 do século passado. Mas, mais decisivo ainda, é o facto da capacidade tecnológica exceder largamente o seu uso - a revista Forbes revelava que os clientes usam apenas 11% de toda a capacidade de fibra óptica instalada. Outro exemplo: as entregas de PC apenas crescerão 1% este anos nos EUA e no máximo 4% à escala mundial. Quem usa computadores regra geral apenas usa 25% dos 29 gigabytes de capacidade que um disco rígido normal tem. Muitas empresas compraram 20 a 100% de software em excesso do que necessitavam. Finalmente, as redes empresariais usam apenas 10% em média da capacidade dos "routers" que compraram em 2001.

Se uma crise petrolífera irromper - seja, a curto prazo, em virtude de uma operação no Iraque, seja em meados da década, tendo em conta os cenários da Shell recentemente divulgados - o que é que poderemos esperar?

Aparentemente, Bush está a tentar evitar os erros do pai. Este ganhou a Guerra do Golfo mas deixou Saddam no poder e pareceu indiferente à recessão de então. Por isso, ele foi apenas presidente durante um único mandato. Bush-filho tenta reeleger-se, daí que esteja ameaçando atacar o Iraque unilateralmente, o que distrairá o debate político da situação económica actual que o está a "magoar".

Mas especificamente qual será o efeito desta guerra anunciada?

Se o ataque for para a frente, há enormes riscos económicos, tal como um "imposto" de 60 dólares por barril de petróleo. Se isso acontecer, os países mais consumidores de petróleo serão arrastados para uma recessão, o que, depois, baixará a procura do ouro negro. O que, por sua vez, implicará um excesso de capacidade que, de seguida, provocará a baixa do preço do crude. Quando isto acontecer, a economia recuperará. Talvez isto seja um esquema um pouco optimista. Por exemplo, se uma guerra contra o Iraque levar ao corte de parte significativa da oferta de petróleo, os preços poder-se-ão manter altos, apesar da queda na procura.

«Cortar ainda mais nas taxas de juro creio que será interpretado pelo mercado como um sinal de desespero. O FED praticamente gastou todas as suas munições. Agora compete aos dirigentes das empresas definir quando estarão dispostos a aumentar os investimentos de capital. Baixar ainda mais as taxas de juro não desbloquearia a vontade dos CEO em gastar. Só a expectativa de um retorno elevado desses gastos os levará a fazer isso»

Noutro ângulo do problema, o que é que poderemos esperar do actual castelo de cartas dos derivados e do crédito?

O potencial para perdas nos derivados e no crédito mal parado é enorme. O mercado de derivados anda pelo menos pelos 111 biliões de dólares e o castelo do crédito pelos 675 mil milhões de dólares nos EUA. Como se sabe, as casas financeiras ganharam lucros tremendos com estes dois mercados. Se a economia global se afundar numa depressão, as perdas dispararão.

Mas cortar ainda mais nas taxas de juro será solução? Será que o FED aprendeu as dolorosas lições de uma década no Japão?

Cortar ainda mais nas taxas de juro creio que será interpretado pelo mercado como um sinal de desespero. O FED praticamente gastou todas as suas munições. Agora compete aos dirigentes das empresas definir quando estarão dispostos a aumentar os investimentos de capital. Baixar ainda mais as taxas de juro não desbloquearia a vontade dos CEO em gastar. Só a expectativa de um retorno elevado desses gastos os levará a fazer isso.

Como a situação actual é hoje mais "global" do que nos anos 30, o que é que podemos esperar de toda esta confusão?

Confesso que tenho ficado muito surpreso com a "elasticidade" da economia global. Por exemplo, as repercussões nos EUA e na Europa do que se tem passado há anos no Japão e mais recentemente na América Latina têm sido "abafadas" até agora.

Nesta conjuntura, qual é a principal mensagem que deixa aos leitores?

Os investidores devem preservar o que deixaram em fundos nos mercados financeiros. Os gestores devem usar a situação para ganhar quota de mercado contra os concorrentes mais fracos. Também deverão apostar no aumento da produtividade através de uma mudança de processos assente na tecnologia.

Qual é a esperança que poderá haver numa retoma da economia?

Creio que primeiro será necessário eliminar a capacidade excedentária derivada do investimento durante o boom. Como a capacidade utilizada anda pelos 74%, há ainda uma grande reserva por usar - sobretudo em tecnologia. A "limpeza" deste excedente vai significar provavelmente "layoffs" massivos e falências nos próximos anos seguidos por um período dedicado a "lamber as feridas". Mas se uma nova tendência emergir para "puxar" pela procura, a economia poderá reviver, talvez por volta de 2007.

Mas um grande número de analistas continua a falar também de uma reanimação das bolsas?

É difícil imaginar que os investidores individuais voltem assim tão cedo ao mercado de acções depois de terem perdido tanto dinheiro desde Março de 2000.

O que é que os empreendedores do "hi-tec" que surgiram durante o período da Nova Economia poderão fazer?

Os que não conseguiram dinheiro antes do "crash" provavelmente saíram da alta tecnologia. Se, ainda, estiverem interessados em empreender, deverão procurar outros sectores - sobretudo os que possam beneficiar do consumo ou dos gastos da defesa.

Finalmente, porque razão valerá a pena ler o seu livro "Value Leadership: Seven Principles for Restoring Confidence in American Capitalism"?

O livro é baseado na análise de oito empresas americanas - as líderes de valor, que exemplificam o conceito de liderança pelo valor. Essas oito criaram riqueza para os accionistas 4 vezes e meia mais do que a média americana. São elas: Goldman Sachs, Johnson & Johnson, J.M.Smucker (geleias, um negócio de família, hoje nos bisnetos), MBNA (cartões de crédito de fidelidade), Microsoft, Southwest Airlines, Synopsys (software de design de semicondutores) e Wal-Mart.

E quais foram os valores que elas praticaram?

Falo de sete princípios: valorizar as relações humanas na empresa; fomentar o trabalho em equipa; ser frugal; ser honesto; combater a complacência; apoiar-se em várias competências e na interacção entre elas; e devolver à comunidade em que a empresa se insere.


BARRY EICHENGREEN
Autor de «Financial Crisis and What to do about them»
Publicação no Outono de 2002

O REAL PERIGO ESTÁ EM 2003

O professor de Berkeley manifesta um pessimismo reservado sobre o ano de 2003 - em que os efeitos globais se poderão sentir mais acentuadamente - e permite-nos um ângulo de observação da crise internacional focado nos países "emergentes" e em particular na América Latina, nos dois pilares do Mercosul, Brasil e Argentina.

Capa do livro Financial CrisisBarry Eichengreen é professor de Economia e Ciência Política na Universidade da Califórnia, em Berkeley. O livro que vai publicar na Oxford University Press norte-americana vai na sequência dos seus trabalhos sobre as crises financeiras frequentes em países nomeadamente "emergentes" e as formas de como o Fundo Monetário deveria actuar. A sua posição é mais moderada do que a ultimamente muito crítica assumida pelo Nobel Joseph Stiglitz, que abandonou o Banco Mundial. Ainda recentemente advogou, no semanário Expreso, a reformulação do Pacto de Estabilidade da União Europeia.
Barry pode ser contactado por email: eichengr@econ.Berkeley.edu

O que é que poderemos fazer em relação às crises financeiras de alguns países "emergentes", como no caso da América Latina? Qual o impacto que poderão ter globalmente, se não se lidar com elas adequadamente?

As crises na Argentina e no Brasil têm causas diferentes, não podem ser misturadas. Na Argentina derivou de um política cambial insustentável (o peso igual ao dólar) e de défices orçamentais crónicos ao nível das províncias do país. O Brasil, no entanto, evitou problemas similares: tem uma taxa cambial flutuante que se ajusta à mudança de circunstâncias, e soube reformar as relações fiscais entre o governo federal e os diversos estados brasileiros em 1996. A crise actual brasileira reflecte as incertezas sobre as próximas eleições, como tem sido referido, mas, a meu ver, principalmente, a incerteza sobre a economia mundial em 2003.

Os analistas estarão demasiado absorvidos pelo efeito eleitoral no Brasil?

Creio que sim. Há poucas dúvidas de que seja quem for que ganhe, terá de continuar políticas fiscais estáveis e sadias, porque ninguém quererá ser recordado como o político que empurrou o Brasil para o caminho da Argentina. Por isso, eu chamo a atenção que o risco real é o que irá acontecer à economia mundial em 2003. Uma recessão profunda e dupla nos EUA - e , provavelmente, ainda mais importante, um quase certo ataque ao Iraque - não será uma boa notícia para a confiança dos consumidores. E se a economia mundial crescer menos, ou inclusive não crescer, o Brasil terá dificuldades em crescer e pagar o serviço da dívida. É com isto que os mercados deverão estar preocupados.

É esse contexto que levou o FMI a encarar, agora, o Brasil de um modo diferente da Argentina?

Creio que o Fundo Monetário Internacional fez bem em ajudar o Brasil, um país que vinha a adoptar políticas sadias, e em que uma situação de incumprimento teria efeitos devastadores para todo o tipo de mercados financeiros emergentes. Mas será que a política de salvamento do FMI resultará? Só se a economia mundial crescer pelo menos 3% em 2003, o que permitiria que o Brasil cresça pelo menos 3%. E, neste ponto, confesso que tenho dúvidas.

«A nova Administração Bush e a nova equipa do FMI chegaram a Washington julgando que poderiam evitar operações de salvamento financeiras. Pensaram que poderiam adoptar regras simplistas de quando apoiar ou não apoiar. Esta atitude era irrealista. As intervenções do FMI serão sempre necessárias»

Qual é, então, a mensagem do seu livro "Financial Crisis and what to do about them" que vai ser publicado?

A nova Administração Bush e a nova equipa do FMI chegaram a Washington julgando que poderiam evitar operações de salvamento financeiras. Pensaram que poderiam adoptar regras simplistas de quando apoiar ou não apoiar. Esta atitude era irrealista. As intervenções do FMI serão sempre necessárias. E a decisão de ajudar ou não sempre envolverá, obviamente, um nível de julgamento político considerável. A outra mensagem do meu livro é que é indispensável desenvolver novas formas de lidar com as crises de países.

Lidou-se erradamente com a Argentina?

A forma como se lidou com esse país é um bom exemplo - primeiro deu-se uma ajuda de 8 mil milhões de dólares em Agosto de 2001, e depois, subitamente, tirou-se o tapete em Dezembro. Dever-se-ia ter dito à Argentina o "não" em Agosto. Mas isso só teria sido possível se houvesse outra forma de lidar com os problemas do país. É, por isso, que eu argumento no meu livro que são necessárias urgentemente novas formas de lidar com crises de insolvência por parte de países.

E quais são as suas propostas?

A proposta principal tem a ver com novas formas de lidar com situações de insolvência na dívida. Sou a favor de se acrescentarem cláusulas de renegociação amigável nos contratos de empréstimo - nomeadamente especificar quem fala pelos detentores de títulos, não permitir que outros iniciem os litígios, requerer que 25% destes detentores se entendam previamente, e exigir uma maioria de votos sobre o plano de reestruturação. Isto daria ao FMI uma terceira alternativa às duas actuais - que têm sido, estender a fiança ou deixar que rebente uma insolvência com efeitos desastrosos. Esta "terceira via" já foi apresentada em 1995 por mim e por Richard Portes, da London Business School. Agora somos apoiados pelo Tesouro americano e por alguns governos europeus, ainda que com reservas.

E qual foi a reacção do FMI?

Tem defendido uma posição, diríamos, mais "ambiciosa". Que levaria à criação de uma espécie de Tribunal de falências internacional. Mas não estou de acordo com esta posição, que é irrealista do ponto de vista político e que economicamente criaria mais problemas dos que iria resolver.


DAVID STAMP
Autor de «Market Prophets»
Editado Julho 2002

O EFEITO CASSANDRA OU PORQUE FALHAM AS PREVISÕES

As previsões falham, em geral, nos momentos em que mais precisamos delas e os analistas - "profetas do mercado", como lhes chama este autor inglês - só se rendem à realidade quando ela já é dramaticamente óbvia. São "seguidistas". Porquê? Porque nenhum deles ousa fugir ao "consenso" dominante e falar a contracorrente arriscando ser "Cassandras" quando a situação é de viragem para a crise. Ao leitor só resta uma saída - uma atitude de cepticismo inteligente.

Capa do livro Market ProphetsDavid Stamp é um sénior da Reuters, nascido em Inglaterra e que foi chefe dos escritórios da empresa sucessivamente na Nova Zelândia, em Hong Kong, e nas repúblicas Checa e Eslovaca. Em 1997 regressou a Londres e tornou-se editor da Reuters Polling Unit, que analisa previsões económicas e de mercado. Tem 44 anos e vive em Epsom, perto de Londres, localidade conhecida pelas corridas de cavalos. O pouco que conhece de Portugal é das férias em Macau, quando o nosso país administrava aquele território chinês.
David pode ser contactado por email: david.satmp@reuters.com

Tendo em conta períodos anteriores de "bolha" e de "crash", qual tem sido a "performance" dos analistas de previsões?

Lamentavelmente, os homens das previsões costumam falhar na identificação dos pontos de viragem da economia e dos mercados financeiros. Estes momentos históricos - quando o boom vira colapso, ou vice versa, são exactamente aqueles períodos em que nós mais precisamos destes "profetas". Há um ror de exemplos de previsões completamente falhadas. O caso mais caricato é conhecido - menos de uma quinzena antes da batida no fundo na Wall Street em 29 de Outubro de 1929, um professor de economia de Yale chamado Irving Fisher afirmou convictamente: "As acções atingiram o que parece ser um planalto elevado [de valorizações] permanente".

E recentemente?

Muitos analistas continuaram a fazer cenários cor-de-rosa sobretudo para as empresas de alta tecnologia mesmo depois da "bolha" ter explodido no princípio de 2000. Muitos não devem ter aprendido a lição do "crash" tecnológico. Veja este caso bem actual: em Março do ano passado, analistas do Credit Suisse First Boston, um conhecido banco de investimento, baixaram o preço-alvo para um ano da Enron, mas fizeram-no de 128 dólares para 110 dólares. Nove meses depois, a cotação da Enron estava nos 26 cêntimos do dólar. É claro que tudo isto parecem histórias de anedotas, mas há evidência empírica muito forte para mostrar a seriedade do problema. Num dos quadros que publico no meu livro ["Market Prophets"], comparo as previsões dos economistas no que respeita ao câmbio do euro com o dólar, a partir de sondagens da Reuters, com a situação actual, e verifica-se que as previsões tendem a estar atrás em vez de estarem à frente do câmbio, em suma, são seguidistas - ou seja, se o euro cai, os economistas baixam as suas previsões, quando o euro sobe então sobem também as previsões. O resultado é que falham na "descoberta" dos pontos de viragem do ciclo do mercado cambial.

E sobre a evolução do ciclo económico?

Nesse caso, o balanço não é muito melhor. Prakash Loungani, um economista do FMI, verificou que em 72 períodos de recessão verificadas mundialmente nos anos 90, os analistas falaram apenas de 8 no ano anterior a acontecerem. "É triste, mas bem verdadeiro, no preciso momento que necessitamos de previsões, são regra geral muito frágeis", afirmou Roy Batchelor, um professor da City University Business School em Londres. "Somos de facto muito maus a observarmos a chegada dos números negativos", comentou. Uma das explicações possíveis para isto é o "efeito Cassandra". Os profetas da desgraça tendem a ser impopulares. No Verão de 1999, Victor Zarnowitz, um dos seis economistas seniores que definem o começo e o final das recessão nos Estados Unidos, publicou um artigo polémico em que contestava algumas das suposições sobre a Nova Economia então muito populares. Ele argumentou que, mais tarde ou mais cedo, a actividade económica atingiria um pico e cairia de seguida - por outras palavras, começaria, então, uma recessão. Quando este artigo saiu, a economia americana entrava no seu oitavo ano consecutivo de crescimento. "Fui um dos poucos que não acreditou que aquilo duraria para sempre e, infelizmente, acertei", disse ele. "É muito impopular prever um pico. As 'Cassandras' são muito impopulares e é essa razão porque os picos não são prontamente reconhecidos pelos analistas", concluiu.

Mas poderemos voltar a dar credibilidade aos analistas, alguns deles de grande nomeada?

O problema é que nesta área das previsões, a reputação não garante confiança. Um estudo feito por economistas do Banco Central sueco mostra que as grandes casas financeiras não apresentam um balanço geral de previsões melhor do que os seus pares menos conhecidos. Os economistas do Riksbank analisaram o acerto de cerca de 52 mil previsões sobre o produto interno bruto e a inflação em seis países realizadas nos anos 90 e verificaram o seguinte: "Em muitos países não são as instituições de nomeada que mostram a melhor 'performance' em matéria de previsão. Na verdade, são até os bancos e associações menos conhecidas e até anónimas que lideram os 'rankings'". Por exemplo, no caso do Japão, foi o Tokai Bank, pouco conhecido fora do seu país, que apresentou as melhores previsões sobre o PIB, muito à frente dos gigantes da Wall Street, como o J.P. Morgan e a Merrill Lynch.

«Ninguém deverá acreditar piamente em qualquer previsão individual ou mesmo no chamado "consenso", feito da média das previsões de um grupo de analistas. Mas num mundo real em que as decisões têm de ser tomadas, é impossível viver sem previsões, mesmo que se venham a revelar pouco acertadas»

Mas como é que isso pode acontecer?

Até os mais poderosos "adormecem" muitas vezes (risos). Um caso antigo: em 21 de Agosto de 1990, Alan Greenspan, o presidente do FED, afirmou numa reunião sobre taxas de juro: "Os que argumentam que já estamos numa recessão, estão certamente errados". Os dados depois mostraram que a economia americana já estava em recessão, naquela data. Se até Greenspan pode falhar, que esperança haverá para os comuns mortais para preverem uma viragem negativa com um ano de avanço, ou até com um mês?

Mas, então, qual é o seu conselho aos leitores?

Defenda-se dos falsos profetas. Os homens das previsões, qualquer que seja o seu historial de boas previsões, por vezes adormecem. Os especialistas honestos admitirão isto. Ninguém deverá acreditar piamente em qualquer previsão individual ou mesmo no chamado "consenso", feito da média das previsões de um grupo de analistas. Mas num mundo real em que as decisões têm de ser tomadas, é impossível viver sem previsões, mesmo que se venham a revelar pouco acertadas. Kenneth Clarke, um chanceler do Tesouro britânico nos anos 90, dizia o seguinte: "Não se pode obviamente construir uma política macro-económica apenas sentado na sua secretária e com base em evidências anedóticas contadas pelas pessoas à sua volta. Tem de ser feito numa base racional e isso envolve dispor de algumas previsões económicas académicas". Mas ele recomendava um cepticismo saudável e inteligente. "O perigo para os decisores políticos surge quando se deixam quase dominar por estas previsões e permitem que elas determinem as políticas de uma maneira tão inflexível que a política vai ao charco quando as previsões se revelam erradas".

Há quem chegue mesmo a deitar fora as previsões...

(Risos). Sim, veja o caso de Peter Bernstein, um veterano da Wall Street e autor da melhor história sobre o risco - o livro "Against The Gods" -, que é mais sombrio ainda sobre um mundo que nos revela choques petrolíferos, o colapso da Enron ou os atentados de 11 de Setembro. Ele, de facto, jogou fora de vez as previsões. "O mundo é demasiado complexo. E há imensos choques", disse ele, para concluir: "Não conhecemos o futuro e, por isso, talvez, seja melhor gerir os nossos negócios de acordo com essa certeza".


JOHN HOEFLE
Executive Intelligence Review
Edição de Agosto 2002

A NECESSIDADE DE UM NOVO BRETTON-WOODS

Bush-Filho está imitando não o pai mas o ex-presidente Hoover do tempo da Grande Depressão e Alan Greenspan é o principal responsável financeiro da situação a que a economia empresarial e o sistema financeiro americanos chegaram. A recomendação deste escritor radical é que se regresse às políticas que permitiram sair da depressão nos EUA e relançar a economia mundial nos anos 40, no pós-guerra. A ideia de um Novo Bretton Woods é provavelmente a mais emblemática. John Hoefle gerou polémica recentemente ao publicar em Agosto um artigo sugestivamente intitulado "Dois anos da pior crise financeira da História [americana]". Nesse artigo, ele recordava nos anos 30, que desde o "crash" do Dow Jones em 29 de Outubro de 1929 correram quase três anos até à batida no fundo em Junho de 1932 e que a bolsa só recuperou em 1947 e só voltou aos níveis de 1929 em 1954, 26 anos depois. As "sereias" que falam de um regresso altista nas bolsas a curto prazo esquecem a história.

John Paul Hoefle, de 51 anos, é um analista económico desde 1980 para a Executive Intelligence Review, uma revista semanal fundada pelo ex-candidato presidencial norte-americano Lyndon LaRouche, uma espécie de radical não alinhado que se inspira nas políticas do "New Deal" dos Estados Unidos no período de Franklin Delano Roosevelt e do seu mago financeiro, Alexander Hamilton, depois da queda de Hoover, em 1932. Roosevelt que morreu em 1945 foi também o responsável e anfitrião da Conferência de Bretton Woods (no Novo Hampshire) em 1944 realizada pelos 44 aliados contra o eixo nazi-nipónico, onde nasceu o FMI e o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento.
John pode ser contactado por email: johnhoefle@realconnect-mail.com
O sítio na Web da revista: www.LarouchePub.com

Qual é o principal erro do actual Presidente Bush sobre a crise económica nos Estados Unidos?

O presidente Bush parece ter escolhido responder à situação actual de um modo similar ao do presidente Hoover nos anos 30. Este presidente não é hoje recordado pelo facto do país ter mergulhado na Grande Depressão, mas porque continuou a insistir em que tudo estava bem quando obviamente não estava! Em 1 de Maio de 1930 ele discursou prometendo "que rapidamente teremos uma retoma". À medida que a situação se agravava, as pessoas viravam-se para o presidente à espera de orientação, mas Hoover repetia frases ocas em vez de soluções e de liderança. O povo americano respondeu tirando Hoover do lugar e colocando lá Franklin Roosevelt. Bush clama, hoje, que a nossa economia está "fundamentalmente sã", quando é claríssimo que não está.

Mas algumas medidas mediáticas tomadas não poderão alterar a situação, nomeadamente de confiança popular?

Está a referir-se às prisões de alguns CEO e dirigentes empresariais? Sim, isso pode fazer ganhar algum tempo, mas não resolve o problema. À medida que o colapso económico se aprofundar, o presidente Bush terá de tomar uma opção - ou salvar a nação ou salvar o dinheiro (de alguns). Para salvar a nação terá de admitir a falência do sistema financeiro e proceder a uma reorganização, envolvendo a criação de um novo Bretton Woods entre as nações e lançar um programa de desenvolvimento económico centrado em grandes projectos.

«Consta que o J.P.Morgan Chase e o Citigroup faliram e que foram controlados pelo FED, que está a tentar arranjar uma saída para o problema dos derivados e manter a crise escondida fora dos olhares do público»

Mas se uma crise petrolífera rebentar, o que é que poderemos esperar? Alguns cenários, como os da Shell, anteriores às declarações de guerra ao Iraque, falam de uma choque petrolífero próximo...

Creio que o principal perigo vem dos planos da elite anglo-americana para lançarem um choque entre civilizações, contra os muçulmanos. Este curso acarretará inevitavelmente explosões políticas no Médio Oriente e problemas no abastecimento de petróleo ao Ocidente. Este "choque de civilizações" será desastroso. Quanto à Shell, ela é um dos grandes jogadores do cartel do petróleo; ela não comenta meramente sobre o futuro, "molda-o".

Qual é a responsabilidade na "bolha" de derivados - de que se tem falado menos do que a bolsa - por parte das grandes casas financeiras da Wall Street, que, aparentemente, ainda só foram "tocadas" por umas multazinhas ao de leve?

O mercado de derivados é um mecanismo essencialmente criado para esconder a falência do sistema financeiro, tornando-o num gigantesco casino. A meu ver, o sistema bancário norte-americano faliu no final dos anos 80, com o FED tomando conta secretamente do Citicorp e manobrando uma série de fusões entre os grandes bancos americanos. O FED inundou, desde então, o mercado com liquidez através de uma série de cortes nas taxas de juro, Bush-Pai mandou ignorar o crédito mal parado bancário, e os bancos embarcaram nesse mercado de derivados. Hoje em dia, menos de 2% das trocas cambiais em dólares têm a ver com importações ou exportações de mercadorias americanas. A solução para este problema não é haver mais seguros, mas sim mais regulamentação, incluindo um sistema de taxas de cambio fixo do género de Bretton Woods. Consta, agora, que o J.P.Morgan Chase e o Citigroup faliram e que foram controlados pelo FED, que está a tentar arranjar uma saída para o problema dos derivados e manter a crise escondida fora dos olhares do público. Mas isso não funcionará.

Será que o FED conseguirá aprender as lições de uma década no Japão, sobre os malefícios da manipulação das taxas de juro?

O FED parece ser incapaz de aprender as lições mais "duras", dado que continua focalizado em tentar salvar a "bolha". A grande lição do Japão é esta: permitiu à sua economia tornar-se numa gigantesca "bolha" nos anos 80, por pressão dos interesses financeiros ocidentais, que quiseram atrair e usar o dinheiro japonês para salvar os bancos ocidentais falidos. Greenspan é hoje como um médico que tenta curar a doença, nem que para isso tenha de matar o doente. Creio que ele ficará na História como o banqueiro central mais incompetente, que alimentou a maior "bolha" financeira da nossa história.

Uma das consequências da crise actual que tem apontado nos seus escritos é o risco de voltarmos a um novo período das "trevas" do género do que houve na Idade Média, sobretudo nas cidades. Isso não é demasiado apocalíptico?

Como sabe as cidades modernas dependem de uma vasta cadeia de abastecimento de bens essenciais e serviços. Se este fluxo for interrompido ou significativamente reduzido durante um período apreciável, o tecido social das cidades começará a desfiar-se. Por exemplo, a própria reemergência de algumas das doenças, que considerávamos erradicadas, nos EUA é um sintoma dessa situação. Foi uma situação estrutural destas que levou à Peste Negra na Europa no século XIV; isso está a suceder, de novo, em África.

Como a situação actual é mais "global" do que nos anos 30 do século passado, o que é que se pode esperar de toda esta situação de crise?

As políticas que estão a ser seguidas sob o chapéu da "globalização" são um retorno ao velho modelo imperialista do século XVIII. A globalização mostrou ser um desastre mortal. Para sobreviver, as nações têm de reassumir a sua soberania, o controlo sobre as suas economias, e aliarem-se para se defenderem contra os impérios.

Mas quem foram os "maus" da fita desta década? Os especuladores e seus amigos?

O problema não é o especuladores existirem, mas sim o facto de os termos deixado tomar as rédeas, e também a crua verdade de que muitos de nós próprios nos tornámos especuladores, nem que seja especuladorzinhos.


CONCLUSÕES RÁPIDAS
RADIOGRAFIA DA CRISE
  • Estamos num período final de "transição" de um ciclo longo de Kondratief para outro, momentos tradicionalmente agitados
  • O real perigo está ainda para vir - o comportamento económico ao longo do ano de 2003
  • O mercado de capitais poderá continuar a sua agonia e só é previsível "bater no fundo" em 2003 ou mesmo 2004
  • A recessão oficialmente "decretada" desde Março de 2001 nos EUA e a subsequente depressão é diferente; será mais prolongada do que o padrão normal do pós-guerra. Mas não é previsível que "copie" os anos 30
  • A última década no Japão deveria servir de "case study"
  • A capacidade tecnológica instalada excede largamente a procura e o uso - por exemplo, a capacidade dos "routers" é apenas usada em 10%; um trabalhador normal usa apenas 25% da capacidade do seu "desktop"; as fibras ópticas instaladas são usadas apenas en 11%; houve uma "bebedeira" de compras de software, com as empresas a compraraem 20 a 100% mais do que o necessário
  • A Guerra contra o Iraque poderá disparar o preço do barril do petróleo para os 60 dólares ao longo do período do conflito, o que corresponderá a um "choque petrolífero" em que a Europa será a principal afectada
  • Menos de 2% dos rendimentos cambiais em dólares estão ligados ao comércio de import-export norte-americano; mais de 98% são movimentos puramente financeiros
  • O mercado financeiro global de "derivados" totaliza 111 biliões de dólares (triliões na designação anglo-saxónica e brasileira), constituindo uma das bombas ao retardador por explodir
    O QUE VOCÊ PODE FAZER
  • Ganhe quota de mercado ou nos seus clientes contra os seus concorrentes mais fracos
  • Focalize-se na produtividade, usando a nova tecnologia para alavancar a mudança dentro da empresa
  • Esteja atento às tendências que possam emergir; a oportunidade de negócio depende da sua capacidade de observação e "intelligence" e da sua agilidade
  • Não dê ouvidos às sereias que acenam com uma retoma em breve (em "V", na escrita técnica dos analistas)
  • Mas não se deixe vencer pelo pessimismo. Adopte uma atitude de cepticismo inteligente
  • Siga as 7 máximas de Peter Cohan: prioridade aos valores; trabalho de equipa; frugalidade nas despesas; honestidade; combate à complacência; crie uma plataforma de várias competências; devolva riqueza à comunidade
  • Página Anterior
    Topo da Página
    Página Principal